De manhá, de tarde ou de noite, nas ruas e nas casas, nos postos de trabalho... todo o mundo participamos ou escoitamos estes días conversaçons sobre a folga que está convocada para o próximo 29 de Setembro. Nom estou a falar das horas e horas de campanha antisindical e antifolga, desenvolvidas polos medios de comunicaçom, preocupados por umha suposta violaçom do direito a ir a trabalhar, direito que se lhe nega em todo caso a mais de 220.000 na Galiza e catro milhons e médio de pessoas todos os días no estado espanhol, e por uns serviços mínimos, que ocupam o lugar que deveriam protagonizar os agentes convocantes da folga e o debate sobre a reforma laboral e das pensons, que tanto vai marcar as nossas vidas e o nosso futuro. Tampouco me estou a referir a esses tertulianos regurgitadores, na súa maioria, do prefabricado pensamento único, senom às conversas onde se discute se se vai a apoiar à folga, como se vai a organizar o día, que se opina dos sindicatos, e que esperança hai de cambiar as cousas ... porque isso sim, todo o mundo coincidimos de que a cousa pinta mal.
Se bem é certo que o meu pulsómetro de opiniom é bem reduzido, e que só se vê ampliado polas experiencias e comentários sobre outras conversaçons escoitadas pola gente que à sua vez fala comigo, vou dar o meu testemunho sobre o que levo vivido estes dias e que se condensa numha soa frase “O DEREITO À FOLGA NOM EXISTE NA MAIORÍA DOS POSTOS DE TRABALHO”, e só, a valentia e convicçom de muitos trabalhadores e trabalhadoras vai fazer possível que o 29S podam cumprir-se minimamente os objetivos de mobilizaçom.
Os tertulianos e algumhas tertulianas, todos estes días vozeavam que se os sindicatos conseguiam parar o transporte público, a folga estaria ganhada, dando a entender que era doado acadar o seu objetivo, como dicindo “assim qualquera fai umha folga geral” , quando em realidade, o destacável é que só no sector público e tamém, ainda que em menor medida, na grande empresa que concentra um número significativo de empregados e empregadas num só centro de trabalho, com comités de empresa fortes, com anos de experiencia organizativa, os trabalhadores e trabalhadoras podem ir à folga com um mínimo de garantías. No resto de empresas, quitando honrosas excepçons, a chantagem, a coacçom, o medo ao despido e às represálias, estám instaurados no dia a dia da vida dos trabalhadores e trabalhadoras.
Este é o verdadeiro termómetro democrático da sociedade que temos neste momento. A reforma laboral, a reforma das pensons, as medidas económicas... nada disto estava nos programas eleitorais dos partidos, e menos do partido que exerce no governo espanhol. Todas estas medidas forom inspiradas e exigidas por organismos internacionais (FMI, BM, Comissom Europeia...) que nunca fôrom elegidos democraticamente e nunca pugérom baixo a soberania popular a aprovaçom das suas políticas de “reajuste estrutural”.
Se preguntamos à maioria das pessoas em idade de trabalhar se quere que se aumente a idade de jubilaçom, a resposta seria maioritariamente negativa. O mesmo sucederia se se pergunta polo modelo de despedimento, polo tipo de contrato, polo salario mínimo, pola quantia das pensons, …
Outra pergunta que aclararia muito a situaçom seria a consulta sobre a banca pública, ou em que medida tenhem que aportar ao benestar social as grandes fortunas. E como essa, outras muitas que realmente fixeram aumentar a participaçom cidadá na aprovaçom de políticas públicas que tanto influem na vida e saúde das pessoas. Porque estamos falando da diferença entre viver umha vida laboral tranquila, enfrontando só os problemas que vam xurdindo dia a dia, que nom som poucos, derivados da própria atividade laboral, e o viver como se vive agora, por umha importantíssima porcentagem da classe trabalhadora, co medo ao despido, sem esperança pola escassez de emprego e aturando humilhaçons e chantagem, unido a prolongadíssimas jornadas laborais que já está tendo um efeito devastador nesta geraçom em quanto a enfermidades, acidentes e esperança de vida ...
Todo isto se desprende das conversas destes dias “se vou à folga, o xoves me chamam à oficina e dam-me o finiquito”; “agardaremos aos piquetes, fechamos e logo volvemos a abrir, isso é o que nos mandam”; “se perdo o posto de trabalho a onde vou?”; “como aqui tenhem moi difícil que poidamos vir trabalhar, obrigarom-nos moi amavelmente a colher vacacións”... Isso é o que hai, e me ratifico NOM EXISTE O DIREITO À FOLGA.
Dos sindidatos, das suas políticas, do que temos que cambiar em todos eles, nos nossos e nos que nos som alheos... hai que falar depois do 29S, agora unidade, unidade, unidade sindical fronte ao Capital.
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domingo, setembro 26, 2010
sábado, setembro 25, 2010
Cigana
Saudei a umha família cigana que aguardava, caída a noite, em urgências, no ambulatório de Ferrol. Chamárom à cigana máis velha, da minha idade, e mentres aguardávamos intercambiamos informaçom familiar para pôr-nos ao dia pois havia tempo que nom conversávamos. Apareceu a mulher, vestida completamente de negro, dizendo que era verdade o que ela suspeitava, tinha a tensom polas nubes. Colocárom-lhe duas pílulas debaixo da língua e mandárom-lhe aguardar. Sabiam-lhe mal, e como puído, convenceu à filha para que leva-se à mais pequena a casa. A nena tinha sono e havia que ir à escola ao día seguinte. Deu, no seu característico castelám dialectal, as indicaçons precisas. Que nom se pelee co irmao, saca-lhe ti a roupa para deitá-la, que nom a molestem ... Logo ficou soa, ao meu lado, totalmente em silenço com os seus pensamentos, apertando a boca com um pano. Pouco a pouco aquele corpo tenso começou a relaxar-se... Estás melhor? Dixem engadindo o seu nome. Ela afirmou, e começou lentamente a relatar o porque estava ali. “Já mo dixo a doutora, que che passou para vir asi? Som as preocupacións polos filhos... Desde os oito anos trabalhando... lavando a roupa que nos metíamos na auga até aqui (sinalando o vam)...logo loitando co home, fiquei viúva aos vintedous... saquei os filhos adiante...e agora querem boa ducha, boa limpeza na casa, comida... e só tenho umha paga de trescentos euros, e o meu filho, ti o conheces, como está com essa merda pom-se moi agressivo e molesta à gente ... e eu me ponho moi mal com todo isso... que já lhes digo que vaiam à marea, porque eu iria, co meu caldeirinho, mas nom podo, tenho vertigos e artrite... e é que o corpo nom aguanta mais...”
Dixérom o meu nome. Quando saim da consulta chegavam de novo a filha e a nora para recolhe-la. Saudei desexando melhoría, mas eu sabía que efectivamente aquel corpo estava rendindo-se, e ademais outra merda muito máis perigosa vai achegando-se pouco a pouco, e acavará enfermando ainda mais à sua família. Viaja desde o leste, e como umha nova peste vai avançando por Europa, mostrou já o seu rostro máis amargo em Alemanha e em Itália, agora está moi perto, na Franza de Sarkozy ... e onte, Antena 3, infectava co vírus maligno do racismo, unha sociedade que, igual que os montes que temos cheios de maleza, sem coidar, com um pequeno lume, arderá violentamente e sem remédio. E nom ponhem médios, nem orçamento, nem políticas que nos livrem del. Só para afrontá-lo, contamos co pouco de consciência, compromiso e valores de esquerda que poidam quedar em nós.
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segunda-feira, julho 12, 2010
Querem roubar-nos os filh@s outra vez

A “Lei de apoio á família e á convivência ” que aprovou o parlamento galego, vai subvertir o espírito da “Lei de Reproducçom Sexual e Reprodutiva e da Interrupçom Voluntária do Embaraço”, que regula entre outros o direito ao aborto.
O debate nom fica já só na obxecçom de conciência na sanidade pública, ou os recursos escassos a dia de hoje, em médio do processo privatizador e recortes orçamentários dos serviços públicos. Tampouco chega com falar de se estám ou nom bem protegidos os direitos das adolescentes, mesmo que casos ficariam fora da lei e teriam que seguir buscando noutros países o que aqui se lhes nega. Nem é suficiente já falar da excessiva desconfiança sobre o raciocínio das mulheres, que tantos antecedentes históricos tivo, veja-se para exemplo, os debates sobre o direito ao voto nos distintos parlamentos ou na prensa de época. Mais umha vez se exigem três dias de reflexom, umha vez que as mulheres acodem a solicitar a prestaçom. O nosso sexo é irresponsábel e irreflexivo, é por casualidade que passamos por alí, pola consulta, para solicitar nos seja practicado um aborto.
O debate e a realidade volvem ao tempo preconstitucional, por nom dizer ao franquismo. A maioria que ostenta o PP no governo galego, impom o direito do feto, sobre o direito da mulher, dando-lhe personalidade jurídica independente. Esta lei ademais abre as portas a organizaçons como Red Madre, para receber subsídios públicos e protagonizar o espaço de informaçom e formaçom às mulheres gestantes. Labor para o que estám deslegitimadas se queremos garantir a liberdade de consciência e de eleiçom que promove o marco constitucional, que o partido que governa Galiza di defender. Como pode ser que unha organizaçom que fala de que o aborto é um assassinato, e como consecuencia, as mulheres que abortamos somos assassinas, poda formar parte na elaboraçom e contido desse sobre informativo que vam receber, sei que para favorecer a reflexom que promove a Lei do aborto, as mulheres que solicitem essa prestaçom sanitária? Onde está assegurada a liberdade para eleger das mulheres? Onde está garantida a maternidade livre e responsável?
O feminismo nom nasceu para dizer-lhe às mulheres se tenhem que ser nais ou se tenhem que abortar. O feminismo conformou-se hai dous séculos como movimento social para conseguir que as mulheres recuperaramos o direito a decidir em todos os ámbitos. As organizaçons enmarcadas dentro do que se denomina o movimento Pro-Vida, tenhem um objectivo: obrigar mediante pressom psicológica às mulheres e às nenas, mesmo tenham dez anos como já se deu o caso, a que levem a termo o seu embaraço ainda que nom o desejem, ou como no caso das nenas, ainda que seja algo tam cruel.
Falando de crueldade, a lei galega pom mais de actualidade as desapariçons e raptos de nenos e nenas de famílias republicanas por parte de organizaçons que formavam parte do sistema franquista, como o Auxilio Social ou Falange. Estes casos denunciados ante o juiz Garzon, forom investigados e documentados polo historiador Ricard Vinyes. Nos cárceres, se separava às mulheres republicanas dos seus filh@s dos que nom volviam a ter noticia. As nenas em moitas ocasions eram entregadas e recluídas nos conventos, onde acabavam por renegar da sua família. Sabe-se de casos de rapto quando estas crianças eram acolhidas por famílias republicanas exiladas. O número de crianças separadas das suas famílias ascende a 12.000 segundo um informe da própria Falange Espanhola de 1949.
Os descendentes ideológicos destas organizaçons fascistas, querem apropriar-se mais umha vez das nossas crianças. Som as que agora aprovárom coa lei galega a potenciaçom da adopçom e acolhida dos filhos paridos por aquelas mulheres e nenas, que estas organizaçons vam acompanhar tam amavelmente, até que param. Justificam todo isto argumentando que tomar umha pastilha no teu centro de saúde para interromper um embaraço de poucas semanas de gestaçom, cria mais sequelas psicológicas que gestar durante nove meses, cos seus correspondentes dias e as suas correspondentes noites; passar as horas de trabalho de parto e conseguinte recuperaçom pós-parto e entregar à criança que acava de nascer a pessoas alheas. Tudo isto dim que nom coleva nengumha marca dramática na saúde mental das nenas e mulheres gestantes.
Mais umha vez nom se permite que as mulheres vivamos a maternidade como um proxecto que forma parte da nossa vida, e como outros, deve ser livremente elegido. Converte-se mais umha vez, numha penitencia que nos acompanhe ao longo da nossa existência, onde as pantasmas dos filh@s gestados e paridos, e logo entregad@s, aumentem a caricatura de nós mesmas como malas mulheres e malas nais, vitimas, ponhamo-nos como nos ponhamos, do nosso desejo sexual, que ao fim e ao cabo, assim o patriarcado deixou-no dito nas sagradas escrituras de todas as religions monoteístas e politeistas, foi a origem dos males da Humanidade.
Essas mesmas organizaçons vam ser as encargadas de inxectar no curriculum educativo a necessária formaçom nas conciencias máis jovens para educar nos valores da maternidade, nom como algo livremente elegido, senom como o túnel do medo e terror que acompanhe sempre as relacións sexuais como umha das súas inevitábeis consecuencias, ainda que prometem levar-che ao “mundo feliz” , se te deixas acompanhar de estas santas senhoras e senhores da beneficencia.
Só numha cousa tenhem razom, as mulheres com menos recursos nom podem decidir com liberdade levar a termo a súa maternidade. Tenhem também dificuldades para aceder de jeito gratuito a umha interrupçom voluntaria. Mas nom som estas organizaçons, nem os seus representantes políticos, as que vam a garantir a estas mulheres, e as mulheres em geral, umha maternidade protegida, tampouco está nesta ideia o governo galego. As políticas de recorte dos direitos sociais, a privatizaçom dos serviços públicos, as condiçons de trabalho que se formulam desde a Comissom Europeia e os organismos internacionais como o FMI e o BM, e que alimentam os mercados de especulaçom financeira, vam no caminho contrário ao que precisamos as mulheres para ter garantidos os nossos direitos.
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terça-feira, maio 25, 2010
24 de Maio, fagamos outras contas
O debate gerado polo plano de recortes aprovado polo governo de Zapatero, e que está no centro de atençom informativa e no debate social, tinge dunha cor especial a celebraçom do Dia Internacional das Mulheres pola Paz e o Desarme. Um dia que o movimento feminista aproveita para denunciar a situaçom das mulheres que vivem baixo conflitos armados. No nosso país a Marcha Mundial das Mulheres organizou projeçons de filmes que visibilizam estas situaçons.
Mas, mais aló das análises e denúncias da situaçom das mulheres vítimas da guerra, a celebraçom deste ano está vinculada à economia. Num momento político onde em toda Europa se estam aplicando recortes sociais e de direitos, ditados polos grandes organismos financeiros, cumpre conhecer e divulgar um outro modelo económico que permita construir outra realidade, e que parta da ideia de que a guerra nom é negócio, a guerra é um crime contra a Humanidade.
Estes dias puidemos analisar como os recortes sociais nos afeitam diretamente às mulheres. Temos no sector público, o sector máis afectado, umha oferta de trabalho em pé de igualdade. Nom temos que passar o filtro dos estereotipos machistas que imperam na empresa privada. Somos umha porcentagem elevada do funcionariado, concretamente somos maioria trabalhando para a Administración General del Estado. Seremos pois afetadas pola reduçom salarial. Mais obio é o efeito que terá nas mulheres a retirada do "cheque bebe". As pensons ou os recortes na lei da dependência som medidas que quando menos, suponhem um freio nos avanços para a incorporaçom laboral das mulheres e um afundamento na feminizaçom da pobreza.
As feministas temos que unir as nossas vozes a aquelas outras que estám reivindicando um novo jeito de gestionar os recursos, o comum, o público. Agora sabemos, porque hai gente que botou as contas, que hai outro jeito de ajustar o gasto público. Um jeito que permitiria ir construindo um novo modelo socioeconómico e afastando o negocio da guerra das nossas vidas, ou dito mais corretamente, conseguindo reduzir as possibilidades de que alguém se lucre co crime da guerra.
Se se retirassem as tropas espanholas de Afganistam, conseguiria-se o mesmo aforro nos orçamentos públicos que congelando as pensons. Se se congelam os 1.400 milhos de euros previstos para investimento em armamento, poderiam ir no lugar dos 500 milhos das pensons, mais os 670 euros da reforma das prestaçons por dependência. Ademais estam as grandes compras de armamento, 10.795 milhos de euros a investir até o 2024 no aviom de combate Eurofighter, e 1.353 milhos para os 24 helicópteros de combate Tigre. Outras quantidades mais pequenas, mas que somam também, som as investidas na guerra por controlar a explotaçom dos recursos pesqueiros nas augas de Somalia. A operação Atalaya contra os "piratas", na sua primeira fase custou 53 milhos de euros, e pensa prorrogar-se até o 2011.
Todos estes recursos para destruir a vida das pessoas e do planeta deveram ser desviados para investi-los em manter a vida e os cuidados que esta precisa. Neste 24 de Maio, o dia das mulheres que queremos a paz e o desarme do planeta, dicemos que se podem fazer outras contas, umha contabilidade que garanta o básico para todas as pessoas e limite a riqueza. Tam singelo de dizer como de fazer. Querer é poder.
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quarta-feira, maio 12, 2010
A realidade supera a ficçom

Se alguém nos dixera hai uns meses, que um aviom com motores avariados por umha nuvem de cinza volcánica, poderia precipitar-se sobre a planta regasificadora de Mugardos, tomariamo-lo como tolerias dumha pessoa trastornada ou de muita imaginaçom. Mas a dia de hoje, os aeroportos fechados, voos cancelados e umha vigilancia constante dessa nuvem de cinzas que nom acouga, forma parte da nossa realidade.
Umha das cousas que aprendim desde que me interesso polo funcionamento das plantas regasificadoras, é que a probabilidade de acidentee nunca é cero. Pode ser mais alta ou mais baixa, mas nunca é cero. Eis o porque das leis e normas de seguridade. Eis o porque, essas próprias leis e normas cambiam umha e outra vez, sacando aprendizagens, muitas vezes doorosas e trágicas dos acidentes. Também sei que o primeiro inimigo destas normas é o máximo benefício. As normas de seguridade levam acarreado custes, relentizam cos seus protocolos a produçom... mas salvam vidas.
Nestes dias um incêndio em Forestal do Atlántico puido provocar o temido efeito dominó, pois sucedeu ao tempo que descargava um gaseiro. É umha dessas coincidências que quem promoveu e permitiu que Reganosa seja umha realidade na Ria, nom tivo em conta.
Som muitas sinais em pouco tempo. Estamos jogando a umha roleta rusa, co cálculo de probabilidades, porcentagens e estatísticas. Cada nova incidência, cada novo sinal no triángulo mortal mugardés (Forestal, Imegasa, Reganosa) som oportunidades perdidas para tomar decissons que podam salvar-nos a vida, librar-nos a nós e a nossa gente querida da tragédia.
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segunda-feira, maio 10, 2010
Celebrando a nossa Língua
Como todos os anos, na Praça Rosalia de Castro do Concelho de Ferrol, haverá umha homenagem à nossa Língua na figura da precursora da recuperaçom das nossas letras. Em anos anteriores, e em regime de auto convocatória, várias organizaçons e colectivos sócio-culturais coincidíamos o 17 de Maio neste pequeno acto. Este ano, com tantos ataques para a nossa Língua, está convocada pola Plataforma Queremos Galego, umha manifestaçom nacional que apoia o nosso colectivo sócio-cultural. É polo que, nos animamos a tomar a iniciativa de impulsar a convocatória para a Praça de Rosalia trasladando-a para o sábado 15 às 18hs, mantendo o regime de auto convocatória.
Todas as associaçons e colectivos sócio-culturais podem intervir no acto com comunicados, poesias ou outras intervençons. As pessoas a título individual também podem fazê-lo, e desde a Revolta convidamos a quem assim o deseje a assistir co traje tradicional como um outro jeito de reivindicar a nossa identidade.
GALICIA será a miña xeración quen te salve?
Irei un día do Courel a Compostela por terras liberadas?
Non, a forza do noso amor non pode ser inutil!
Uxio Novoneira
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Irei un día do Courel a Compostela por terras liberadas?
Non, a forza do noso amor non pode ser inutil!
Uxio Novoneira
quinta-feira, maio 06, 2010
Loitar em tempos revoltos
Umha situaçom de confusom geralizada semelha estar consolidando-se nos últimos meses na nossa sociedade. Pouco a pouco o medo e a incerteza sobre todo relacionados coa situaçom laboral, vam atacando a resistência que freava o pessimismo, e vai-se assentando a depressom colectiva e a desconfiança. Unha depressom que hai umhas décadas viveramos já na comarca de Ferrol Terra, depois de que a loita contra a reconversom dos estaleiros, acabara em derrota psico-social. Umha depressom colectiva que nom curou, só se paliou cumha perda de populaçom que converteu à comarca e nomeadamente à cidade de Ferrol, num lugar envelhecido e mesmo condenado ao esgotamento político e social. E assim medrou também a gente nova de Ferrol nestes anos, escoitando e reconhecendo-se numha melodia que dizia que este era um sitio de derrotas, mas que havia que ficar aqui. Desobedecendo o mandato, muitos e muitas acabárom marchando.Os fenómenos meteorológicos e geológicos, estám ajudando a aprofundar na impressom de que imos cara a um abismo. A informaçom sobre fenómenos naturais, ocupa agora um espaço importante dos informativos, como tem que ser. Mas sempre sem analisar, que parte hai de natural, e que parte poderia ter-se evitado, das desgraças que acompanham estes fenómenos, como em Haiti, Madeira, Chile, Turquia. China, Islándia... A nós já nos tocou algo. Nos últimos tempos, vivemos o dramatismo do Klaus, e paralisou-nos o medo ao Xhintia. Com o Klaus sentimos a incomprensom de quem a poucos quilómetros nom sofriam as suas consequências. Com o Xhintia a incomprensom puxemo-la nós, mas que aprendemos?
A vida chama todos os días à porta e hai que ir trabalhar, ou buscar emprego, estudar, atender as necessidades diárias, estar pendente das pessoas queridas e mesmo acudir a umha que outra actividade social. Mas a vida nom está a fluir com normalidade. A nossa respiraçom colectiva é cortada e agitada. Nom sabemos cara onde vai o mundo, e como nom sucedia desde havia muito tempo, agora nom sabemos o que vai ser de nós a um ou dous anos vista. Case todo o mundo sinte que antes ou depois, a terra que pisa vai começar a se mover, também no senso literal. As vozes da direita aproveitam a incerteza para lembrar-nos o bem que vive o povo sem vontade, sem ter que pensar e decidir, o bem que se vive se te tutelam. Assim declaram as bonanças do passado. Todo, dim, deveria volver ao de antes, ao branco e gris da época onde se marcava até a rúa pola que deverías andar moceando, e o longo da saia, definia a altura moral da mulher que a portava. Nom havia nada que aguardar, nada que pensar, nem um sobressalto ía romper a triste monotonia dos cantos litúrgicos ou da tabla de multiplicar. Cada quem sabia o seu lugar e o que tinha que fazer.
As vozes da esquerda pola sua parte, estám enfeitizadas polos cantos das sereias. O discurso de que a culpa de que nom saiamos da crise é dos sindicatos, porque nom dam entrado na reforma laboral que se precisa, ganha adessons. Puidemos escoitar na Cadena Ser o sábado 1º de Maio, como se defendia a congelaçom dos salários do funcionariado entre os contertulios e ninguém punha o contraponto. O mesmo passou quando se falou da jubilaçom aos 67 ou doutras medidas de recorte de direitos laborais. Umha e outra vez repetiam que os sindicatos tinham a culpa, porque nom sabiam explicar-lhe bem aos trabalhado@s todas estas medidas modernizadoras e preventivas para que o sistema nom creve.
Alguns sindicatos estám na negociaçom dumha reforma laboral. Acudem a essa negociaçom numha posiçpm de debilidade. Nas poucas declaraçons públicas que permitem escuitar os monopólios da informaçom, transmitem o síndrome da vítima de maltrato “vou calar para que nom se enfureça”, assim levam as negociaçons, sem luz nem taquígrafos, dando vantagem aos especuladores, que pretendem sacar o máximo beneficio desta crise.
É verdade, os sindicatos nom estám explicando bem as cousas. Nos discursos deste 1º de Maio, nom se explicou o que está a passar em Grécia, ou as consequências negativas dos informes das agencias de rating, como Standard & Poor's. Por certo, interei-me ainda estes días que só hai tres no mundo, duas norte-americanas e umha inglesa, mas que tenhem o poder de baixar ou elevar, segundo os seus informes, os juros da débida pública dos estados. Os sindicatos nom mobilizarom para que se acabe com esse oligopólio e se criem agencias públicas, como também deveria criar-se banca pública, e emprego público. E mentres nom chegamos a estes objectivos, os sindicatos deveriam marcar no dia a dia da classe trabalhadora que realidade alternativa podemos construir desde já. Tendo em conta a frase que iluminou o reagir do Feminismo na década dos setenta “O Privado é Político”, os sindicatos, como movimento social transformador, deveriam dar alternativas para o cotidiano, por exemplo, que fazer coas hipotecas ou os alugueres, onde meter os aforros, como mercar para debilitar o poder das multinacionais, que cultura consumir para fortalecer a ideologia de classe e cargar-nos de argumentos fronte ao capitalismo que ameaça com deglutir-nos a nós e ao planeta, que como bem ensinam em Bolivia, todo é a mesma cousa.
Mas, a gente que conformamos os sindicatos, que estamos nos centros de trabalho, que ponhemos dirigentes ou os sacamos, ou todo o contrário, estamos em disposiçom transformadora ou simplesmente aprendimos um discurso e apoiamos um modelo social, que nos permite seguir agarrando umha parte do pastel mentres milhos tenhem só as faragulhas? Em Grécia, a unidade sindical convoca a folga geral. Só estamos em disposiçom de aparcar o que nos separa quando vemos o tsunami arrasando-nos? Nom podemos tecer redes de uniom que nos amparem antes?
Mentres, os donos da tarta, querem aproveitar-se de que imos subindo a escaleira coa luz apagada, às apalpadas. A confusom das palavras nos discursos que explicam a crise económica, que falam dos problemas sociais, que alarmam sobre os cámbios no clima, som como guedelhos que se liam nos nossos pés e convertem em mais torpes aqueles passos que imos dando para superar cada escano. Imos virando às costas a quem nos representou no seu día e hoje, nos traspasa co seu discurso, sem provocar em nós nem umha pequena emoçom. Tampouco somos quem de pôr nomes e apelidos a quem montou este barulho. Deveríamos pechar-lhes as nossas casas, os nossos coraçons e as nossas vidas. Rechaçar o seu mercado, os seus empréstimos, o cacho de paraíso que nos querem vender. Fazê-los avergonhar nos seus despachos, nos seus clubes privados, nas portas dos seus templos. Queremos e devemos conhecer e sinalar aos seus representantes nos assentos dos seus escanos, nas redacçons dos seus diários ou nos tribunais onde ditam sentência.
Som os usurpadores de direitos. Som os sanguesugas do trabalho alheo. Som os ludópatas do casino-planeta. Intentarám apertar para que trabalhemos mais, descansemos menos, para que morramos antes, para que nom haja ninguém que nos coide quando o precisemos, para que sobrevivamos entre o lixo que vam produzindo e estrando. E sobre todo, faram o impossível para que nom saibamos, que nom comprendamos o que estám a fazer, e nom saibamos que hai outro jeito de viver sem eles. Por que Grécia tem que vender as súas ilhas? Quem pode mercalas? Para que? Por que se limita o salário mínimo, as penssons, a idade de jubilaçom, o tempo de subsídio e nom se limita a riqueza? Nom é esta umha pergunta sinxela? Pois logo, terá doada resposta.
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terça-feira, abril 27, 2010
A guerra dos corpos
Artigo publicado na revista "Atenea" do mes de Março, editada polo Ateneo Ferrolán.Escoitamos falar da guerra que se livra polo controlo dos recursos energéticos, a mais descarnadamente directa, que bombardeia, assassina, destrue países inteiros. Escoitamos também a diário, falar da guerra contra o terrorismo, que é a bandeira que se ondeia como escusa para desatar essas guerras de destrucçom. Mas também sabemos da que se livra polo controlo do espaço. Os satélites amoream-se porque também formam parte da guerra polo controlo da informaçom. A guerra tecnológica tem na espionagem e sabotagens, as suas melhores armas, fronte aos primeiros brotes de tecnologia conseguida baixo sistemas de criaçom livre e colectiva. Mas a guerra que se livra no corpo das mulheres, só se visibiliza nalgumha das suas expressons, e nom se analisa como um todo global que persegue, o mesmo que no caso da energia, e os recursos naturais, o controlo da potencialidade do corpo e a mente das mulheres, e o poder simbólico que ao longo dos tempos jogou para manter os poderes religiosos, políticos ou de supremacia dumhas culturas sobre outras.
A guerra nos corpos das mulheres tem umha das batalhas mais virulentas no controlo da sua capacidade reprodutora. O aborto voluntário é o cabalo de batalha dos poderes religiosos das distintas confessons, e tem no conservadorismo político o seu maior aliado. Vai associado a outros objectivos como som a capacidade de controlo por parte das mulheres da maternidade, e a potencialidade sexual e em geral, de autodeterminaçom das mulheres, extendida a todos os aspectos e momentos da sua vida. Atinge a todas as mulheres e todas som vítimas ou de criminalizaçom e repúdio social, ou de condenar-se de por vida a umha existência ajustada a normas morais que sacralizam a desigualdade, a dor e a abnegaçom de obrigado cumprimento, nom de livre eleiçom.
Esta batalha, que tivo umha primeira parte, exitosa para as mulheres em quanto abriu novos espaços de direito, na década dos setenta do século passado, revive agora em todo o planeta, também na Europa do século XXI. As mulheres que temos abortado voluntariamente, somos acusadas de assassinato desde os púlpitos, e desde os médios de comunicaçom que, faltando ao código deontológico mais básico, fam de altifalantes da Conferencia Episcopal sem, salvo contadas excepçons, colocar quando menos, ao mesmo nível a argumentaçom e a presença das defensoras dum direito fundamental como é a soberania do próprio corpo. E todo isso sem que essas acusaçons diárias de assassinato, tenham nengumha conseqüência. Só umha conjuntura política que mantém em certas estruturas do poder político a feministas, novas e velhas, falo da Ministra de Igualdade, mas também das suas assessoras, fam possível que se avance nos direitos das mulheres e das moças. Umha conjuntura que pode virar em qualquer momento.
Ainda desde sectores progressistas, como se dumha purgaçom de culpa se trata-se, dramatiza-se o aborto, falando dumha decissom difícil, de um trago amargo ao que as mulheres se tenhem que agarrar como última opçom, quando um aborto, nas primeiras semanas de gestaçom, que é no que se realizam a imensa maioria, poderia ser umha intervençom de ambulatório, sem mais trascendência. O que é um trago amargo é passar por abortos clandestinos onde as mulheres que nom perdem a vida, podem ficar com lessons para sempre. É um direito traer umha criança desejada a este mundo, e também é um direito vir a este mundo como um ser desejado, porque alguém quere dar-che a vida e comprometer-se contigo para sempre.
A ofensiva nom é exclusiva da hierarquia católica espanhola, nem sequer da hierarquia católica assentada no Estado do Vaticano. O integrismo religioso, evangelista, islámico, budista, judeu, batalha polo poder no útero das mulheres. Somos expulsadas do nosso próprio corpo, para viver para sempre baixo um poder alheo. Em EEUU mesmo se assassina a médicos que praticam abortos. Em Polónia, onde o aborto é ilegal e só se permite nuns supostos moi restritivos, umha campanha associa nestes dias, nas vaias publicitárias, o aborto com Hitler, pretendendo concienciar à povoaçom da necessidade da ilegalizaçom total. Em Nicarágua, depois de ter conseguido a lei mais avançada em América latina, no século passado, baixo o governo Sandinista, fortemente tutelado pola hierarquia católica, aprovou-se a proibiçom total. E assim em todo o planeta, alzan-se vozes em defessa dum “código genético que pode chegar a ser pessoa”, presente já no momento da fecundaçom do óvulo, mentres a Injustiça e a Desigualdade, seguem devorando seres vivos, arrincando do colo das suas nais a seres indefensos ante a guerra, a fame e a pobreza.
Outra fronte de batalha é a que condena às mulheres a ser as portadoras do símbolo cultural dos povos. As mulheres portamos a esência da cultura ou da religiom, seja nos costumes associados a momentos importantes da nossa existência, nascimento, morte, emparelhamento ... ou no nosso jeito de mostrar-nos ao mundo, bem na vestimenta ou no espaço que ocupamos, ou na nossa linguagem corporal. Muitos países que tinham esquecido o uso do velo nas mulheres, recuperam assim este costume para marcar umha diferença cultural e religiosa, em oposiçom aos símbolos ocidentais de permissividade na vestimenta das mulheres. A resistência ao Império, que invade e usurpa os seus territórios e recursos, com cruentas guerras, é expulsado do corpo das mulheres , onde se instala a esência do islamismo cultural e político, e também da identidade diferenciada das mulheres fronte a identidade das mulheres que vivem baixo os desígnios das normas imperiais.
Também, o Império, baixo a desculpa de liberar o território do corpo das mulheres, dos seus velos de opressom, justifica guerras como a de Afganistam, com extensons nom tam directas, mas sim igualmente devastadoras em Paquistam, Bangladês, Iemem, ou o mesmo Iram. Cada medida repressora ou limitadora em ocidente do uso da vestimenta simbólica, nom vai conseguir o efeito libertador que presumivelmente se persegue. Antes bem, cargara-se mais de simbolismo na medida que seja foco de atençom nas sociedades dominantes. Sociedades que, co seu poder político, militar e económico fixérom emerger, fronte a movimentos laicos e democráticos, um forte sentimento identitário que vê nos integrismos religiosos, umha resposta às agressons que padecem constantemente.
As mulheres em ocidente sofremos os nossos bombardeios mediáticos para que nos esforcemos para dar a medida do corsé que estigmatiça as enrugas, as canas, passar dos centímetros e quilos estipulados, ou ficar curta. O êxito das operaçons estéticas, a todas as idades e em todos os sectores sociais, com algumha diferencia marcada sobre todo polo poder aquisitivo, visibiliza esses outros velos, nom impostos por hierarquias religiosas ou políticas, mas sim por um patriarcado que segue a ter a vara de medir o corpo das mulheres, e a maneja, neste caso, ao ritmo que precise o mercado. Operaçons de peitos, de lábios, de nariz, liposuçons, reconstruçom de himens e na última fornada, operaçons de reducçom dos lábios da vulva.
Neste ambiente belicista, a prostituçom é a nai de todas as batalhas no corpo das mulheres. O importante nesta batalha nom é se as mulheres optam voluntariamente ou nom, a vender uns serviços sexuais, poderíamos entóm pôr fim a esta guerra simplesmente perseguindo um delito de rapto e escravitude laboral. Tampouco se trata de se com essa actividade se lucram proxenetas, ou as conexons destas redes co tráfico de armas ou estupefacientes. Sabemos de delitos contra a Humanidade de grandes Coorporaçons Económicas, ou mesmo o que supom a fabricaçom e venda de armamento. A prostituiçom, forçada ou nom, simboliza o domínio, mediante compra, dos corpos das mulheres, o afianzamento dumha sexualidade, que deita no mesmo leito a satisfacçom e livre decissom das partes (suponhendo que estas existam), coas leis do mercado, e um modelo sexual alienado coa opresom. Eis a iniciaçom sexual de miles de moços no nosso tempo. Analfabetos nas relaçons afectivo-sexuais que afiançam estereótipos machistas nos prostíbulos, onde triunfa a sua masculinidade no espelhismo do cerco e conquista facilitado polos euros.
Este ano lembramos o centenário da celebraçom do 8 de Março, como umha data de reivindicaçom dos direitos das mulheres. Volvíamos umha vez mais a vista atrás, para admirar ainda mais as loitas das mulheres sufragistas. A sua batalha foi polo direito ao voto. Por conseguir o que os nossos companheiros revolucionários franceses nos negárom na constituiçom da Primeira Repúbica de 1792. Se pensamos na batalha desatada no corpo das mulheres, temos que respirar profundamente e ser conscientes dos retos que temos por diante para conseguir a soberania sobre os nossos corpos. O feminismo que pretende transformaçons sociais de tanto calado, longe de ter conseguido avanços importantíssimos, semelha que como umha criança, só começou a dar os primeiros passos.
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