sábado, setembro 16, 2017

Quem tem um plam?


Galiza e a sua realidade no espaço geopolítico

Reflexionar sobre o futuro da esquerda, os resultados desa reflexom, vam estar sempre marcados polas coordenadas geopolíticas do lugar onde se fai essa reflexom. Asim, hoje, aqui na Galiza podemos fazer este debate, e resulta necessário e interessante, mas resultaria de todo estranho fazé-lo em Siria, onde o Império está golpeando co útil maço do yihadismo, para levar adiante os seus planos de destruçom dos estados de medio-oriente. Está aplicando um modelo de guerras, nom para ganhá-las, senom para manté-las vivas como armas de destruçom definitiva, que deixa aos povos indefensos. Iste é o caso de  Afganistam, Irak, Libia, Yemem... Esta é também a estrategia que se quere aplicar em Venezuela, e verémo-lo co tempo, ampliado a mais países.

Mas nós vivemos nestes tempos, nessa zona de conforte, onde as guerras, co sofrimento de milhos de pessoas, nom formam parte da nossa realidade, por mais que a solidariedade, a empatia que sentimos polos povos do mundo, permita por uns segundos, por uns dias mesmo, que se nos encolha o coraçom diante de cada nova que nos chega desses territórios. Ou mesmo, que Europa experimente por segundos, a realidade das pessoas que vivem submetidas a situaçons de guerra, em forma de atentados, case sempre realizados em tempo de eleiçons ou em médio dum conflito político relevante, como é o caso de Barcelona.

Umha zona de conforte situada na área geopolítica denominada Ocidente, nom eximida de contradiçons e problemas, mesmo onde esses problemas aumentam. Porque estamos a assistir a um aumento das desigualdades; um incremento da pobreza; um recorte de liberdades; o enraizamento do patriarcado; umha perda de soberania dos estados a favor das multinacionais, e um processo de centralizaçom e uniformizaçom que afoga os anceios de soberania dos povos a quem lhes é negada.

Unha zona de conforto, mas que descobre cada dia como se degrada o seu território e como se pom em perigo a vida das especies e a saúde das pessoas, num delirante caminho cara a destruçom da vida.

Aqui pois, toca-nos reflexionar sobre o futuro da esquerda. E quero dar dous dados a respeito do nosso país que penso que podem servir para centrar-nos sobre o tipo de sociedade á que pertencemos. Som dados bem conhecidos. Por umha banda, na Galiza existe um processo de avelhentamento da povoaçom moi acusado, com um saldo vegetativo negativo que se prolonga no tempo, morremos mais dos que nascemos, ainda que temos umha esperança de vida moi alta, de mais de 85 anos no caso das mulheres.

Associemos a esses dados que as pessoas coa idade (por pura biologia), tendemos a ser menos ativas e participativas. Acrescentemos a isso que Galiza é um país de proprietários e, em menor medida, de proprietárias. Um 36% desses proprietários na Galiza, som-no  de mais de 10 bens imoveis; que hai case 250.000 vivendas que funcionam como segunda vivenda, e case dous milhos de veículos. Somemos a isso que hai máis de 300.000 vivendas baleiras; que o 61% da populaçom tem conexom a Internet e a cobertura educativa, sanitária e farmacêutica, polo de agora, cobre praticamente a toda a povoaçom.

Poderíamos estender-nos nas implicaçons que estes dados tenhem á hora de elaborar e levar adiante um projeto de transformaçom social, mas, de fazé-lo eu, nom seria moi rigorosa porque careço dum estudo sério e tam só  podo aportar intuiçons sobre o que isso supom. Intuiçons e conclusons tiradas dos anos de experiencia, e do trato e observaçom de muitas pessoas ao longo dos anos de ativismo e de vida. Só, e para resumir, atrévo-me a dizer:
- O conservadurismo na Galiza, que debe ser contrastado por um projeto da esquerda, tem umha importante base material, e nom só está vinculado à rede caciquil, à ignoráncia ou aos restos do franquismo.

- A perda de povoaçom, a maiores das situaçons criadas pola crise, é também produto do auto-ódio e papanatismo cara ao de fora. Um auto-odio e papanatismo, que padecemos e imos herdando geraçom tras geraçom. Póde-se entender assim que muita mocidade, mesmo podendo contar co apoio familiar para emprender mais de um projeto, prefira mal viver no estrangeiro.

- O país perde o seu sangue novo. Polo que conheço, só algumhas atividades económicas coma a vitivinícola, e nalgumha medida, o sector de gando de carne, conseguiram relevo geracional, mentres os sectores económicos como agricultura, pesca, sector naval, continuam desmantelando-se sem pausa. Salientar que é verdade que hai iniciativas económicas novas,como o sector relacionado coa produçom ecológica, ainda pouco significativo, que tem gente nova ao frente de múltiplos projetos que batalham todos os dias contra a grande industria alimentária.

Temos as bases para umha transiçom ao socialismo como modelo económico de raparto da riqueza


As características da Galiza permitiriam umha transiçom bastante doada a umha economía socialista. Somos um país cumhas bases econômicas onde poderiamos permitir-nos esse transito sem maiores dificuldades. Temos infraestruturas que garantizariam a educaçom, a sanidade e a vivenda. Temos povoaçom preparada, e terra, agua e mar para garantir a soberania alimentaria. Temos vivendas para garantir o direito residencial. Só haveria que recuperar desde o público sectores estratégicos como a energia, as telecomunicaçons, a banca e o transporte. Acompanhemos todo isto dumha política internacional onde busquemos alianças para garantir o aceso á tecnología e bens de equipo e temos a Galiza socialista que sonhamos. Nom está tam longe como pensamos a possibilidade dum reparto mais justo da riqueza e dum outro jeito de organizar a economia.


Novas formas de vida e interesses das geraçons post-transiçom

Hai outros dados que devemos manejar para orientar as nossas reflexons. Eu nom os vim nunca recolhidos, seguramente existam, seguramente alguém os tem estudados, ou mesmo, poda que permaneçam interessadamente ocultos, porque sabemos agora que os sociólogos converteram-se  nos grandes gurus dos partidos sistémicos.

Som dados referidos á forma de vida e interesses das geraçons post-transiçom. Umha informaçom moi valiosa, porque quem saiba conectar cos interesses das pessoas e entenda os resortes que movem o seu jeito de vida, captará o seu interesse e moverá as suas vontades.

Na minha experiencia, a saúde e a estética do corpo, a imagem pessoal, as emoçons, as relaçons sociais e o ócio, centrado sobre todo nas viagens, som, os interesses prioritários destas geraçons post-transiçom. Geraçons que tenhem um moi alto nível de autoexigencia, que vivem a formaçom, nom importa em que profissom, cumha disciplina estoica, que reflicte umha capacidade importante para realizar esforços, que antes nom se nos requeriam, máxime se todos estes esforços, nom se traduzem, na maioria dos casos em estabilidade laboral. Umha estabilidade à que já lhes figeram renunciar.

As mulheres destas geraçons sofrem umha especie de desdobramento da personalidade associado a altos níveis de stress. Tenhem que ser nais perfeitas, entrenadoras e inversoras nas carreiras cara ao estrelato das suas crianças, activas sexualmente, coidadoras, com intensas relaçons sociais, eficientes no seu trabalho e, à sua vez, monstrar-se também como  seres livres e sem ataduras que  brilham por si mesmas. Bem está que a maioria nom consegue estes objectivos. Acrescentemos entom, ao stress, a frustraçom.

Outra caraterista destas geraçons que me interessa ressaltar é a sensibilidade. Umha sensibilidade ainda nom transformada em consciência política e açom, a respeito da preservaçom do meio ambiente e dos direitos dos animais. Um dos rasgos mais diferenciadores em relaçom às geraçons anteriores, que fomos educadas na frase bíblica “ crecede e multiplicade-vos e dominade a Terra”, ainda que isso supunha estender a morte pola própria Terra.

Esa sensibilidade cara outras especies, e pola preservaçom ambiental,mesmo podería parece associada ao instinto colectivo da supervivência. Como se a nível coletivo , ou do subconsciente colectivo, estas geraçons ativassem umha alerta do perigo que como especie temos que afrontar. Porque esta vai ser umha das batalhas definitivas que estas geraçons tenhem por diante, cos desafios do cambio climático e a contaminaçom das águas e da terra.

Enquanto as geraçons anteriores, registraram antes e agora, umha alta participaçom na militáncia partidária e o associacionismo,  motivada case maioritariamente por intentar plasmar umhas ideias, melhorar e transformar a vida da comunidade, ou mesmo pola conviçom de ter que liderar e protagonizar esses cámbios, o sentimento colectivo nestas novas geraçons, passa pola peneira do principio de reciprocidade “eu dou se ti me das”, “eu dou na medida que recebo”, e a implicaçom em movimentos e associaçons é, em consequência, moi reduzida. Valora-se muito o tempo pessoal. As reunions, o trabalho político... semelha tempo perdido. Assim, ficam na política aquelas pessoas que a vem como um campo profissional, onde quem se tem que esforçar é quem vive dela. A política para quem a trabalha. A esquerda político-institucional passou a ser, para os olhos da maioria social, umha alternativa profissional que, no caso da esquerda, vai fazer às instituiçons “o que se poda”.

Nom vou cair na soberbia, nem na ignoráncia, de valorar do mesmo jeito a todas as pessoas que se comprometem para fazer política de esquerdas desde as instituiçons, nem negar o compromisso transformador de muitas delas, mas a visom geral que se tem é ista. Eu compartilho responsabilidades. Isto é o que conseguimos co caminho andado até agora. O caminho institucional converteu-se numha agencia de colocaçom , e  o PP é o paradigma do que falo. Foi o partido que conseguiu, depois das crises do Prestige e da Guerra do Irak, umha renovaçom geracional sem precedentes, porque claramente oferecia um posto de trabalho e umha oportunidade para medrar económica e socialmente. A maiores, gera umha ocupaçom indireta significativa, mesmo se temos em conta que moitas pessoas, muita rapazada também, o seu primeiro contato coa política som os 150€ que o PP lhes paga por ser interventores nas mesas eleitorais. Temos que reconhecer que a todo isto ajuda desde logo o participar no chamado “jogo político”, coas cartas marcadas. Os jeitos da mafia som moi efetivos.

Mentres, a esquerda partidária tinha e tem grandes dificuldades para conseguir participaçom, porque as expectativas sempre som moi limitadas, “saem poucos da lista e nom se cria trabalho indireto”. Começa mesmo a ser moi habitual que rematado um processo eleitoral, os e as candidatáveis nom elegidas, aleguem falta de tempo para continuar coa atividade na organizaçom ou nos movimentos sociais onde se lhes convida a participar.

Cumpre também encontrar as razons polas que concelhos onde se tem aplicado políticas de esquerda ao longo dos últimos anos, onde se melhoraram as infraestruturas, o desenvolvimento económico e cultural, onde se dam melhores serviços, onde as instituiçons estam governadas por pessoas honradas e singelas, o Partido Popular segue a ser o mais votado nas convocatórias que nom som eleiçons municipais. É o caso de Allariz, Sam Sadurninho, e seguramente outros que nom alcanço a conhecer tam bem. Hai que perguntar-se por quê, as nossas políticas nom alcançam a transformar o pensamento colectivo. Porque a esquerda, nom é mais infraestruturas, melhores serviços, boa gestom... A esquerda é o pensamento e a vontade colectiva de preservar o bem comum, de transformar a realidade para acadar maiores cotas de bem-estar para as pessoas e as suas comunidades, de construir modelos de governança local e mundial baseados nos valores da liberdade, a igualdade e o respeito à diversidade. As políticas que temos que implementar, devem estar logo orientadas para fazer hegemónico esse pensamento e unir o maior número de vontades para conseguir esses objectivo.


O impulso para os cámbios sempre vem da maioria organizada


Os Movimentos Sociais na Galiza nom passam polo seu melhor momento. As razons penso, quedaram enumeradas no apartado anterior (envelhecimento da povoaçom, interesses e formas de vida diferentes das novas geraçons…), porque ser, som mais necessários que nunca.

O movimento sindical perdeu cotas moi altas de confiança e sofre as consequências dunha profissionalizaçom das suas direçons que o levam, na maioria dos casos, a ser meras gestorias de despedimentos e expedientes de regulaçom ou liquidaçom de empresas.

Seguem tendo reconhecimento social o Feminismo e o Ecologismo. O primeiro porque os  seus logros som patentes, e mesmo para as novas geraçons, é patente também a necessidade de luitar por defender esses logros e aumenta-los. Ademais, conseguiu um tímido, ainda que constante relevo geracional, com cámbios no discurso e nas formas de ativismo. O segundo, o Ecologismo, porque se ajusta á sensibilidade incipiente das novas geraçons com todo o que tem a ver coa defensa dos animais e o planeta, e porque consegue associar o ativismo com a pratica dum ócio alternativo.

A historia ensina-nos que as necessidades e sobre todo as demandas da sociedade organizada, cristalizam em movimentos sociais e políticos que a sua vez produzem os cámbios reais, bem a través de cámbios institucionais, ou bem destruindo as instituçons caducas e dando passo a novas instituçons e formas de governo.

Na Galiza cumpre investir muita energia na organizaçom social, incorporando os cámbios nesses processos organizativos, que permitam a participaçom das novas geraçons, cos seus jeitos e interesses. Isto é totalmente necessário e condiçom sine qua non para que a participaçom nas instituçons reflita e permita transformaçons do sistema político-económico.

Dessa energia e desses processos sairam os novos liderados.


Os caminhos andados, de éxito ao fracasso, do fracasso ao éxito

Moi rapidamente sinalar, a groso modo, quais forom os caminhos andados nos últimos tempos. Queria sinalar dous momentos onde estivemos moi perto de conseguir que algo cambia-se:

- Em primeiro lugar na crise do Prestige. Moita gente na rua mobilizando-se durante meses, combinando ativismo, critica política, superando ao estado na responsabilidade de recuperar as zonas afetadas… Todo um capital humano e político que cristalizou num segundo movimento “Hai que botá-los” e que propiciou um governo bipartito. Mas este governo,  governou, salvo exceçons, de costas aos movimentos que o pariram e se permitiu cumplicidades co poder econômico e mediático que o destruirom.

- Em segundo lugar, o impulso político retomado coa irrupçom de Age, que bebia diretamente dos processos internacionais da nova esquerda altermundista e do 15M. Um novo discurso que propunha um processo constituinte, horizontalidade, transparência, participaçom,…., e que foi criando frustraçom na medida em que nom existia coerência entre o discurso e a acçom; que nom conseguiu superar o maior obstáculo da esquerda, a necessidade da unidade. Na Galiza sempre falta algumha pata quando se quer construir umha mesa. Um projeto, que na sua última expressom, frustrou, baixo o meu ponto de vista, as aspiraçons que puséramos nela moitas pessoas, porque estava chamada a ser a nova representaçom nacional nas instituçons espanholas. O caminho presenta-se incerto.


Construçom, destruçom. Responsabilidades na liquidaçom do capital humano e político que nos pertence

Cumpre sinalar, a responsabilidade que existe no processo de  liquidaçom da herdança depositada nas organizaçons políticas e sociais por milheiros de pessoas que dedicaram, tempo e esforço para erguer expressons organizadas da esquerda na Galiza. Um processo levado adiante por pessoas e interesses que desde a acomodaçom e o exercício das ridículas cotas de poder, mas poder a fim de contas, que existem dentro das organizaçons, criaram divissom, frustaçom e cansaço.

Nom quero esquecer, a parte que lhe corresponde nesse processo de liquidaçom,  aos esforços levados adiante por parte dos serviços de inteligencia do estado. Instituiçons moi ativas, ao serviço dos interesses da preservaçom do sistema, que intentam controlar e minar os movimentos e associaçons alternativos. Esta atividade e estas instituiçons, deveram ter algúm interesse para a esquerda, pola conta que nos tem, e investigar e analisar as suas estrategias, ou quando menos ser conscientes de que existem.

A herdança é valiosa, nom podemos destragá-la.


Um plano para Galiza, um plano para o cambio económico e social

Dim que hai que fazer moitas cousas porque algumha sairá bem. Também dim que os éxitos venhem dum longo caminho de ensaio e error. Eu digo que na Galiza hai umha visom minifundiária das estrategias. Que desde a esquerda neste país, soesse confundir a naçom coa organizaçom, e como tal, as estrategias fracaram, porque nom se pensa a longo praço. Cumpre pensar como definir esse obxectivo comum de efeito multiplicador que permita a recuperaçom da soberania nacional. Porque é vital multiplicar o efeito de miles de acçons que muitas organizaçons e coleitivos estam a realizar,  e mostrar um poder constituinte em formaçom.

Em muitas ocasions,  as iniciativas políticas na Galiza semelham secundar as iniciativas ou processos que se estam a dar noutras naçons do estado. Se em Catalunya questionam o Concerto Económico, nós também. Se em Euskalerria elaboram o discurso de mais competências, nós também. Mesmo os processos de luita armada que se deram neste país, tiveram umha grande dose de mimetismo. E nestes últimos anos, intuímos um hipotético processo constituinte no estado, e aló fomos, a aproveitar as sinerxias a ver como nos ia…,e foi-nos mal. Erramos na analise. A realidade monstra um novo cenário onde a possibilidade de ruptura democrática, de processo constituinte, esta a dar-se em Catalunya, cumha resposta muito autoritária e repressiva por parte do estado, e umha possiçom nada rupturista, por parte de quem íam ser os nossos companheiros de viagem constituinte.

Se quadra, por ser umha naçom diferente, há ser algo diferente o nosso processo político. Mas sabemos que quando temos um problema temos que ir na busca da soluçom, quando estamos ante um perigo ou ameaça, imos buscar como defender-nos. Assim, levámo-lo fazendo ao longo de muitos séculos nesta velha naçom Europea, marcada no seu adn por múltiples fracassos. Polo tanto ergueremo-nos para construir o que precisamos, as novas geraçons também o faram, ao seu jeito.

Se fomos o primeiro reino suevo; fixemos a primeira revoluçom europeia contra o poder feudal; construímos a primeira resposta de masas contra umha agressom medioambiental como no caso do Prestige, ninguém pode negar-nos a possibilidade de que sexamos num futuro próximo, a primeira república socialista do noroeste europeo. A República Socialista da Galiza, garante da vida e da defesa do território. 

Como conclusom e para finalizar:

Para reflexionar sobre o futuro da esquerda, nom podemos esquecer a situaçom da Galiza na zona de conforto que o Império limitou, fronte a destruçom por guerras permanentes, de extensos territórios da periferia do Império.

Na Galiza hai umhas geraçons chamadas a conformar o projeto da esquerda do século XXI que tenhem formas de vida e interesses diferentes e precisam espaços de ensaio e error para levar adiante esse projeto.

Umhas geraçons que tenhem que dar a batalha na defensa do território, e fazer hegemónico um novo modelo humano nom depredador, que preserve a vida no planeta.


Nota.-
Intervençom na jornada de reflexom e coloquio celebrado o 15 de setembro de 2017, na Facultade de Filosofía de Compostela, sobre os desafíos aos que se enfronta a esquerda a nivel mundial. O acto foi organizado pola eurodeputada galega Lídia Senra, integrada no Grupo Confederal da Esquerda Unitaria Europea/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL), onde ademais da participación da propia diputada, presentou o compañeiro David Rodríguez (O Funambulista Coxo); e interviron também  o sociólogo portorriqueño, membro fundador de Europa Decolonial, Ramón Grosfoguel; a Comandante Guerrilleira nicaragüense, presidenta tamén da Fundación Popol Na, Mónica Baltodano; ou a activista do Movemento Autónomo de Mulleres de Nicaragua e integrante do Foro de Mulleres para a integración centroamericana e do Caribe, Haydee Castillo. +info.
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domingo, março 05, 2017

Em guerra...




As mans que estam a jogar no taboleiro da guerra, venhem de mover ficha na Suécia. O serviço militar obrigatório volve instaurar-se, dis que por sentir a ameaça rusa. Tramp anúncia um incremento no gasto militar e China fai o mesmo. A extrema direita avança em Europa, essa que nom lhe fai noxo a bombardear povos, levantar muros, recluir migrantes… O jogo da guerra, que percebemos periférico, aumenta a sua intensidade e cada dia cheiramos mais perto a pólvora.

Mas hai outra guerra coa que convivemos e nom percebemos como tal, onde aparecem todos os elementos que a definem, armas, corpos e vidas destroçados, campos de refúgio, exílio, terror…, assim no-lo ensinou a inesquecível Begonha Caamanho num artigo aparecido no semanário A Nosa Terra na década dos 90. Esta guerra, é a reacçom violenta do Patriarcado contra as mulheres que o estam a destruir.

A propaganda de guerra, passeou estes dias um autobús por Madrid para lembrar que a liberdade nom é possível; a nova arma química, a burundanga, demostrou estas semanas no campo de batalha, a sua eficácia para as violaçons, e a explosom provocada por um comando suicida unipessoal acabou coa vida de María José Mateo García em Redondela. Os partes de guerra a diário falam de vítimas mortais e lesons infringidas polo patriarcado e o seu braço armado, a violência machista.

Ninguém sabe com certeza onde está o final do conflito, mas é seguro que miles de combatentes somam-se dia a dia ao exército insurgente que loita contra o Patriarcado. Por cada umha abatida no combate pola liberdade, miles se alçam empoderando-se, reivindicando os seus corpos e às suas mentes. Por cada combatente caída, miles de territórios se conquistam para a liberdade. Imos vê-lo este 8 de Março. Veredes-las polas ruas e cidades do mundo, marchando imparáveis, pelejando cada espaço, cada casa, cada cama, na conquista da liberdade.

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Patriarcal inverno


Passou inadvertida. Mentres todos os chíos falavam da tua morte, das circunstancias trágicas que remataram contigo, aquilo passou coma se nada. Nom perceberam o anuncio da morte, de mais mortes. Ao redor da tua, umha e mil razons para afirmar que se podia previr. Ao melhor a ti nom te matou o machismo. Ao melhor a ti matou-te o abandono das famílias com problemas de saúde mental. Ao melhor a ti matou-te a soidade na luita contra a loucura... Mas na hora da tua morte, mais mortes se anunciavam. O FMI, exigia mais recortes em Sanidade e em Educaçom. Eram novas sentenças de morte, e nada semelha cambiar no patriarcal inverno.

Virginia Ferradas foi assassinada polo seu home o 29 de xaneiro de 2017 em Carbalhinho.

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domingo, julho 10, 2016

Interessam os votos do PP?

Lendo o artigo de Manuel Veiga Taboada, "Por que votei PP", publicado em Sermos Galiza, animo-me a reflexionar em voz alta sobre o que leva acontecido nas últimas semanas. Eu também conheço a votantes do PP, na família, no bairro, no trabalho… A argumentaçom do voto é moi ampla. Sinalar tam só umha que me resultou curiosa. Dizia um home entrado em anos que os do PP eram gente de “cartos” e polo tanto eram os únicos que poderiam trazer dinheiro a Espanha, desconhecendo esse home que o movimento de capitais era um acertado atributo ás élites económicas e políticas vinculadas ao PP, mas a direcçom desse movimento ía cara os paraísos fiscais, como intuíamos hai muito tempo, e como conhecemos e confirmamos nos últimos anos. Mas isso importa? Está aí o trabalho das forças de esquerda que pretendam desalojar a este partido de grupos corrompidos e corruptores?

No caso das eleiçons espanholas, o PP conseguiu 7.906.185 votos. Um 33% dos votos emitidos, más só um 21,6% dos 36.518.100 de pessoas com direito a voto. As pessoas que votam ao PP, ainda que chovam chuzos de ponta, vam seguir votando a curto e médio prazo ao PP, mas som minoria.  Frente a esses quase 8  milhos de votos do PP, o resto de forças sumam 15.191.608, um 41,6% das pessoas com direito a voto. Ainda assim, seguimos admitindo a imagem de hegemónico e invicto do PP, e crendo-nos que às comunidades às que pertencemos, som conservadoras e reaccionárias, que nom pensam no bem comúm, que hai corrupçom e pouco ou nada que fazer.

Algum que outro gráfico devera aparecer também nos médios para que a gente puderamos visualizar esta realidade comparando dados da últimas eleiçons gerais do 26J.

Qual deve ser a prioridade logo das forças transformadoras? Olhando esse gráfico, está claro que vai ser fazer-se criveis, organizar e mobilizar a porcentagem que lhes corresponde do 42% e ganhar a confiança  desse 37% que nom vota, vota em branco ou nulo.

Estamos às portas das eleiçons ao Parlamento galego. O PP vai dando muitas pistas do que quere a gente, sobre todo esse 37%. Só escoitando a pre-campanha do Partido Popular poderíamos fazer umha das guias de campanha eleitoral mais eficaces a aplicar nesta ocasom: a desuniom, a mala gestom e paralise das instituiçons que nom estam governadas por eles, e o éxito das políticas de austeridade. Eis os argumentos a desmontar. O problema é que hai que desmonta-los com feitos, porque esse 37% nom se mobiliza só com discursos.



E logo está a politica de gestos. O PP diz que vai andar todas as vilas do país cum banquinho para que se sente Nuñez Feijoo a escuitar à gente. A TVG, esse grande aparato de propaganda ao serviço do conservadorismo, do integrismo religiosos e do PP, já emitiu essas imagens de Feijoo escuitando á gente sentado num humilde banquinho. Grandes simuladores estes propagandistas do PP! As forças transformadoras perderam a oportunidade dum grande e simbólico gesto, onde a maioria veríamos com claridade a vontade de ser diferentes, de fazer as cousas doutro jeito, proclamando que nom se iam cobrar os 8.000 euros, liquidaçom claramente escandalosa aos olhos da maioria.

O governo em funçons vem de publicar no BOE as novas autorizaçons para Reganosa, com trámite de urgência, passando mais umha vez por riba da legalidade que pretendeu fazer cumprir o próprio Tribunal Supremo, em três sentenças favoráveis ao Comité Cidadá de Emerxencia da Ria de Ferrol. A actuaçom criminosa desta minoria é insuportável. Por isso precisam envolve-la em mantos de névoa de maiorias que nom som tal. Ventos de unidade e coherência podem levantar essa névoa.

Ferrol, 10 de Julho de 2016

terça-feira, abril 12, 2016

Coraçom livre


Umha, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez vezes que botaste a voar; onze, doze, treze, catorze, quinze, dezasseis, dezassete, dezoito, dezanove, vinte vezes que caíste, equivocaste o caminho e começaste de novo; vinte e umha, vinte e duas, vinte e três, vinte e quatro anos vividos intensamente, case engolidos; vinte e cinco, vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove, trinta vezes nas que pensaste dar um giro à tua vida; trinta e umha, trinta e duas, trinta e três, trinta e quatro, trinta e cinco, trinta e seis, trinta e sete, trinta e oito, trinta e nove vezes que te arrependeste daquela viagem; quarenta, quarenta e umha, quarenta e duas, quarenta e três, quarenta e quatro, quarenta e cinco vezes ressoando aquela pergunta na tua cabeça “moça, a ti maltratam-te?”, quarenta e seis, quarenta e sete, quarenta e oito, quarenta e nove, cinquenta segundos que tardaram em guardar a carpeta daquela denúncia; cinquenta e umha..., cinquenta e duas..., cinquenta e três..., cinquenta e quatro..., cinquenta e cinco..., cinquenta e seis punhadas pararam o teu coraçom livre.

Tatiana Vázquez  foi assassinada em Castro de Rei o sábado 9 de Abril de 2016

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domingo, fevereiro 14, 2016

A caça

Sam Valentim e as trampas do amor, do amor-morte. Trampas mortais. Porque ti só lhe concederas falar, falar mais umha vez. Falar, “que nom fai mal a ninguém”, e ali tinhas aos teus filhos, por se passava algo... As trampas do amor, as trampas do amor-tramposo. Depois do duro que foi cair na conta de que te equivocaras, mais outra vez, as trampas do amor-veleno. E ti só querias estar bem, sentir-te bem, amor-seguro, amor-confiança, amor-apoio, amor-cumplicidade, amor-livre...

Agora se laiam? Laiam-se os ouvidos que ouvirom? As mentes que pensarom? Laiam-se as linguas que nom che advertirom? Os braços que nom te protegerom? Os corpos que nom o impedirom? As mentes que sabiam que ia passar e nom o impedirom? Laiam-se ou vam lamber as feridas dos teus filhos? Laiam-se ou miram de esguelho o teu corpo rebentado, mentres em Becerreá ainda soam os golpes de tambor da caça?

Ana Gómez foi assassinada em Becerreá o 11 de Fevereiro de 2016

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sábado, janeiro 30, 2016

Na encruzilhada

Ninguém nega já que o feminismo logra estar presente na agenda política, e vai ficar por muito tempo. Na passada campanha a maioria das formaçons políticas esforçaram-se por apresentar uns programas onde a violência machista, a concialiaçom da vida familiar e laboral, os serviços de cuidados e a dependência, tiveram um lugar destacado, ainda sabendo que muitas dessas promessas ficariam em muitos casos, no caixom dos distintos ministérios, se ninguém se lembrava de reclamar a sua execuçom em políticas reais.

Mas o feminismo é teimado e aparece e reaparece na palestra pública, seja para restar votos ao partido Ciudadanos, quando questiona a existência da violência machista, ou para protagonizar a abertura do Congresso da mam da imagem de Carolina Bescansa aleitando ao seu bebe. Todo um acontecimento mediático que desatou um massivo debate social sobre a conciliaçom, hoje por hoje, quase impossível de acadar para a maioria, entre vida laboral e familiar.

Numhas novas coordenadas mundiais, onde a geopolítica volve substituir o que foram tímidos começos de relaçons internacionais baseadas na cooperaçom, o poder hegemónico descobre no feminismo umha fonte de argumentário moi útil para justificar, paradoxalmente!, políticas reaccionárias e de fundo carácter patriarcal. O último exemplo teria-mo-lo nas agressons sexuais sofridas por centos de mulheres na Alemanha, justificando as políticas contra os direitos humanos das pessoas refugiadas da guerra, aprovadas ao dia seguinte polo governo deste país.

O feminismo na Europa, semelha estar na encruzilhada na que sempre se lhe situou no passado século em tempos pre-bélicos. Dum lado, apresenta-se-lhe umha política europeia, austericida, virada claramente à actividade bélica em muitas regions de África e Oriente Médio; umha política de portas fechadas à imigraçom ou à acolhida de pessoas refugiadas; umha política de recortes de direitos e liberdades e de domínio absoluto dos poderes financeiros e das grandes corporaçons económicas, onde as mulheres vem agrilhoadas as suas condiçons de vida e obstaculizado o seu caminho cara à igualdade. Por outra banda, a ameaça do aumento da patriarcalizaçom da sociedade, co avance da influência de regimes e movimentos políticos e armados, que instauram nos territórios que dominam a plena submissom das mulheres e nenas. Os atentados em cham europeio por parte destas organizaçons cumpririam um duplo objectivo de instaurar o medo e dobregar resistências a políticas de recortes de liberdades a prol da “seguridade”. Mentres, o regime turco, amigo e colaborador da Europa da Troika, assassina feministas curdas que como muitas outras pessoas de bem, levam resistindo nos seus territórios, as políticas de expansom e exploraçom dos recursos, e regimes e organizaçons de integrismos vários.

Para sair com bem desta encruzilhada, as feministas europeias estam chamadas a realizar duas tarefas primordiais. Por umha banda criar redes de apoio, aumentando a sua influencia entre os movimentos sociais e partidos políticos que loitam por transformar a contorna europeia, e por outra parte afinar o seu discurso para minimizar as gretas por onde os inimigos das mulheres podam inferir danos irreparáveis. Ambas as duas tarefas som necessariamente complementares.

Em quanto a esta segunda tarefa, as feministas europeias devem concretizar mais o seu discurso sobre a interculturalidade, que afronte sem tabus os problemas associados à imigraçom ou às pessoas refugiadas em território europeio. Hai experiências que se devem dar a conhecer para valorar no seu alcance e objectivos, caso da iniciativa de Alternativas à Violência em Noruega.

No estado espanhol, as feministas, depois de ter livrado umha dura batalha contra o recorte do direito ao aborto, tenhem colocado a violência machista no primeiro lugar das suas prioridades: o feminicídio é umha realidade que irrompe nos noticiários um dia sim e outro também. A Contrarreforma constituída polas forças políticas reaccionárias e neoconservadoras, as instituçons das distintas religions com presença no estado e umha parte moi activa e beligerante do poder judicial, levam um tempo aplicando com bastante éxito um contra-discurso baseado na existência de denúncias falsas ou da manipulaçom das instituçons e das leis por parte do lobby feminista.

A inclusom dos nomes de varons vitimas de violência machista; a realizaçom de experiências educativas que demostram avanços quantificáveis em igualdade em povoaçons moi novas; a colaboraçom estreita entre universidade e movimento, ou a asignaçom de recursos para programas de igualdade desde as instituçons governadas polas forças transformadoras, e muitas mais iniciativas, podem conseguir ampliar a hegemonia que o feminismo está a ter na sociedade, nom sem problemas, nom sem vitimas, que o som, nom o esqueçamos, por exercer o direito a decidir, exercer a liberdade. Construir essa sociedade compactada ao redor dos valores feministas, é a maior garantia de fortaleza contra da ameaça da oligarquia financeira e belicosa, e dos integrismos.

Caranza, Janeiro 2016
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quinta-feira, janeiro 14, 2016

Erades companheiras

Agora sei o motivo polo que ti Marina, nom querias utilizar as palavras que puderam sair dos meus dedos para enlaçar-te na longa ringleira que formais todas vós, neste Feminicídio, reconvertido neste sítio, em Santa Companha que nos interpela aló onde imos, para sentir-mo-nos ainda mais ocas de palavras e de ideias suficientes para dar-vos justiça e acougo, e pôr definitivamente o último elo nesta grande cadeia.

Nom querias começar a andar porque che faltava ela, Caridad. O 29 de Dezembro o vento soprou para as duas, dumha esquina a outra do país, de Narom a Mos. O seu corpo e o teu. O teu sangue e o dela. O ruído do teu corpo roto e o ruído batendo do coraçom dela, até apagar-se, coma o teu. O 29 de Dezembro fostes duas, a um tempo. O 29 fizestes-vos companheiras.

Nos rueiros e caminhos de Narom escoitam-se frases de alivio. A tinta do jornal fala do golpe mitigado na povoaçom ao constatar que ninguém de fora vinhera fazer o mal. Paradoxa! O mal está dentro, e tam enraizado entre nós, que semelha que é menos mal que outros afastados ou alheios.

* Caridad Pérez Calderón (Narón) e Marina Rodríguez Barciela (Mos) forom assassinadas o 29 de dezembro de 2015.

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