terça-feira, dezembro 07, 2010

Estado de Alarma


Os sindicatos CCOO, UGT e USO, anunciárom a convocatoria de folgas nos aeroportos de AENA para estes dias de Natal. Mariano Rajoy e José Luis Rodríguez Zapatero anunciárom que estám em disposiçom de prorrogar o estado de alarme que conlevou a militarizaçom do tránsito aéreo. Se a alguém cum mínimo de consciência tinha algumha dúvida sobre o efeito devastador que, sobre os direitos laborais, tivo e tem o conflito que mantenhem as controladoras (um número moi importante som mulheres), e controladores aéreos, e o Ministério de Fomento, nestas próximas semanas verá a cousa com mais claridade.

O linchamento mediático de todo um colectivo de trabalhadoras e trabalhadores foi possível porque o discurso monocorde nos médios de comunicaçom ia acompassado, sem fissuras. Algo disto nos temíamos quem passeávamos com preocupaçom por umhas cidades desertas que se tingírom em bicolor quando o campeonato do Mundo deu a vitoria à equipa de Espanha. Tanta sincronia nom podia agoirar nada bo.

Se bota-se-mos umha olhada hai um ano, aos comentários que se verquiam nos médios de comunicaçom contra a folga convocada polos trabalhadores e trabalhadoras do metal em Vigo, ou pola convocada no Metro de Madrid este mesmo ano, veríamos que coincidiam letra a letra, ofensa com ofensa, cos verquidos estes dias contra este colectivo. Num medio de comunicaçom como Faro de Vigo, pedia-se que se lhes bota-se a todos ao paro, que nom volvessem trabalhar em Vigo, penas de cárcere por delinquentes... Mas a maior coincidência entre estes três colectivos ( as diferenças salariais, de condiçons de trabalho... já as conhecemos), é a vulneraçom do convenio colectivo nos três casos. É dizer, os maiores conflitos dos que tenho eu consciência nos últimos tempos, nom som por melhorar as condiçons laborais e salariais das trabalhadoras e trabalhadores, senom por manter o que se tinha até o momento, o que se tinha assinado e ganhado por convênio.

No caso das controladoras e controladores, tivérom um recorte salarial do 40% no mês de Fevereiro, e três decretos mais ao longo do ano que violavam direitos laborais básicos do Estatuto dos Trabalhadores, como é a obrigaçom que se lhes impom, via decreto, de recuperar as horas de baixa por enfermidade, por permiso maternal, lactáncia, horas sindicais, ferias... Todos estes decretos, mantinham a este colectivo num alto nível de descontento e impotência, que nom puidérom expressar na folga do 29S ao impor-lhes uns serviços mínimos do 100%. A constataçom na prática de que o direito à folga nom existe para o seu colectivo, levou-nos a um abandono massivo do posto de trabalho aludindo motivos de saúde. Desse jeito tam desesperado é que este colectivo protestava pola privatizaçom de AENA, e por umha volta de torca mais nos seus direitos laborais.

Agora virá a quenda do resto dos trabalhadores e trabalhadoras de AENA. O estado de Alarme com seguridade vai fazer cambiar muitas das vontades que pretendiam defender a titularidade pública dumha empresa que nom dá perdas. A campanha mediatica está feita, criminalizaçom sindical, da resposta obreira e linchamento de quem ouse romper a monotonia do cotidiano. Essa monotonia de quem nom se questiona o que vem de arriba, só o carga sobre o seu lombo, como se dum fenómeno natural se tratase, e a seguir!

A divida contraída coas entidades financeiras, fai que o governo, veja nas privatizaçons um jeito de encher de imediato as arcas públicas, para pagar os interesses que lhe exigem os acreedores. Estes, polo visto, nunca perdem, ainda que botem um pulso co estado. O governo está disposto a dobregar-se à chantagem dos mercados e reserva as respostas ofensivas para aqueles colectivos que ousem desafiar as suas políticas de privatizaçom e recortes sociais.

Na minha cidade os trabalhadores e trabalhadoras do Souto de Leixa levam semanas loitando contra a privatizaçom do seu centro de trabalho. Em mobilizaçom permanente, intentam consciencizar à cidadania de que os serviços públicos som o melhor garante dos nossos direitos assistenciais, sanitários e educacionais. Agora eu engadiria de serviços básicos como o transporte ou a energia. Nom tenhem convênio de grandes salários, nem som elites privilegiadas dentro da empresa pública, mas ainda assim, nom parece que sejamos conscientes de que a sua loita é a nossa, que nos jogamos muito e imos perdendo.
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domingo, dezembro 05, 2010

Privatizar o Outono


Em quanto os dias se fixérom mais curtos, os caminhos do meu bairro começárom a encher-se de cores luminosas. Amarelos, laranjas, ocres, mesmo vermelhos, saiam-me ao passo polas ruas, polos caminhos entre os parques, no passeio à beira do mar. Um mar de gente, sobre todo crianças, apanhavam castanhas nos soutos urbanos que forom consolidando-se ao longo destes anos em distintos pontos de Caranza. Carvalhos, castinheiros, marmeleiros, ameneiros, bidueiros... e mesmo algum albedro e arces japoneses, agasalham as suas melhores cores, para que vejamos nelas a luz e o consolo que um debilitado sol, e um ceo gris, dia sim e dia também, nos negam empurrando-nos cara a tristeza dumha natureza que se apaga.

Só assim, apoiadas e apoiados na contemplaçom das cores luminosas do Outono, podemos sobreviver até a chegada do solstício de inverno onde mais umha vez, a luz volverá a ganhar o dia.

É por isso, que este ano vivim com preocupaçom este Outono que chega a súa recta final. Nesta febre neoliberal com convulsons privatizadoras, suspeito que o Outono vai ser privatizado, de jeito que só um grupo privilegiado vai ter aceso a el. O Outono nas cidades nom é rendível a olhos de quem aspira a recortar gastos e vê na nossa saúde, entendida o mais globalmente possível, algo que, ou se tira negocio de-lo ou é valorado como um lastre, algo que pom freio a um crescimento inevitável, lembremos neste ponto que os cancros, os tumores, som também um crescimento desregulado das nossas células.

O Outono nas cidades precisa de coidados. As folhas tenhem que ser recolhidas para que nom tupam as sumidoiros, e para que nom produzam acidentes sobre todo entre a gente de mais idade que desfruta dos passeios. As árvores tenhem que ser coidadas, junto a todas as zonas verdes, das que o meu bairro, por sorte, conta polo de agora, de abondo. Isso se traduz em gasto para a instituiçom municipal, afogada polos obrigados recortes que nos impom o cancro que padecemos, é dizer, o medre duns mercados desregulamentados, convertidos em tumores malignos moi activos e com grande capacidade de metástase que, ameaçam, entre outras cousas seguramente mais importantes, o desfrute colectivo da maravilha outonal. O Outono significa postos de trabalho para coidar de algo que nom se valora como produtivo, e agora coa máxima de que “quem o queira que o pague”, podemos começar a ver como se substituem por cimento, ou por espécies perenes, que nada tenhem a ver coa paisagem que precisamos para fazer com cordura esta viagem de transiçom ao inverno, os nossos parques e os nossos passeios.

Privatizaram o Outono. Numha comarca onde a invasom do eucalipto nom permite vê-lo nas fragas mais achegadas, onde um monótono e sedento verde grisalho nos acompanha todo o ano. Entom, o Outono ficará nas grandes fincas privadas. E nós iremos busca-lo detrás dos feches dessas fincas, como a grande maravilha que nos será negada. E estaremos com menos saúde, com menos alegria, e nom seremos quem de ser nós, seremos irremediavelmente gente diferente.

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domingo, novembro 14, 2010

No adeus a Martinho

Assistim ao soterramento das cinzas de José Sanmartim Bouça "Martinho". Compartilhei com ele anos de militáncia na UPG, BNG, CIG... e junto com ele, figem parte dumha geraçom que partindo da experiencia traumática da reconversom industrial, e fruto do discurso político dum nascente nacionalismo que nom assumia o processo de transiçom espanhola, reivindicava o exemplo de Moncho Reboiras, e  por cima de tudo tinha o desejo de ver cámbios reais de já, numha sociedade que abraçava os valores burgueses e virava às costas aos sinais de identidade da Galiza.Essa geraçom víamos no EGPGC o nosso refente político em quanto acreditávamos que nos defendia dos ataques do capitalismo e mostrava unha vontade incontestável de ser unha naçom.

Visitei com assiduidade a Martinho ao longo dos anos nos que estivo em prisom, primeiro na Corunha e logo sofrendo a política de dispersom, nos cárceres onde estivo como consequência da sua pertença ao Exercito Guerrilheiro. Para ele, converteu-se numha opçom de vida, o que foi para mim umha aprendizagem dolorosa, umha experiencia política e pessoal traumática, e me mostrou quam errada estávamos essa geraçom de jovens, e nom tam jovens, naquele caminho empreendido. A camaraderia e a amizade cambiou polos enfrontamentos pessoais, que chegarom a ser moi duros. Ele seguiu acreditando numha derrota co uso da violência, do capitalismo e o Império. Eu me afiancei no caminho da via democrática ao socialismo, na convicçom de que as guerras, as armas, a pena de morte..., devem ficar longe da acçom política e nada bo podem aportar na construçom dumha sociedade mais justa. Eis a verdadeira diferença entre os dous caminhos. Porque se poderia pensar na utopia em quanto a correlaçom de forças armadas e estruturas de poder que tem que doblegar, quem escolha o primeiro caminho, mas o caminho democrático ao socialismo, na Galiza, semelha nestes momentos igual de inalcançável. Quem é quem de conseguir aunar vontades, dar por finalizadas antigas alianças, e criar outras novas entre todos os sujeitos políticos, que estariam chamados a protagoniza-lo?

Esses sujeitos políticos, existir existem. Existem forças partidárias que acreditam no modelo socialista; existe um movimento sindical que demostrou a sua fortaleza e a sua vontade de enfrontar o neoliberalismo o passado 29S; existe um movimento labrego organizado e que conta com experiencia e alternativas para dar a batalha pola soberania alimentária; existe o movimento ecologista nas suas distintas expressons organizativas; existe o movimento feminista, plural, introduzido em diferentes sectores sociais e campos de actuaçom, junto ao movimento na defesa da identidade sexual ; hai experiencia de alternativas financieiras populares; existem expressons organizadas de espiritualidade e religiosidade non opressoras; existem plataformas de defessa dos serviços públicos, com organizaçons associadas que luitam em sectores específicos pola melhora da qualidade destes serviços; existe experiencia no papel que cumprem ante os cámbios políticos, os médios de comunicaçom monopolizadores da opiniom, fracassos acumulados no intento de contrarresta-los, e umha diversidade de iniciativas, ainda que de alcance minoritárias, de médios alternativos; existe umha rede moi ampla de organizaçons que tenhem o seu agir na defesa da Língua e a Cultura; organizaçons de defensa dos direitos civis e democráticos, incluindo os das pessoas com diversidade funcional, das pessoas migrantes...; organizaçons que reivindicam e preservam a nossa memória histórica ...

Temos os sujeitos políticos objectivamente interessados em protagonizar a construçom dum modelo socialista por vias democráticas, mas falta o lubricante que faga rodar o processo. Falta o momento da reflexom comúm que resposte a estas duas perguntas:

1ª Que modelo socialista estamos em disposiçom de compartir?

2ª Em que objectivos deixaríamos parado o nosso trem, com as contradiçons e erros que tenhamos que assumir, o tempo necessário, e cos cámbios e reajustes que se precisem, para que ninguém de esses sujeitos se apeie antes de chegar a essa hipotética meta?

Mentres os segundos e as horas deixam atrás o momento em que despedimos a Martinho no cemitério de Fene, quero ficar coa lembrança dum home que amou ao seu Povo e à sua Língua, e loitou por um mundo melhor.

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domingo, novembro 07, 2010

Golpista ecuatoriano na Galiza

Quero manifestar a minha total repulsa pola presenza na Galiza do ecuatoriano Luis Villacís Maldonado, pertencente ao Movimento Popular Democrático do Ecuador (MPD), convidado pola organizaçom MCB-Capítulo Galiza, vinculada às organizacións independentistas Primeira Linha e Nós-UP, e que vai protagonizar um acto político no Centro Social "A gentalha do Pichel" da cidade de Compostela o próximo dia 11 de Novembro. Luis Villacís Maldonado apoiou o intento de golpe de estado contra o Presidente Rafael Correa do pasado 30 de Setembro. As intençons para vir ao nosso país som claras. Pretende, baixo o paraugas de forças de esquerdas, adoctrinar à gente mais nova, com inquietudes revolucionarias, em contra dos procesos transformadores que estam a levar a cabo os países do ALBA, aos quais pertence Ecuador por decissom do governo de Rafael Correa, que mantem umha posiçom claramente antimperialista e conta co apoio de amplos sectores populares da sociedade ecuatoriana como som o Partido Comunista do Ecuador, a Juventude Comunista do Ecuador, Confederaçom de Trabalhadores do Ecuador, Confederaçom de Povos e Organizaçons Campesinas Indígenas do Ecuador, Frente Unido de Mulheres e Federación Ecuatoriana de Indígenas.

Este adoutrinamento permitirá que novos intentos de derrocar as políticas antiimperialistas dos governos do ALBA, agora via golpes de estado, como o que triunfou em Honduras, nom encontrem a solidariedade internacionalista que se precisa nestes momentos onde as forças do capitalismo concentram os seus esforços em afogar qualquer alternativa que o questione.

É hora de preguntar-se quem apoia a gira europea desta pessoa, quem lhe dá acobilho na Galiza, quais som os poderes e a ideologia que sae reforçada deste agir político; que poderes estám detrás do obxectivo de derrocar ao governo de Rafael Correa?

Nestes enlaces achega-se informaçom.

http://ccb-galiza.org/

http://primeiralinha.org/home/

http://www.kaosenlared.net/noticia/hoxhistas-pcmle-mdp-complices-insurreccion-fascista-sectores-policiale-1

http://www.youtube.com/watch?v=c1sxoEnaW84&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=aOpf82P_j3E

http://www.youtube.com/watch?v=3dsV-jsYlw8&feature=related

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domingo, outubro 24, 2010

Fum ao teu magosto

Os passos nom me queriam levar. De feito, andei às voltas pola casa, botando mais tempo do habitual nas rutinas de levantar a mesa e recolher a cozinha. Mas sabia que a hora era chegada. Tinha que assistir à minha cita com Anita. A um ano da sua morte, a família e às pessoas mais achegadas a ela,  convocavam-nos a um magosto na sua lembrança.

Um dia chuvoso, gris,  ajudava a confundir o nosso estado de ánimo. Aguardavam-nos castanhas, vinho e música, mentres a dor pola sua perda, parecia suspendida no ar segundo passavam as horas. Ao entrar no Galicia de Caranza, olhei de esguelho o seu rostro fotografado num grande vinilo que nos sorria desde o ponto mais ao longe, e nom puidem soster-lhe a mirada.

Uns segundos mais tarde a conversa coa sua nai, a calor das castanhas, e tanta criança tomando o espaço, brincando, bailando, participando na música... e tantas pessoas queridas, falando-nos, contando-nos cousas, arroupando-nos... foi enchendo de conforto pouco a pouco os nossos coraçons.  Os dedos da pequena Aldara faziam que sentiramos mais perto a magia da vida, e os olhos do Antón, nos lançavam ao futuro ao ir gravando-nos de mesa em mesa, de grupo em grupo, na sua memoria para sempre.

Forom valentes. Nom era doado acertar com o melhor jeito de viver este aniversário. Mas, Anita sabia-o, tinha a melhor gente com ela. Assim foi como nos curarom um pouco mais as nossas feridas; como, mais umha vez, recebemos máis do que demos.

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domingo, setembro 26, 2010

O direito à folga nom existe

De manhá, de tarde ou de noite, nas ruas e nas casas, nos postos de trabalho... todo o mundo participamos ou escoitamos estes días conversaçons sobre a folga que está convocada para o próximo 29 de Setembro. Nom estou a falar das horas e horas de campanha antisindical e antifolga, desenvolvidas polos medios de comunicaçom, preocupados por umha suposta violaçom do direito a ir a trabalhar, direito que se lhe nega em todo caso a mais de 220.000 na Galiza e catro milhons e médio de pessoas todos os días no estado espanhol, e por uns serviços mínimos, que ocupam o lugar que deveriam protagonizar os agentes convocantes da folga e o debate sobre a reforma laboral e das pensons, que tanto vai marcar as nossas vidas e o nosso futuro. Tampouco me estou a referir a esses tertulianos regurgitadores, na súa maioria, do prefabricado pensamento único, senom às conversas onde se discute se se vai a apoiar à folga, como se vai a organizar o día, que se opina dos sindicatos, e que esperança hai de cambiar as cousas ... porque isso sim, todo o mundo coincidimos de que a cousa pinta mal.

Se bem é certo que o meu pulsómetro de opiniom é bem reduzido, e que só se vê ampliado polas experiencias e comentários sobre outras conversaçons escoitadas pola gente que à sua vez fala comigo, vou dar o meu testemunho sobre o que levo vivido estes dias e que se condensa numha soa frase “O DEREITO À FOLGA NOM EXISTE NA MAIORÍA DOS POSTOS DE TRABALHO”, e só, a valentia e convicçom de muitos trabalhadores e trabalhadoras vai fazer possível que o 29S podam cumprir-se minimamente os objetivos de mobilizaçom.

Os tertulianos e algumhas tertulianas, todos estes días vozeavam que se os sindicatos conseguiam parar o transporte público, a folga estaria ganhada, dando a entender que era doado acadar o seu objetivo, como dicindo “assim qualquera fai umha folga geral” , quando em realidade, o destacável é que só no sector público e tamém, ainda que em menor medida, na grande empresa que concentra um número significativo de empregados e empregadas num só centro de trabalho, com comités de empresa fortes, com anos de experiencia organizativa, os trabalhadores e trabalhadoras podem ir à folga com um mínimo de garantías. No resto de empresas, quitando honrosas excepçons, a chantagem, a coacçom, o medo ao despido e às represálias, estám instaurados no dia a dia da vida dos trabalhadores e trabalhadoras.

Este é o verdadeiro termómetro democrático da sociedade que temos neste momento. A reforma laboral, a reforma das pensons, as medidas económicas... nada disto estava nos programas eleitorais dos partidos, e menos do partido que exerce no governo espanhol. Todas estas medidas forom inspiradas e exigidas por organismos internacionais (FMI, BM, Comissom Europeia...) que nunca fôrom elegidos democraticamente e nunca pugérom baixo a soberania popular a aprovaçom das suas políticas de “reajuste estrutural”.

Se preguntamos à maioria das pessoas em idade de trabalhar se quere que se aumente a idade de jubilaçom, a resposta seria maioritariamente negativa. O mesmo sucederia se se pergunta polo modelo de despedimento, polo tipo de contrato, polo salario mínimo, pola quantia das pensons, …

Outra pergunta que aclararia muito a situaçom seria a consulta sobre a banca pública, ou em que medida tenhem que aportar ao benestar social as grandes fortunas. E como essa, outras muitas que realmente fixeram aumentar a participaçom cidadá na aprovaçom de políticas públicas que tanto influem na vida e saúde das pessoas. Porque estamos falando da diferença entre viver umha vida laboral tranquila, enfrontando só os problemas que vam xurdindo dia a dia, que nom som poucos, derivados da própria atividade laboral, e o viver como se vive agora, por umha importantíssima porcentagem da classe trabalhadora, co medo ao despido, sem esperança pola escassez de emprego e aturando humilhaçons e chantagem, unido a prolongadíssimas jornadas laborais que já está tendo um efeito devastador nesta geraçom em quanto a enfermidades, acidentes e esperança de vida ...

Todo isto se desprende das conversas destes dias “se vou à folga, o xoves me chamam à oficina e dam-me o finiquito”; “agardaremos aos piquetes, fechamos e logo volvemos a abrir, isso é o que nos mandam”; “se perdo o posto de trabalho a onde vou?”; “como aqui tenhem moi difícil que poidamos vir trabalhar, obrigarom-nos moi amavelmente a colher vacacións”... Isso é o que hai, e me ratifico NOM EXISTE O DIREITO À FOLGA.

Dos sindidatos, das suas políticas, do que temos que cambiar em todos eles, nos nossos e nos que nos som alheos... hai que falar depois do 29S, agora unidade, unidade, unidade sindical fronte ao Capital.

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sábado, setembro 25, 2010

Cigana


Saudei a umha família cigana que aguardava, caída a noite, em urgências, no ambulatório de Ferrol. Chamárom à cigana máis velha, da minha idade, e mentres aguardávamos intercambiamos informaçom familiar para pôr-nos ao dia pois havia tempo que nom conversávamos. Apareceu a mulher, vestida completamente de negro, dizendo que era verdade o que ela suspeitava, tinha a tensom polas nubes. Colocárom-lhe duas pílulas debaixo da língua e mandárom-lhe aguardar. Sabiam-lhe mal, e como puído, convenceu à filha para que leva-se à mais pequena a casa. A nena tinha sono e havia que ir à escola ao día seguinte. Deu, no seu característico castelám dialectal, as indicaçons precisas. Que nom se pelee co irmao, saca-lhe ti a roupa para deitá-la, que nom a molestem ... Logo ficou soa, ao meu lado, totalmente em silenço com os seus pensamentos, apertando a boca com um pano. Pouco a pouco aquele corpo tenso começou a relaxar-se... Estás melhor? Dixem engadindo o seu nome. Ela afirmou, e começou lentamente a relatar o porque estava ali. “Já mo dixo a doutora, que che passou para vir asi? Som as preocupacións polos filhos... Desde os oito anos trabalhando... lavando a roupa que nos metíamos na auga até aqui (sinalando o vam)...logo loitando co home, fiquei viúva aos vintedous... saquei os filhos adiante...e agora querem boa ducha, boa limpeza na casa, comida... e só tenho umha paga de trescentos euros, e o meu filho, ti o conheces, como está com essa merda pom-se moi agressivo e molesta à gente ... e eu me ponho moi mal com todo isso... que já lhes digo que vaiam à marea, porque eu iria, co meu caldeirinho, mas nom podo, tenho vertigos e artrite... e é que o corpo nom aguanta mais...”

Dixérom o meu nome. Quando saim da consulta chegavam de novo a filha e a nora para recolhe-la. Saudei desexando melhoría, mas eu sabía que efectivamente aquel corpo estava rendindo-se, e ademais outra merda muito máis perigosa vai achegando-se pouco a pouco, e acavará enfermando ainda mais à sua família. Viaja desde o leste, e como umha nova peste vai avançando por Europa, mostrou já o seu rostro máis amargo em Alemanha e em Itália, agora está moi perto, na Franza de Sarkozy ... e onte, Antena 3, infectava co vírus maligno do racismo, unha sociedade que, igual que os montes que temos cheios de maleza, sem coidar, com um pequeno lume, arderá violentamente e sem remédio. E nom ponhem médios, nem orçamento, nem políticas que nos livrem del. Só para afrontá-lo, contamos co pouco de consciência, compromiso e valores de esquerda que poidam quedar em nós.

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segunda-feira, julho 12, 2010

Querem roubar-nos os filh@s outra vez



A “Lei de apoio á família e á convivência ” que aprovou o parlamento galego, vai subvertir o espírito da “Lei de Reproducçom Sexual e Reprodutiva e da Interrupçom Voluntária do Embaraço”, que regula entre outros o direito ao aborto.

O debate nom fica já só na obxecçom de conciência na sanidade pública, ou os recursos escassos a dia de hoje, em médio do processo privatizador e recortes orçamentários dos serviços públicos. Tampouco chega com falar de se estám ou nom bem protegidos os direitos das adolescentes, mesmo que casos ficariam fora da lei e teriam que seguir buscando noutros países o que aqui se lhes nega. Nem é suficiente já falar da excessiva desconfiança sobre o raciocínio das mulheres, que tantos antecedentes históricos tivo, veja-se para exemplo, os debates sobre o direito ao voto nos distintos parlamentos ou na prensa de época. Mais umha vez se exigem três dias de reflexom, umha vez que as mulheres acodem a solicitar a prestaçom. O nosso sexo é irresponsábel e irreflexivo, é por casualidade que passamos por alí, pola consulta, para solicitar nos seja practicado um aborto.

O debate e a realidade volvem ao tempo preconstitucional, por nom dizer ao franquismo. A maioria que ostenta o PP no governo galego, impom o direito do feto, sobre o direito da mulher, dando-lhe personalidade jurídica independente. Esta lei ademais abre as portas a organizaçons como Red Madre, para receber subsídios públicos e protagonizar o espaço de informaçom e formaçom às mulheres gestantes. Labor para o que estám deslegitimadas se queremos garantir a liberdade de consciência e de eleiçom que promove o marco constitucional, que o partido que governa Galiza di defender. Como pode ser que unha organizaçom que fala de que o aborto é um assassinato, e como consecuencia, as mulheres que abortamos somos assassinas, poda formar parte na elaboraçom e contido desse sobre informativo que vam receber, sei que para favorecer a reflexom que promove a Lei do aborto, as mulheres que solicitem essa prestaçom sanitária? Onde está assegurada a liberdade para eleger das mulheres? Onde está garantida a maternidade livre e responsável?

O feminismo nom nasceu para dizer-lhe às mulheres se tenhem que ser nais ou se tenhem que abortar. O feminismo conformou-se hai dous séculos como movimento social para conseguir que as mulheres recuperaramos o direito a decidir em todos os ámbitos. As organizaçons enmarcadas dentro do que se denomina o movimento Pro-Vida, tenhem um objectivo: obrigar mediante pressom psicológica às mulheres e às nenas, mesmo tenham dez anos como já se deu o caso, a que levem a termo o seu embaraço ainda que nom o desejem, ou como no caso das nenas, ainda que seja algo tam cruel.

Falando de crueldade, a lei galega pom mais de actualidade as desapariçons e raptos de nenos e nenas de famílias republicanas por parte de organizaçons que formavam parte do sistema franquista, como o Auxilio Social ou Falange. Estes casos denunciados ante o juiz Garzon, forom investigados e documentados polo historiador Ricard Vinyes. Nos cárceres, se separava às mulheres republicanas dos seus filh@s dos que nom volviam a ter noticia. As nenas em moitas ocasions eram entregadas e recluídas nos conventos, onde acabavam por renegar da sua família. Sabe-se de casos de rapto quando estas crianças eram acolhidas por famílias republicanas exiladas. O número de crianças separadas das suas famílias ascende a 12.000 segundo um informe da própria Falange Espanhola de 1949.

Os descendentes ideológicos destas organizaçons fascistas, querem apropriar-se mais umha vez das nossas crianças. Som as que agora aprovárom coa lei galega a potenciaçom da adopçom e acolhida dos filhos paridos por aquelas mulheres e nenas, que estas organizaçons vam acompanhar tam amavelmente, até que param. Justificam todo isto argumentando que tomar umha pastilha no teu centro de saúde para interromper um embaraço de poucas semanas de gestaçom, cria mais sequelas psicológicas que gestar durante nove meses, cos seus correspondentes dias e as suas correspondentes noites; passar as horas de trabalho de parto e conseguinte recuperaçom pós-parto e entregar à criança que acava de nascer a pessoas alheas. Tudo isto dim que nom coleva nengumha marca dramática na saúde mental das nenas e mulheres gestantes.

Mais umha vez nom se permite que as mulheres vivamos a maternidade como um proxecto que forma parte da nossa vida, e como outros, deve ser livremente elegido. Converte-se mais umha vez, numha penitencia que nos acompanhe ao longo da nossa existência, onde as pantasmas dos filh@s gestados e paridos, e logo entregad@s, aumentem a caricatura de nós mesmas como malas mulheres e malas nais, vitimas, ponhamo-nos como nos ponhamos, do nosso desejo sexual, que ao fim e ao cabo, assim o patriarcado deixou-no dito nas sagradas escrituras de todas as religions monoteístas e politeistas, foi a origem dos males da Humanidade.

Essas mesmas organizaçons vam ser as encargadas de inxectar no curriculum educativo a necessária formaçom nas conciencias máis jovens para educar nos valores da maternidade, nom como algo livremente elegido, senom como o túnel do medo e terror que acompanhe sempre as relacións sexuais como umha das súas inevitábeis consecuencias, ainda que prometem levar-che ao “mundo feliz” , se te deixas acompanhar de estas santas senhoras e senhores da beneficencia.

Só numha cousa tenhem razom, as mulheres com menos recursos nom podem decidir com liberdade levar a termo a súa maternidade. Tenhem também dificuldades para aceder de jeito gratuito a umha interrupçom voluntaria. Mas nom som estas organizaçons, nem os seus representantes políticos, as que vam a garantir a estas mulheres, e as mulheres em geral, umha maternidade protegida, tampouco está nesta ideia o governo galego. As políticas de recorte dos direitos sociais, a privatizaçom dos serviços públicos, as condiçons de trabalho que se formulam desde a Comissom Europeia e os organismos internacionais como o FMI e o BM, e que alimentam os mercados de especulaçom financeira, vam no caminho contrário ao que precisamos as mulheres para ter garantidos os nossos direitos.

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