segunda-feira, julho 12, 2010

Querem roubar-nos os filh@s outra vez



A “Lei de apoio á família e á convivência ” que aprovou o parlamento galego, vai subvertir o espírito da “Lei de Reproducçom Sexual e Reprodutiva e da Interrupçom Voluntária do Embaraço”, que regula entre outros o direito ao aborto.

O debate nom fica já só na obxecçom de conciência na sanidade pública, ou os recursos escassos a dia de hoje, em médio do processo privatizador e recortes orçamentários dos serviços públicos. Tampouco chega com falar de se estám ou nom bem protegidos os direitos das adolescentes, mesmo que casos ficariam fora da lei e teriam que seguir buscando noutros países o que aqui se lhes nega. Nem é suficiente já falar da excessiva desconfiança sobre o raciocínio das mulheres, que tantos antecedentes históricos tivo, veja-se para exemplo, os debates sobre o direito ao voto nos distintos parlamentos ou na prensa de época. Mais umha vez se exigem três dias de reflexom, umha vez que as mulheres acodem a solicitar a prestaçom. O nosso sexo é irresponsábel e irreflexivo, é por casualidade que passamos por alí, pola consulta, para solicitar nos seja practicado um aborto.

O debate e a realidade volvem ao tempo preconstitucional, por nom dizer ao franquismo. A maioria que ostenta o PP no governo galego, impom o direito do feto, sobre o direito da mulher, dando-lhe personalidade jurídica independente. Esta lei ademais abre as portas a organizaçons como Red Madre, para receber subsídios públicos e protagonizar o espaço de informaçom e formaçom às mulheres gestantes. Labor para o que estám deslegitimadas se queremos garantir a liberdade de consciência e de eleiçom que promove o marco constitucional, que o partido que governa Galiza di defender. Como pode ser que unha organizaçom que fala de que o aborto é um assassinato, e como consecuencia, as mulheres que abortamos somos assassinas, poda formar parte na elaboraçom e contido desse sobre informativo que vam receber, sei que para favorecer a reflexom que promove a Lei do aborto, as mulheres que solicitem essa prestaçom sanitária? Onde está assegurada a liberdade para eleger das mulheres? Onde está garantida a maternidade livre e responsável?

O feminismo nom nasceu para dizer-lhe às mulheres se tenhem que ser nais ou se tenhem que abortar. O feminismo conformou-se hai dous séculos como movimento social para conseguir que as mulheres recuperaramos o direito a decidir em todos os ámbitos. As organizaçons enmarcadas dentro do que se denomina o movimento Pro-Vida, tenhem um objectivo: obrigar mediante pressom psicológica às mulheres e às nenas, mesmo tenham dez anos como já se deu o caso, a que levem a termo o seu embaraço ainda que nom o desejem, ou como no caso das nenas, ainda que seja algo tam cruel.

Falando de crueldade, a lei galega pom mais de actualidade as desapariçons e raptos de nenos e nenas de famílias republicanas por parte de organizaçons que formavam parte do sistema franquista, como o Auxilio Social ou Falange. Estes casos denunciados ante o juiz Garzon, forom investigados e documentados polo historiador Ricard Vinyes. Nos cárceres, se separava às mulheres republicanas dos seus filh@s dos que nom volviam a ter noticia. As nenas em moitas ocasions eram entregadas e recluídas nos conventos, onde acabavam por renegar da sua família. Sabe-se de casos de rapto quando estas crianças eram acolhidas por famílias republicanas exiladas. O número de crianças separadas das suas famílias ascende a 12.000 segundo um informe da própria Falange Espanhola de 1949.

Os descendentes ideológicos destas organizaçons fascistas, querem apropriar-se mais umha vez das nossas crianças. Som as que agora aprovárom coa lei galega a potenciaçom da adopçom e acolhida dos filhos paridos por aquelas mulheres e nenas, que estas organizaçons vam acompanhar tam amavelmente, até que param. Justificam todo isto argumentando que tomar umha pastilha no teu centro de saúde para interromper um embaraço de poucas semanas de gestaçom, cria mais sequelas psicológicas que gestar durante nove meses, cos seus correspondentes dias e as suas correspondentes noites; passar as horas de trabalho de parto e conseguinte recuperaçom pós-parto e entregar à criança que acava de nascer a pessoas alheas. Tudo isto dim que nom coleva nengumha marca dramática na saúde mental das nenas e mulheres gestantes.

Mais umha vez nom se permite que as mulheres vivamos a maternidade como um proxecto que forma parte da nossa vida, e como outros, deve ser livremente elegido. Converte-se mais umha vez, numha penitencia que nos acompanhe ao longo da nossa existência, onde as pantasmas dos filh@s gestados e paridos, e logo entregad@s, aumentem a caricatura de nós mesmas como malas mulheres e malas nais, vitimas, ponhamo-nos como nos ponhamos, do nosso desejo sexual, que ao fim e ao cabo, assim o patriarcado deixou-no dito nas sagradas escrituras de todas as religions monoteístas e politeistas, foi a origem dos males da Humanidade.

Essas mesmas organizaçons vam ser as encargadas de inxectar no curriculum educativo a necessária formaçom nas conciencias máis jovens para educar nos valores da maternidade, nom como algo livremente elegido, senom como o túnel do medo e terror que acompanhe sempre as relacións sexuais como umha das súas inevitábeis consecuencias, ainda que prometem levar-che ao “mundo feliz” , se te deixas acompanhar de estas santas senhoras e senhores da beneficencia.

Só numha cousa tenhem razom, as mulheres com menos recursos nom podem decidir com liberdade levar a termo a súa maternidade. Tenhem também dificuldades para aceder de jeito gratuito a umha interrupçom voluntaria. Mas nom som estas organizaçons, nem os seus representantes políticos, as que vam a garantir a estas mulheres, e as mulheres em geral, umha maternidade protegida, tampouco está nesta ideia o governo galego. As políticas de recorte dos direitos sociais, a privatizaçom dos serviços públicos, as condiçons de trabalho que se formulam desde a Comissom Europeia e os organismos internacionais como o FMI e o BM, e que alimentam os mercados de especulaçom financeira, vam no caminho contrário ao que precisamos as mulheres para ter garantidos os nossos direitos.

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