Segunda-feira, Junho 01, 2009

Doutor George Tiller, in memorian


Na Praça da Quintana um arrebato de sino recibia às feministas que nos concentravamos hoje ali para reivindicar o direito ao aborto. Convocadas pola Marcha Mundial das Mulheres, confeccionamos umha tapete floral e um maio, para somar-nos à celebraçom da primavera, e portanto à celebraçom da fecundidade, justo para dizer que essa fecundidade tinha que ser vivida em liberdade. Com o lema "eu decido", reivindicamos o direito ao aborto livre e gratuito na sanidade pública.

Foi na Praça da Quintana, nom, como me sugeria um jornalista, como resposta à campanha antiaborto da Conferência Episcopal, senom porque a Quintana é umha praça que pertence à cidadania, e como tal foi testemunha histórica de reivindicaçons de direitos cívicos, e nós, as mulheres convocadas ali pola Marcha Mundial, queremos que o aborto seja um direito reconhecido pola cidadania e garantido polas instituiçons que a representam.

O dia nom rematou como começou. No canal de Euronews sentenciavam cum tremendo titular a um médico de Wichita -Kansas- "Este homem nom voltará fazer abortos". Trata-se dum médico estadounidense que acava de ser assassinado quando acudia a um oficio religioso numha igreja luterana. O seu delito, praticar abortos depois da semana 21. A sua clínica fora atacada em várias ocassons com anterioridade. El mesmo recebera anteriormente disparos. Assim deste jeito quitarom-lhe a vida os integristas machistas.

Quero escrever e pronunciar o seu nome, doutor George Tiller, doutor George Tiller... Na rede podemos encontrar algumha das suas declaraçons, "o aborto é um tema tam controversial como a escravatura, ou a época da proibiçom do consumo de alcool em Estados Unidos", "tráta-se de dar opçons a umha mulher quando se lidia com tecnologia que pode diagnosticar anormalidades num feto","as provas prenatais sem opçons prenatais som um fraude médico".

Estou convencida que esta orda antiabortista som como o nazismo. Vam filtrando pouco a pouco o seu ódio às mulheres que nom se somentem à sua moral e aos homens que as apoiam. O mesmo que os nazistas culpavam de assassinatos atrozes e de todos os males a judeus, ciganos, homossexuais, militantes de esquerda, ... para converter-se no grande monstruo que acavou com a vida de mais de 40 milhons de pessoas em Europa.

A dor polo assassinato do doutor George Tiller, vem somar-se agora à dor pola morte de milheiros de mulheres no planeta por aborto praticado em condiçons de risco.
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Sexta-feira, Maio 22, 2009

Falta dinheiro no meu sindicato


Hoje os meios de comunicaçom informarám à opinom pública de que faltam muitos miles de euros das contas da CIG em Ferrol. Muitas pessoas conheciamos esta situaçom desde hai uns meses, causada por umha ludopatia do responsável de finanças.

Em todas as organizaçons polas que passei ou nas que participo na actualidade, as finanças som o morto co que ninguém quer carregar. Um trabalho ingrato que precisa de muita dedicaçom e constáncia.

Entre companheiras e companheiros a confiança é fundamental, mas esta nom é a primeira experiência deste tipo. Por isso o controlo democrático das finanças fai-se fundamental nas organizaçons sociais, e a ninguém lhe deve sentar mal que assim se lhe controle. E por suposto, esse momento em todas as reunions onde se passa a informaçom sobre o estado das contas da organizaçom, deve ocupar o lugar que lhe corresponde, fazendo um esforço, de transparência e responsabilidade. É o mesmo que o dinheiro público. Som cartos das organizaçons, som cartos do povo organizado. No caso do meu sindicato, som cartos da classe obreira organizada. Som intocáveis!

Haverá que mudar muitas coisas, pedir responsabilidades e mudar jeitos de trabalho ou modelos organizativos, mas o que me inquieta do que vai ocorrer quando a notícia saia na imprensa, é desconhezer o interesse que persegue esse grupo de pessoas com bastante representatividade na CIG, que brinda às empresas mediáticas, informaçom fazilmente manipulável, dumha situaçom interna que só compete à CIG e à justiça.Porque os congresos se ganham nas asembleias e na acçom sindical, nom coa tinta envelenada dalgúns jornais.

E que tudo isto suceda justo no momento no que os companheiros e companheiras do metal em Vigo, estám recebendo, também por parte dessas empresas mediáticas, um dos mais virulentos ataques contra o sindicalismo, e em concreto contra da CIG, dos últimos tempos. Estám botando mais lenha ao lume. Para que arda quem?
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Segunda-feira, Maio 18, 2009

Como no Prestige


Foi como umha grande maré de chapapote batendo contra as costas. Foi outra vez ver a vida ameaçada pola dominaçom, a incompetência e o ódio. Coma no Prestige.

Sabiam as gentes que querem arredar a nossa Língua de nós, que como dizia Ramón Piñeiro, a Língua é a alma dum povo?

Sabiam estas gentes quando começaram umha nova cruzada contra o galego, que a nossa poeta nacional ensinou-nos a reagir "qual loba doente e ferida"?

Sabiam estes infelizes que Celso Emilio ensinou-nos que a nossa Língua nom "pode apartar-se de todos os que sofrem neste mundo"?

Por isso as mentiras, as aldrages, as ameaças, as reservas onde nos querem meter, forom como as marés do Prestige, petarom na alma do nosso povo e botou-se à rua. Como no Prestige, baixo a chuvia, baixo umha imensa maré de guarda-chuvas.

Alí estavamos, tam diferentes, tam cada quem da sua casa, mas co mesmo pulso, co mesmo alento para sentirmo-nos dum povo, o nosso, que hoje saiu a defender-se.

E eu estivem alí, e fum umha das privilegiadas que escoitou o alalá de Mercedes Peón, saindo atávico, para petar-nos na alma e na consciência e viver uns dos momentos mais emotivos da jornada. Sempre em Galiza, sempre em galego.
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Sexta-feira, Abril 10, 2009

A minha neta di “to”

Às vezes a realidade explica-se muito melhor coas anedotas. Entendemo-la com pequenos exemplos, que nos chegam mais, que as profundas análises e os sesudos estudos e investigaçons, que sendo totalmente imprescindíveis, em ocasons tornam-se inúteis para entender e transmitir as sensaçons e sentimentos que emanam dessa mesma realidade. Como explicar senom a profunda soidade, a exclusom, a sensaçom de desterro, que as pessoas galego falantes sentimos na nossa cidade? Pois, velai vai um chisco desta magoante realidade.

Hai uns dias um dos meus filhos baixou a um dos parques do bairro coa minha neta de dous anos. Tem-lhe que ajudar a subir aos jogos que para ela, som gigantes a conquistar com muito esforço. Outro neno tinha também dificuldade e o meu filho ofereceu-lhe ajuda. Ao pouco o neno correu junto à sua nai para contar-lhe a sua grande descoberta “mamá , mamá, um señor galego!”.

Ao dia seguinte, a minha neta acompanhada polo seu avó, jogava num parque do centro da cidade. Ocorreu do mesmo jeito, mas, podede-lo crer porque sucedeu de certo, nesta ocassom, este outro neno dixo “ mamá, mamá, un señor rural!”.

É por isso que som como a vida as palavras “cham”, “lume”, “cam”.. que a minha neta, no seu ensaio continuo coa fala, vai pronunciando nesse maravilhoso jeito de abrir-se ao mundo. Vai botando-as ao ar, como frágiles bolhas de sabom. Essas palavras vam molhando esta terra malferida da nossa identidade, e som vida, e som alento, e nos reconhecemos nelas.

Nom, nom remata aqui o conto. Porque também sentimos laiar a ferida aberta, cada vez que ela di “to”. “Como dis?” “ Eu”. “Moi bem!” E haverá quem pense que é imposiçom.
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Quarta-feira, Março 18, 2009

Umha campanha na rede com olhada violeta para os linces e os bebes

Muitas vezes um pequeno cámbio na linguagem provoca um enfoque diferente ou radicalmente oposto. Isso é o que sucede ao feminizar os linces da Conferencia Episcopal ou quando cambiamos a palavra sacerdote por sacerdotisa.

As linces responden aos bispos

SUMATE À CAMPANHA E ENGADE O LOGO D'AS LINCES AO TEU BLOG, A TUA WEB, AO TEU PERFIL NA REDE SOCIAL, ...

Esta é umha convocatória para que hoje Quarta-Feira [Mércores] 18 DE MARÇO, nos nossos blogs, perfís de facebook, twitter, ... sumemo-nos e de-mos umha resposta contundente aos bispos.

Se tés um blogue ou umha web coloca o logo, escreve umha nota de resposta à campanha da igrexa junto ao logo dos Linces que hai junto a este texto ... se tés algúm perfil dalgumha rede social, substitúe a tua foto manhá quarta-feira co logo d'As Linces.

Eles podem pagar valos publicitarios, pero nós temos a rede.

Se te sumas à campanha, envia umha mensagem coa direcçom da tua blogue, ou da tua web a laslinces@gmail.com

Temos moito que dizer, na defensa dos direitos de cidadania, e faremo-nos escoitar. ;-)

Quen som "As Linces"?

As Linces somos Todas e Todos !!

Deixa um comentário com ligaçom à tua nota en blog, o teu perfil de twitter, o teu perfil de facebook ...

Podes somar-te à Causa aberta en Facebook

Enlace co Blogue d'As Linces
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Aborto, questom de igualdade

Hai quem nos quere fazer retroceder ao pior do século XIX. Hai poucos meses luitando contra a Lei de Igualdade, ou contra umha asignatura que intenta explicar direitos fundamentais e funcionamento social; hai poucos anos luitando contra o direito ao divórcio, séculos luitando contra os direitos das pessoas homossexuais, e desde a origem dos tempos luitando contra os direitos das mulheres. Agora volvem mostrar toda a sua força para paralisar umha lei que só pretende sacar o direito ao aborto do código penal. Fam-no agora, aproveitando que muita gente esqueceu que hai pouco mais dum ano havia mulheres que tinham que comparecer diante dum julgado por ter abortado (Março 2008). Fam-no, porque aproveitam que muita gente nom é capaz de ver a contradiçom que supom que nom permitas que umha moça de 16 anos decida se quere ser nai ou nom, sem que a sua família decida por ela, à vez que aplaudes que nenas de 10, 11, 12, 13, 14 ou 15 anos param.

No fundo é todo umha questom de igualdade. Aí, começando polo Papa, os arcebispos, bispos e umha imensa quantidade de clérigos, tenhem um suspenso secular. Suspenso em Igualdade e Democracia. Todos eles pensam e aceptam que as mulheres nom somos iguais aos homens, pensam que gais e lesbianas nom som iguais a heterosexuais ... que tem que existir por força a desigualdade. Confundem o diferente co desigual, e assim seguem mantendo a sua estrutura religiosa passe o que passe, sofra quem sofra, e se fai falha, morra quem morra, a lume ou a golpe de VIH.

A verdade é que entendo que tenham que reagir com força... Cada dia hai mais gente que nom lhes reconhece autoridade política, cada dia hai mais gente que questiona a sua autoridade moral e mesmo, cada dia hai mais gente que vive a sua espiritualidade longe das suas imposiçons. Sabem que um passo atrás nom tem caminho de volta, e eles necessitam seguir explicando nas escolas que umha nena de 12 anos aceptou a vontade dum ser superior para que parira ao seu filho, sem ter conhecido varom, assim o dim as sagradas escrituras.
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Segunda-feira, Março 02, 2009

Arroutada conservadorista

Podo escrever os versos mais tristes esta noite... Volvem as malas pessoas ao governo da Xunta. Volvem os de sempre. Os que sempre estiverom e nom nos deixam nem um respiro. Cruzei muitas mensagens sms esta noite, para compartilhar as lágrimas que nom deixavam de brotar. Volviam as mensagens de volta trazendo mais lágrimas. As da nai preocupada pola bolsa de estudos da sua filha. A da moça lesbiana que nom só chorava, senom que tremava polo tsunami que votou contra os seu direitos fundamentais. O das nais com filhos adoptados, preocupadas por umha sociedade racista... e eu pensando nas mulheres ciganas que nos acompanhárom no Foro Social Galego. Pensando em como nos vai governar esse partido marcado pola ética do enriquecemento e polo ódio à igualdade. Por isso nom os felicito. Por isso nom compartilho a idéia de que umhas vezes se ganha e outras se perde. Porque mentres uns o fam como se nom passa-se nada, ou como que o único que passa-se é que perderam eles a nível pessoal, outras e outros choramos as conseqüencias desta arroutada conservadorista da sociedade galega. Umhas conseqüencias que vam fazer mais complicada a nossa vida, que marcam um escuro futuro. Um futuro que vai quadrar coa imagem que tínhamos do passado recente, o da guerra, o da censura, o da corrupçom, o do caciquismo e a ignorância. Forom três anos, com muitos erros e muitas frustraçons, mas eles levam toda a vida! Som os vencedores da guerra, os que viverom felizes o franquismo e os que agora enchem a boca coa palavra democracia e Galiza, para vomitar as suas políticas de destruçom e marginaçom de quem nom som como eles. Por isso, digo-lhe à metade do povo galego que graças por nada, ou mais bem fixechede-la boa!
Quero dizer-lhes a todas as mulheres que apóiam ao PP, que a sua vissom do mundo alimenta a violência machista. Quero dizer-lhes que as vejo cúmplices do maltrato e dos assassinatos de mulheres. Que o seu apoio aos modelos tradicionais da família, ao modelo afectivo-sexual do Vaticano é o culpável de muito sofrimento. Quero dizer-lhes que o que estam fazendo nom vai libralas a elas, nem às suas irmans, nem às suas filhas da gadoupa do machismo. Quero dizer-lhes que som malas pessoas. E como dizia um admirado diretor dos museus científicos de A Corunha, “ no mundo só vencem as forças do mal quando as boas pessoas deixam de fazer algo”. Recolhamos os anacos de todas e todos nós e vejamos de fazer algo melhor, para seguir caminhando ainda que nos doa.
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Domingo, Março 01, 2009

Hoje vou votar polo BNG

É dia de eleiçons. Miles de pessoas do nosso país acudiram a votar. Outras miles nom o faram. Levo muitos dias pensando que fazer porque tenho muitas contradiçons que resolver, muitas frustaçons que digerir, mas nom quero que sejam esses sentimentos os que dirijam a minha eleiçom este dia. Sempre prefiro guiar-me pola pergunta, e que podo fazer eu?. Penso que o meu voto, e o de muitas pessoas coma mim, de nom emitir-se, pode significar o regresso do Partido Popular ao governo da Xunta, e a pergunta é singela, de verdade é o mesmo?, nom houvo nengumha diferencia entre a realidade que vivemos co PP, a direita governando desde sempre, e estes quatro anos?. Que vai passar se o PP volve à Xunta?. Que repercussom tem isto na atual conjuntura de crise?.

Puxem numha lista as cousas que me parecerom bem feitas polo governo bipartito, ainda que sempre melhoráveis, e noutra o que julguei mal feito ou que se deixou de fazer e eu cria importante.Melhorou-se e muito, o ensino público e a sanidade, freando em muitos aspectos a sua privatizaçom e recorte de serviços como comedores escolares e condiçons de transporte.Representou para mim um avanço importantíssimo a criaçom das Galescolas, e a do organismo público Consorcio de Servicios Sociais e de Igualdade.A promulgaçom da Lei galega contra a violência machista, e a posta em marcha dum programa, ainda nom rematado, de transformaçom dos serviços de atençom e informaçom às vítimas, assim como em geral as políticas de Igualdade aplicadas. A "Lei de Prevención de Incendios Forestais". O Banco de Terras e a revalorizaçom dos valores do rural. A criaçom das UXFOR. A defensa desde as instituiçons do direito ao aborto. Vimos avances na liberdade de expressom e na presença da nossa cultura na TVG e sobre todo na Radio Galega. A Lei de Costas, que paralisou moitas urbanizaçons planificadas a pé de praia. Medidas de apoio ao aluguer de vivendas. O Plano de construçom de vivendas sociais. O enfrontamento coa multinacional PESCANOVA. O discurso em geral da Conselharia de Vivenda que meteu ar fresco contra os valores neoliberais e o jeito de atuar de especuladores e corruptos. O posicionamento da Conselharia de Ensino contra a subvençom a centros concertados que segregam por sexo, umha pequena medida que criou um intenso debate social.

Mas fronte a isso existiu também a claudicaçom ante a corrupçom e sem razom que significa REGANOSA. Continuou-se co projecto da Cidade da Cultura. Apoiou-se a criaçom de piscifactorias, nom só pola sua ubicaçom senom polo que representam de modelo alimentário. Nom se intentou a insubmissom ante as leis que proíbem marcar um prezo mínimo para o leite. Nom se intentou a insubmissom ante as leis que proíbem que ASTANO recupere a produçom. Participou-se na oferenda ao apostolo pedindo-lhe que remate coa violência machista. Nom se intentou a insubmissom ante as leis que proíbem a criaçom dum grupo energético público e outro de telecomunicaçons. Promocionou-se e favoreceu-se a implantaçom no nosso país de fábricas de agrocombustíveis. Nom se enfrentou o cultivo e consumo de trangénicos, quedando-se só numha declaraçom do parlamento. Nom se intentou a insubmissom ante as leis que proíbem aplicar medidas protecionistas para os alimentos produzidos aqui. Nom se intentou a intervençom das caixas de aforro, para iniciar a sua transformaçom num banco público galego. Nom se desmantelou ENCE e se apoiou soterradamente a proposta do seu traslado às Pontes, onde se chegou, no seu tempo, a promover umha manifestaçom pedindo mais quota de CO2, o mesmo se fixo co maldito AVE. Nom se puxo freio às grandes empresas abusadoras do nosso entorno e parasitas da nossa economia como ENDESA, FENOSA, MEGASA, INDITEX, e o bezerro de ouro CITROËN, que representa um modelo de transporte nocivo e obsoleto.Nom se estivo à altura das circunstancias no último temporal de Janeiro, aproveitando para meter nos tribunais a FENOSA. Mantivo-se um discurso baseado na economia produtiva e o desenvolvimento, na vez da economia necessária ou social e o decrecemento.

Som sobre todo medidas de caractere estrutural, medidas que vam orientadas à deconstruçom do sistema econômico atual para abrir passo a outro modelo. Hai que somar a isto um escasso diálogo e apoio nos movimentos sociais, salvando algumhas excepçons, à hora de elaborar e aplicar as políticas. É paradógica esta situaçom sabendo que som sobre todo militantes do BNG e do PSOE quem conforma em boa parte o activismo social, sobre todo no movimento feminista, no ecologista, no vizinhal e sindical.

Mas a realidade di-nos, que a sociedade galega segue a ser umha sociedade dividida, onde som moi numerosas as pessoas que apóiam o projecto da direita, unida e moi activa, representada, principalmente, polas siglas do PP, e apoiada desde os espaços e instituiçons do integrismo católico no nosso país. Um sector da nossa sociedade que fai umha forte oposiçom ás poucas medidas de esquerdas que se estám aplicar. Ponhamos por exemplo a resistência a talar muitos dos eucaliptos que incumprem a lei de prevençom de incêndios e que tantos destragos causárom nestes últimos temporais. Ponhamos por exemplo a decissom do jurado popular de absolver a quem assassinou a dous moços em Vigo, numha das maiores mostras de homofobia ocorridas no nosso país nos últimos tempos. Ponhamos por exemplo a folga convocada polos médicos que querem cobrar a exclusividade na pública quando se adicam, e muitas vezes com maior devoçom à prática privada. Seria um longo relatório de exemplos de valores, actitudes e crenças que sustentam umha parte ainda moi maioritária da sociedade galega que nom quere cámbios, que nom quere igualdade, que nom quere que se respeite o médio ambiente e nom lhe importa tampouco muito os métodos que se utilizem para conseguir isto. A guerra de Iraque, o Prestige, os escándalos de corrupçom ou mesmo o anacronismo na organizaçom da hierarquia católica e os valores afectivo-sexuais e modelo familiar, nom parecem ter feito melha neste sector povoacional que se mantem mais ou menos inmóvil nos seus posicionamentos.

Hoje, tenhem posta a esperança de volver recuperar esse espaço de poder que nom controlam os seus, porque sim o fam em muitos concelhos, sim o fam em duas deputaçons e sim o fam no poder econômico. Eu vou ponher o meu voto na furna pensando nisso. Em que nom quero que volvam e em que os movimentos sociais, nestes próximos quatro anos, vam ser capazes de acumular mais força e mais organizaçom, para poder conseguir cambiar as políticas e sobre todo porque todas, absolutamente todas as pessoas que queremos umha sociedade mais justa e em igualdade, temos a responsabilidade de conseguir que esta situaçom de crise mundial nom se converta num avanço dos valores racistas, xenófobos, homofóbicos e machistas, que embruteçam a nossa sociedade mediante propostas de cadeia perpetua ou pena de morte, soluçons militaristas e repressom policial. E penso que esse objectivo vai ser muito mais difícil de conseguir cum governo de direitas.

Por quê vou votar o BNG e nom outra força política? Porque miro o mundo cos olhos de galega, e porque é a força com possibilidades que tem mais capital político e humano. Pode ser mirado como excesso de pragmatismo, mas nom penso que o sofrimento que acarrearia umha volta do PP, mereça ser o pago por um voto de castigo ou um voto de aleizoamento.
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Sábado, Janeiro 17, 2009

Palestina no cotidiano


Estes dias, a enfermidade visitou a minha casa e a muitas pessoas queridas. Som dias onde a companhia, as chamadas de alento e os cuidados som como o ar que respiramos. A cinco minutos da casa todo um sistema de saúde pública funcionando para nós, sem perguntar quanto dinheiro temos no banco, sem presentar nomina nem póliza de companhia aseguradora. Só hai que preocupar-se de escuitar a respiraçom da pessoa enferma, saber ler nos seus olhos se hai melhoria e alegrar-se quando assim é. Na cozinha nos esmeramos por preparar alimentos com mais cuidado, que sentem bem, que transmitam a necessidade que temos de que permaneçam na vida com nós o maior tempo possível e compartilhar muitos momentos felizes.

Mas a enfermidade nom véu soa, junto a ela entrou na minha casa todo o horror que se ia acumulando em Gaza. Intentar sentir por um momento toda a dor reflectida nesses olhos fazia-se insuportável, e as palavras agarravam-se no peito negando-se a subir até a boca, ao saber-se impotentes para explicar tanta desgraza. Cada objecto nas mans convertia-se num milagre, um analgésico, umha toalha limpa, um cueiro, um café quente...Cada parte da casa mostrava-se como refugio e como ameaça, um sofá onde sentar-se, as bilhas coa auga quente, a cama recém mudada...

E para curar a nossa impotência começamos a sair à rua, a encender velas, a cantar consignas, a escrever Palestina, a escuitar na rádio, na TV e ler nos jornais as vozes amigas, que conseguiam sacar do peito as palavras que nós nom arrancávamos, e leva-las à boca, à tinta das imprensas, às ondas. E amanhá domingo 18 de Janeiro, iremos à velha cidade de Compostela para seguir curando a nossa impotência e purgar a nossa culpa, por ter umha casa em pé, pola auga quente, pola luz que fai mais curtas estas noites de inverno debaixo de lenços limpos. E na manifestaçom berraremos contra o estado de Israel..., mas todo o ódio acumulado detrás da ferida sangrante, do corpo sem vida, da cama murchada entre os cascalhos, das mesas baleiras... vai seguir sinalando com dedo acusador a nossa cumplicidade, as nossas prioridades e o nosso jeito de ver o mundo.
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Segunda-feira, Novembro 24, 2008

Que pode aguardar Europa de Obama

Nom podemos ignorar, a intensidade simbólica que tem o feito de que um home negro ocupe a Casa Branca. Como se lembrava estes dias nalgúns sectores de EEUU, é umha vitoria que um edifício construído por escravos, vaia estar ao fim ocupado por umha família descendente de escravos. Michelle Obama é-o, e as suas filhas polo tanto também. Todo isto, junto à grande corrente de participaçom e ganhas de cámbio que percorreu a sociedade norteamericana nestes meses, fai que o triunfo do candidato demócrata tenha um efeito positivo em si mesmo.

O que nom podemos é aguardar grandes cámbios na sua política interior nem exterior. A administraçom Obama nom tem pensado someter-se às instituiçons internacionais para a resoluçom dos muitos contenciosos que mantém com distintos povos do planeta. Seguirá mantendo o seu direito a veto no Conselho de Seguridade da ONU. Tampouco tem pensado propôr a disoluçom do BM, o FMI ou a OMC, instituiçons que controla para que sirvam aos interesses da sua oligarquia militarista. É por isso que os sectores socias da Europa que temos interesses comúns na luita contra o neoliberalismo e na construçom dumha sociedade mais justa, nom podemos depositar as nossas esperanças na presidencia de Obama. Começando a sentir, dum jeito mais agudo, as conseqüências da crise financeira (paro, congelaçom salarial, suba de preços nos produtos básicos e na energia de consumo doméstico); aumentando as agressons racistas e xenófobas, sobre todo contra o povo cigano; com vários governos de ultradireita participando nas instituiçons europeias; com constantes ataques aos direitos fundamentais das mulheres por parte dos fundamentalismos religiossos, é mais realista virar a olhada para outros países americanos, onde os seus governos estám pondo freio com políticas económicas e sociais, ao domínio das grandes coorporaçons ou aos designios do FMI, o BM e a OMC. A esperança imo-la pôr entóm, nas nossas próprias forças, e junto ao resto do planeta, nesses proxectos que estám intentando acabar coa pobreza limitando a riqueza.

Lupe Ces
24-11-2008

Publicado na revista "Tempos Novos"
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Domingo, Novembro 23, 2008

25 de Novembro, umha cita em Ferrol

Este martes 25 de Novembro temos umha cita coa Marcha Mundial das Mulheres numha praça algo desconhecida para a cidadanía desta comarca. É a praça 8 de Março de Ferrol.
Inaugurada por Luisa Sabio, esta praça que leva o nome da data mais significativa para o movimento feminista, encontra-se entre as ruas Rubalcava e Almendra, perto do bairro de Canido.
A Marcha Mundial das Mulheres convoca neste lugar, umha concentraçom às 8 da tarde baixo o lema "Sementando um futuro sêm violência machista", onde ademais da leitura do comunicado, fara-se um desenterramento simbólico dos valores do patriarcado que som as raíces da violencia machista, para sementar no seu lugar os valores da Paz, da Xustiza, da Liberdade, da Solidariedade e da Igualdade, valores cos que se tem que construir umha sociedade livre de violência machista. Neste acto repartiram-se sementes simbolicamente relacionadas com estes valores.
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Quarta-feira, Outubro 01, 2008

Com passo imparável

Mulheres urbanas e mulheres das organizaçons agrárias incorporam ao discurso e à prática feminista o diretio à soberania alimentária

Aquelas e aqueles que andámos polas ruas de Vigo o 23 de Maio de 2004, na mobilizaçom européia, nom podemos deixar de emocionar-nos ao pensar na possibilidade de participar numha nova convocatória da Marcha Mundial das Mulheres. Como naquela ocassom, imos ter a oportunidade de marchar, esta vez, junto a mulheres vindas dos cinco continentes, e participar da energia transformadora que aportam tantas vontades e tam diferentes, unidas para construir um mundo onde a pobreza e a violência sejam erradicadas .

As delegadas que provenhem dos setenta países nos que está organizada a Marcha Mundial das Mulheres, vam estar reunidas na Residência de Panxón, concentrando no nosso país toda a energia e sabedoria que se poda desprender destes debates. Som convidadas da cidadania galega, pois som os recursos públicos, gestionados pola Secretaria de Igualdade, o que vam fazer possível que ao longo dumha semana, mulheres de distintas condiçons culturais e econômicas podam ter alojamento e lugar para o debate, num país onde exercer de anfitrionas conleva um alto nível de auto-exigência. Vam ser convidadas dumha cidadania que está convocada a compartilhar com elas a manifestaçom do domingo pola manhá, o Foro e a Feira de Soberania Alimentária, onde as delegadas da MMM vam abrir os seus debates para todas e todos os que nos acheguemos a Vigo o 18 e o 19 de Outubro.

Mentres altofalantes patriarcais, desde o coraçom do Império, anunciam a chegada dum novo feminismo coa figura de Sarah Palin, candidata polo Partido Republicano, arroupada nos valores do militarismo, o racismo, a repressom e exclussom sexual, o enriquecimento sem límites ou a depredaçom da Natureza; o velho feminismo, o múltiplo e variado feminismo, o das pensadoras, o das ativistas, o das artistas, o das velhas e o das novas... o feminismo que bebe e re-escreve os valores da democracia, da justiça, da liberdade, da igualdade e da paz, tece redes no mundo para sustentar umha nova realidade onde melhorem as condiçons de vida e de direitos das mulheres do planeta.

Nessa rede também trabalha, e desde os cinco continentes, a Marcha Mundial das Mulheres, que traz a este velho país, novos ingredientes para engadir ao discurso feminista europeio. Um discurso que tem muito desenvolvido em quanto à loita contra a violência machista, os direitos sexuais e reprodutivos, a representaçom política ou o reparto do trabalho, mas que nesta ocassom tem que deslocar-se do medio urbano, onde construiu a súa palavra e acçom, para incorporar as realidades das mulheres que em âmbitos rurais ou pesqueiros tenhem definida a sua identidade como produtoras de alimentos. Este convite para ampliar a olhada do feminismo europeio, vem feito polas feministas das Américas, da Índia e de África, que participam das luitas pola terra, polos alimentos, pola áuga..., para defender-se das políticas desenhadas pola Organizaçom Mundial do Comércio, o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional, que favorecem os monocultivos intensivos, o agronegocio e os agrotóxicos. Estes organismos e estas práticas agrícolas, gandeiras e pesqueiras, definem a produçom e o mercado da alimentaçom em Europa, com conseqüências, ainda nom bem analisadas nem quantificadas, no modo de vida e na saúde das mulheres. Da aliança entre as feministas urbanas e as mulheres das organizaçons agrárias, nasce a necessidade de incorporar ao discurso e à prática feminista, o direito à Soberania Alimentária. Este debate, que vai centrar as atividades do 18 e 19 de Outubro em Vigo, vai permitir também o encontro com todas aquelas iniciativas e proxectos coleitivos, que no nosso país levam tempo dando passos a prol deste direito dos povos, definido pola rede internacional "Via Campesina" em 1996, na Cumbre Mundial da Alimentaçom.

No ano 2000 as mulheres organizadas na Marcha Mundial diziamos que havia "mil razóns para marchar juntas". Neste outono recém estreado, onde a terra, se nom lhe viramos as costas, nos oferece alimentos para superar os rigores da invernía, temos mil razóns para acudir a Vigo e arroupar coa nossa presença e solidariedade, a estas mulheres convidadas da cidadanía galega para fortalecer o seu passo imparável. Com elas expressaremos o nosso desejo de "Cambiar a vida das mulheres para cambiar o mundo, cambiar o mundo para cambiar a vida das mulheres".

Ferrol, 1 de Outubro do 2008
Lupe Ces

Publicado no portal altermundo.org

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Quinta-feira, Setembro 25, 2008

A mantenta da celebraçom na Galiza do VII Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

"O direito ao aborto é o refugio ideológico onde o máis ráncio do patriarcado pretende dar a súa batalha final"

Lupe Ces Rioboo,
docente e integrante Marcha Mundial das Mulleres


O vindeiro Outubro, Galiza converterase no lugar de acollida do VII Encontro Internacional da Marcha das Mulleres, que supón este feito para o feminismo galego?

Por um lado que Galiza seja anfitriona de tantas mulheres, activistas feministas dos cinco continentes, é um reflexo do caminho andado desde o ano 2000, no que constituimos a Coordenadora Nacional Galega da Marcha Mundial das Mulheres. O feminismo galego tem umha história organizativa, de pensamento e discurso, que está na base da vida da Marcha Mundial das Mulheres na Galiza, e também nas distintas expressons feministas que hoje convivem na nossa sociedade, no ámbito cultural, artístico, académico e institucional. Todo o que temos agora debémos-lho a aquelas que na década dos setenta e em plena ditadura reivindicárom-se feministas.


Que se espera deste VII Encontro?

Agardamos que , como passou coa mobilizaçom europeia convocada pola MMM em Vigo no ano 2004, e que reuniu a miles de mulheres na primeira Feira feminista, em tres Foros de debate e numha grande manifestaçom popular, este VII Encontro Internacional seja um passo mais na melhora das vida das mulheres, e polo tanto um passo mais na democratizaçom e na construçom dumha sociedade mais justa. Dentro desta valoraçom, cumpre fazer especial mençom de que com este VII Encontro e as actividades que o vam acompanhar durante a fim de semana do 18 e 19 de Outubro na cidade de Vigo (Foro e Feira de Soberania Alimentaria, Manifestaçom e Milhadoiro, Encontro de Xovenes Feministas ) queremos conseguir tecer redes entre as mulheres do rural galego( o feminismo foi tradicionalmente um movimento de mulheres urbanas), e as mulheres das cidades. Também estamos trabalhando com colectivos e movimentos sociais que até agora semelhavamos ser compartimentos estancos, e este VII Encontro descubriu-nos que temos muitos obxectivos em comúm e podemos aportar distintas perspectivas que se complementam e enriquecem, como é nesta ocassom co direito à soberania Alimentaria.


Cales son as principais reivindicación e obxectivos a acadar durante os próximos anos?

Precisamente as delegadas que tenhem pensado comezar os seus debates o próximo día 14 de outubro na Residencia de Panxón, vam avaliar o Plano estratégico aprovado no Encontro de Perú de hai dous anos, e aprovar a mobilizaçom mundial do ano 2010. Reforzar a organizaçom e o discurso da MMM nos blocos de acçom que nos temos marcado ( Aceso aos recursos e Bem Comúm, Violência, Trabalho e paz e Desmilitarizaçom) nos permitirá chegar ao 2010 preparadas para cumplir cos obxectivos dessa grande mobilizaçom mundial que vimos preparando.


"Aos velhos estereotipos somam-se agora os novos, que falam da ambiçom das feministas, dado que parece que o temos todo acadado"

Cre que os vellos estereotipos sobre o feminismo e as feministas aínda continúan vivos?

Claro que sim, ainda que máis debilitados e cada vez com menos defensores na sociedade galega, falar doutros ámbitos geográficos ou culturais seria mais complicado. O problema é que aos velhos estereotipos somam-se agora os novos, que falam da ambiçom das feministas, dado que parece que o temos todo acadado, ou mesmo da facilidade cos que se consiguem postos de responsabilidade e o subsidiadas e favorecidas que estamos as mulheres neste momento. Som novos estereotipos cos que temos que loitar moi duramente.


O Encontro celebrarase no medio da polémica xurdida trala creación da comisión de estudio da reforma da Lei do Aborto e logo do caso da Clínica Isadora. Que opinión lle merece a decisión do goberno e que principios sería necesario que se recollese para garantir unha lei eficaz?

O direito ao aborto é neste momento o refugio ideolóxico onde o mais rancio do patriarcado pretende dar a súa batalha final. A súa batalha final, para ganha-la e desencadear um proceso de cambio ideolóxico na sociedade e volver a meter no oscurantismo e na dor, a sexualidade das mulheres e a maternidade. Polo tanto a reacçom social, nom só das feministas, senom das mulheres em geral e dos grupos políticos, que apoiarom coa mobilizaçom, as autoinculpaçons e os pronunciamentos públicos e no parlamento, às mulheres e às clínicas acosadas desde algúm julgado e desde algumha organizaçom ultracatólica, foi importantíssima. A polémica vem agora dada pola Comissom de Espertos elegida pola Ministra de Igualdade, onde o movimento feminista ou as clínicas nom estám representadas, e pola eleiçom dentro do Conselho do Poder Judicial, de magistrados que seguem a pensar que as mulheres que decidimos abortar somos umhas assassinas.


Considera que medidas como a paridade das listas favorecen a plena igualdade entre mulleres e homes ou son medidas populistas destinadas a desviar a atención de problemas máis importantes?

Som medidas importantíssimas, que tiverom um efecto inmediato em muitos aspectos. De súpeto passamos de ter listas onde as mulheres nom queriam participar em política, ou nom existiam, a que os partidos tivessem que buscar e deixar sitio para as mulheres, e claro que aparecerom!! Tam válidas ou tam inútiles como os seus companheiros varóns. Que umha mulher perda a vida a maos do seu companheiro é grave, mas isso nom pode ser excusa para deixar de aprovar ou defender medidas que som direitos democráticos como o é asegurar a participaçom política do 50% da sociedade tradicionalmente excluida.


Algunhas mulleres consideran que se está a producir unha rebaixa do ideal feminista. Comparte esta opinión?

Por suposto que nom. O que está a suceder baixo o meu ponto de vista e atendendo à minha experiencia é que o feminismo está em expanssom em todo o mundo e está chegando a todos os ámbitos humanos, mesmo está toleando-lhe a cabeça aos homes das hierarquias religiosas mais misógenas. Um feminismo mais cercano, mais achegado aos problemas reais das mulheres e das sociedades, e um feminismo em coaligaçom co resto dos movimentos de transformaçom social, eis o feminismo que vejo eu no século XXI.


Que futuro lle agarda ao feminismo como movemento político, de militancia e crítico nun mundo globalizado e en plena crise do social?

Ainda que penso quedou um pouco definido na resposta à pergunta anterior, todas desejamos que o futuro do feminismo esteja cargado de éxitos como o está este curto percorrido de dous séculos. Ainda assim somos conscientes das ameazas e dos perigos e atrancos que no presente e no futuro máis inmediato, já nos estám ensombrecendo o caminho, a re-organizaçom e presença mundial dos integrismos religiossos e da extrema direita; a hegemonia do modelo económico capitalista que gera pobreza e destrucçom do planeta. Mas hai que falar de que nos próximos días mais de 150 mulheres reunidas num pequeno país chamado Galiza, vam tecer sonhos dum futuro de Paz, Justiça, Liberdade, Democracia e Solidariedade para toda a Humanidade.

Entrevista realizada polo Movemento polos Dereitos Civís
Publicada no xornal "Gz Nación / En Movemento"
Setembro de 2008
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Terça-feira, Agosto 26, 2008

Todas e todos temos um convite para ir a Vigo o 18 e 19 de Outubro

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Domingo, Julho 20, 2008

O mercado de Caranza fecha


Coa frase "O privado é político" aprendimos que o que sucede na casa e sobre todo o que sucede na cama tem muito que ver coa construçom social e moral. A crença de que cada quem faz o que quere na sua casa, é isso, só umha crença, porque as normas tecidas socialmente que levárom, e seguem levando em muita medida, discriminaçom e desigualdade entre os seus nos, marcam o dia a dia dos nossos afectos, da nossa sexualidade e a organizaçom do nosso espaço e do nosso tempo no privado. Eis o trabalho de desfazer esses nos, alguns deles muito resistentes.

Agora estamos aprendendo que nas nossas cozinhas, ademais de compartir o trabalho, temos a enorme tarefa de construir umha relaçom diferente cos alimentos, porque "o que comemos é político", e as mulheres, que somos maioria na produçom e elaboraçom dos alimentos, temos nas nossas mans a ferramenta para expulsar a enfermiça ambiçom capitalista das nossas cozinhas e das nossas mesas.

A derrota do proxecto de lei da equipa de Cristina Fernández, Presidenta de Argentina, mais corretamente expressado, a derrota dos movimentos populares e de esquerdas para pôr um freio à exportaçom de grao por parte das multinacionais, num país deficitário em alimentos, é umha mala nova. É umha mostra mais do aviso continuado da presença do capital financeiro na alimentaçom. Por extensom, da presença dos especuladores, da gente sem escrúpulos e sem ética, com essa compulsom enfermiza de ganhar dinheiro, ainda que seja a conta da desgraça alhea, e que hoje representam a maioria da actividade económica mundial. Os alimentos estam-se convertendo cada vez mais no refúgio da inversom financeira, e sabemos que sem crise sem que se desequilibre a oferta e a demanda, sem picos nos preços e desestabilizaçom dos mercados, os tiburons nom comem, nom hai benefício financeiro. Aninharom no petróleo, logo na vivenda e agora na comida e na auga.

A Via Campesina, que reúne movimentos agrários de todo o mundo, fala da Soberania Alimentaria como soluçom ao desequilíbrio existente no planeta entre a produçom e a demanda de alimentos. As mulheres de Via Campesina falam de aceso à propriedade da terra, e melhora das condiçons de trabalho e de vida. Falam de agricultura que nom as intoxique nem a elas nem às suas famílias, nem à gente que consuma os seus produtos. Falam de ter presença nos organismos de decisom, que se tire das maus da Organizaçom Mundial do Comércio o poder de decidir sobre as políticas agrárias. Falam de priorizar a produçom e a distribuçom em mercados locais e um mercado mundial com relaçons de igualdade, afastado da especulaçom. Falam dum processo de empoderamento das mulheres do campo e um processo de respeito e cooperaçom mútua na relaçom coa terra da que vivemos.

Imos avançando na participaçom na vida pública, avançando em direitos sexuais e reprodutivos, sendo reconhecidas como cidadás de pleno direito, esta-se a escrever a nossa história e abriu-se o campo da investigaçom científica para nós. É hora de democratizar a economia, porque só numha atividade económica democratizada, longe da ditadura do capital, poderemos ter igualdade.

Em quanto todas estas forças se debatem no mundo, e também na Galiza, no meu bairro de Caranza vai fechar o mercado para abrir um centro comercial. O mercado no meu bairro, foi esmorecendo na medida que iam medrando os grandes Hipermercados internacionais e iam esmorecendo as pequenas explotaçons agrárias em Ferrol Terra, onde a gente, consciente ou nom, meteu eucalipto até a mesma porta da casa, e nom houvo quem recolhesse os conhecimentos agrários imprescindíveis para seguir alimentando a umha comarca que agora come kiwi de Nova Zelanda ou Chile no mês de Julho, ou amorodos argentinos no mês de Dezembro; umha comarca que está afeita, e nom passa nada, a que de súpeto todo o azeite de girassol se retire dos supermercados por estar contaminado e outro dia faltem produtos básicos pola folga do transporte; umha comarca que já está afeita a que os ovos som de cor pálida e os pólos tenhem a auga e a textura das sardinhas. Sim, sardinhas ainda hai, mas competem e muito cos peixes importados e os medicalizados das piscifactorias.

A política do Mercado e do Imperio está nas nossas cozinhas e nas nossas mesas. Precisamos umha resposta política. Precisamos Soberania Alimentaria.
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Segunda-feira, Junho 30, 2008

Conservadorismo

Ai estivérom, nos cartazes, nos dípticos, nos mitins... muitas, muitas mulheres. Postas por lei, por decreto. Pois sim, foi o jeito de que aparecessem por fim, de que as fossem buscar, de que as tivessem em conta, ainda que quedaramos a fim de contas com poucas alcaldesas, boas e malas, preparadas ou incapaces, honradas ou corruptas, como os alcaldes, mas é umha questom de democracia. Esta vez o conservadorismo ficou mais calado. "É que elas nom querem" repetiam campanha trás campanha. Esse conservadorismo baseado na aceptaçom das cousas como estám, do pessimismo dos feitos consumados. Esse conservadorismo vital na direita e carcinoma letal na esquerda. Esse conservadorismo que vem de falar pola boca de Sarkozy convertendo a "liberté, igualité e fraternité" em "esforço, trabalho e mérito", valores todos eles imprescindíveis, mas que na boca da direita ou do conservadorismo, traduzem-se em privilégios para os que desde sempre tivérom "méritos" sem "esforço" a conta do "trabalho" dos demais. De verdade alguém cre que as desigualdades som um problema de falta de trabalho, esforço ou méritos?

Comentava que o conservadorismo na esquerda é letal. Estas palavras, andam muito da mam por Ferrolterra desde que se permitiu umha prova com gaseiro na planta de REGANOSA . "Agora já está feita!" "Umha vez que se puxo ai hai que apandar com ela!" "Nom morre a gente em acidentes de tráfico?" Tudo isto funcionando como pás de areia que intentam tapar umha das maiores tramas de corrupçom político-empresarial dos últimos anos. Umha trama (documentada em Muros de silencio, trabalho editado pola asociación Fuco Buxán) que vai desde verquidos contaminantes e recheios ilegais na Ria de Ferrol, negócios de carburantes que já estám nos julgados, até documentos oficiais manipulados e pactos secretos entre representantes públicos e empresariais sem escrúpulos. Umha trama que tem a sua origem no Grupo Tojeiro, que se fixo possível pola total identificaçom e cumplicidade do governo de Fraga Iribarne, mas que abrangue cos seus longos tentáculos a sectores que defendem visons produtivistas, antiecológicas e perigosas para a populaçom, com presença na Conselharia de Indústria, nas organizaçons políticas que sustentam o actual Governo da Xunta e mesmo no sindicalismo nacionalista. Nom podemos descuidar tanto a nossa casa! Esse conservadorismo letal polo que campeam sem problemas as políticas neoliberais e contra o que se levanta com muito "esforço" um movimento de resistência civil que soma o "trabalho" de mais de 50 organizaçons e que tem o "mérito" de conseguir romper nos últimos dias os muros de silêncio.

Lupe Ces
Xuño de 2007

Publicado na revista "Tempos Novos" - nº 121, xuño de 2007

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Sexta-feira, Maio 16, 2008

Hoje fum ao sindicato


Estivem nos locais comarcais da CIG da Avda de Esteiro de Ferrol. Fum até ali ao conhecer que a empresa ESHOR, ia intentar outra vez entrar nos locais do sindicato, para arrincar umha retificaçom das declaraçons realizadas numha rolda de imprensa, presidida polo Secretario Comarcal Xosé Manuel Pintos, onde se denunciava um trato escravista para com as trabalhadoras e trabalhadores imigrantes.

Cheguei a ver dous autocarros que transportárom até Ferrol a umhas 100 pessoas, a maioria, polo seu aspecto, peruanos, equatorianos... Diziam que vinham de Madrid, aproveitando o festivo de Sam Isidro. Comezárom a rodear os locais, os de diante com muita força berrando "Pintos mentiroso" termando dumha faixa em galego onde solicitavam à CIG que nom os defendera. Atrás, silencio e passividade. Havia umhas sete mulheres, a mais activa a Chefa de Pessoal, que agarrava também umha faixa. A consigna máis coreada Viva ESHOR! Viva ESHOR! Os ovos que traiam para lançar quedárom esmagados entre os A3 que ficárom no cham. Algumha discussom, berros...

Umha barreira de homens e mulheres da afiliaçom da CIG, aguardavam, junto a duas dotaçons policiais, nas portas do sindicato mostrando algumhas das diferentes fazes que componhem a actividade sindical na comarca.

Dentro da sede comarcal, os comentários iam e vinham. A Direçom estivo reunida no salom de atos, e a normalidade mantinha-se como se podia.

Alguns trabalhadores de ESHOR argumentavam no meio do rebumbio, que eles estavam ali porque por culpa da CIG a empresa estava perdendo contratos. Aqui do que se trata é que empresas como ESHOR desapareçam do sector da costruçom. Empresas que competem deslealmente conseguindo ofertar uns custes mais baixos, mantendo condiçons laborais de escravitude.

Som case 500 as baixas voluntárias na empresa desde hai ano e medio. Parece ser que já as assinam junto co contrato, coa data em branco. Mas tudo isso e muito mais, sairá no juiço que a empresa tem que enfrontar o próximo dia 10 de Junho.De todo isto , para mim nom é nada especialmente salientável. Ao fim, centos de trabalhadores e trabalhadoras que passarom por ESHOR, as suas famílias, amistades... conhecem a verdade e assim se clarificará no julgado, ainda que isso nom seja exatamente fazer justiça.

Mas o verdadeiramente salientável é a agressom e violentaçom da liberdade sindical. O feito sem precedentes da mobilizaçom dumha empresa, que acarretando a uns trabalhadores e a algumha trabalhadora às portas do sindicato, pretende pôr atrancos à acçom sindical, porque esse é o papel que lhe corresponde aos sindicatos, denunciar as irregularidades, denunciar os abusos, denunciar a explotaçom, às empresas piratas e escravistas que fam o seu lucro a base do tráfico de seres humanos.Os julgados, as inspeçons de trabalho, SMAC, o Conselho Galego de Relaçons Laborais... atúam para resolver os conflitos e as denúncias apresentadas e mediar ante a acçom sindical. Assim se vai avançando, ou retrocedendo, em direitos e seguridade no trabalho.

A CIG é um sindicato formado, na comarca, por mais de 8000 pessoas. Dentro da CIG confluem muitas correntes sindicais, e também distintos interesses partidários ou de grupos de poder. À hora de elaborar estratégias de acçom sindical, pode haver diferencias, mesmo choques ou reinos de taifas entre federaçons ou organismos. O que nom sabe quem pretende amordaçar à CIG, que existe a solidariedade obreira, que existe a consciência sindical, que essa consciência e essa história do movimento sindical na nossa comarca, é quem de romper sectarismos e interesses pessoais para criar a barreira que defenda a organizaçom imprescindível da classe trabalhadora. Todo isto seja qual sejam as siglas, seja qual seja o nome das pessoas que num momento determinado a dirijam. É o sindicato, aquilo que temos para defender os nossos direitos, e que está aberto também para a defesa dos direitos daqueles companheiros e companheiras, que traem a pel mais escura, os rasgos dos olhos também diferentes, que sentem mais frio que nós quando chove dous dias seguidos, e a quem a morrinha fai-lhes de companhia porque nom vem muito o sol por aqui.

Gostaria-me que desde a direçom da CIG, e desde as direçons de todos os sindicatos, se propusera umha mobilizaçom do movimento obreiro em Ferrol, para reafirmar a inviolabilidade dos direitos sindicais, e a necessidade dos sindicatos como garantes dumha sociedade democrática.

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Quarta-feira, Maio 14, 2008

Rendistas


A minha irmá enviou-me esta foto num correio. O cartaz resume, num tom irónico, seguramente sem vontade de faze-lo, qual é a situaçom dos locais que albergam pequenos negócios na cidade de Ferrol. Os rendistas desta cidade som os que fam o agosto. Sabem que onde se aluga, ao pouco se fecha. Neste tempo é difícil competir coas grandes superfícies. Mas nom é problema, onde se fecha ao pouco se aluga, sempre hai alguém que o vai intentar, ainda que desista aos poucos meses. Mentres, os alugueres de escândalo vam enchendo as suas bolsas. Nom podemos esquecer o pequeno detalhe de que em muitas ocassons estes locais nom estam dados de alta ou carecem do estudo de seguridade, ou proxecto técnico correspondente, é dizer, pouca inversom, todo ganho. Concluindo, algum dia alguém escribirá a história dos rendistas de Ferrol, esses ferroláns de pro, e também algumha ferrolá, que coa sua avaricia asfixiarom muito do futuro desta cidade envelhecida.
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A fantasma do patriarcado

Hoje umha nena de 4 anos informou a toda a aula que a sua madrinha dixera que era a moda das pulseiras. A mestra perguntou-lhe que era isso da moda. Muitas fôrom as vozes que voluntariamente explicavam ao grupo que a moda era levar pulseiras, até se dixo que a moda era desfilar coas pulseiras. Entom, no meio das explicaçons, um neno de cinco anos afirmou " a moda é levar as pulseiras para estar guapas e casar". Quando a mestra lhe perguntou se também se levavam pulseiras para estar guapo e casar, o neno dixo que nom, que isso era só cousa de rapazas.

Abriu-se todo um coro de apoio a essa crença tam rotundamente afirmada. Só quando a mestra começou a perguntar se conheciam a algum homem ou rapaz que levase pulseira, comezou a nomear-se a algúm pai, tio ou curmám. Deixo aqui o relato. Deixo neste ponto esta assembléia de pequenos e pequenas. Agora perguntemo-nos como é possível, que estas crenças que mantenhem desigualdades, podam estar tam presentes nestas idades tam temperas. Queria trazer a estas linhas um pequeno exemplo da presença do patriarcado no pensamento das crianças. Um patriarcado que para muita gente nom existe. É certo que pode ser invisível, ou aparecer em pequenas cousas como as que vos acabamos de relatar, mas é o mesmo patriarcado que levou a vida estes dias,de duas mulheres assassinadas em menos de 12 horas polas suas parelhas. Som partes dum todo. Por isso existe e trabalha o feminismo, por isso o esforço em associaçons, movimentos... Levamos dous séculos fazendo reunions, mobilizaçons, escrevendo livros... para destruir a fantasma do patriarcado. Umha fantasma que pode acabar coa vida dumha mulher ou filtrar-se na mente dumha criança.
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Segunda-feira, Maio 12, 2008

Quê fai o poder na tua mesa?

Na década dos 80, Josep Vicent Marques publicava um livro titulado "Quê fai o poder na tua cama?", a onda feminista que arrancou na década dos 70, falava de que o privado era público, e começou a bucear na sexualidade feminina para, em primeiro lugar denunciar a sua existência, negada tanto por científicos como por filósofos e teólogos; em segundo lugar anunciar aos quatro ventos a potência da sexualidade feminina, umha sexualidade nom dependente nem passiva, e em terceiro lugar para separa-la definitivamente da maternidade.

Vicent Marques perguntava Quê fai o poder na tua cama?. Agora queremos perguntar-nos "Quê fai o poder na tua mesa?" e quem di na mesa di na cozinha, di na cesta da compra. As feministas sabíamos que as mulheres no planeta desenvolvemos o 70% do trabalho mas só possuirmos o 1% da propriedade da terra. Somos maioria na produçom de alimentos agrícolas e gandeiros, e somos maioria na elaboraçom desses alimentos, segundo a agencia para a alimentaçom das Naçons Unidas essa porcentagem chega ao 70% nos países empobrecidos.

Desde há uns anos as organizaçons campesinas do mundo estam organizando-se em redes trabalhando por um direito que asseguram é fundamental para a sobrevivência dos povos e do planeta: a soberania alimentaria.

As labregas feministas estam aportando novas reflexons e campos de acçom ao feminismo, nesta ocassom nom só reivindicando o espaço rural e a agricultura como um modo de vida das mulheres onde devem ter assegurados os seus direitos como trabalhadoras e como mulheres, senom empoderando a todas as mulheres como elaboradoras de alimentos para cambiar modelos patriarcais e capitalistas que afetam à saúde das pessoas e do planeta.planeta.Pruduzir alimentos, para consumilos tendo em conta a cultura das comunidades, e nom aceitar pasivamente novos hábitos de alimentaçom mediatizados pola publicidade e as decisons econômicas da Organizaçom Mundial do Comércio e as multinacionais; consumir os alimentos locais, apoiando as agriculturas de proximidade, aforrando a energia do transporte e conservaçom dos alimentos que vam dum continente a outro; nom aceitar alimentos produzidos em monocultivos de grandes terratenentes que nom duvidam em utilizar a repressom contra as comunidades que desenvolvem agriculturas locais nesses países; desbotar o usos de pesticidas e demais produtos que ameaçam a nossa saúde e à da terra; dar-lhe as costas aos alimentos transgênicos... som muitos os princípios que construem o direito à soberania alimentaria. A urgência da crise humanitária que está cruzando o planeta, concretada na subida dos prezos dos alimentos básicos, nos está exigindo olhar às labregas feministas e às suas organizaçons, para poder levar adiante um cambio tam profundo como necessário e urgente: o jeito de produzir e consumir os alimentos, garantindo os direitos das mulheres campesinas e assumindo e pondo em prática as suas alternativas.
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