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quinta-feira, maio 31, 2007
Hoje foi um dia moi duro
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quinta-feira, maio 10, 2007
Botárom lixo no meu verde jardim
Comecei a minha faixa, escolhim cores moi vivas e um lenço firme, que terme, como umha vela do vento que zoa quase sempre nas minhas janelas cara à Ria. A minha casa sinala à direita, na outra banda, à planta regasificadora de Reganosa. Por isso ainda que queira, nom podo mais que pensar nela um dia sim e outro também. Sílvio Rodríguez soa na minha cabeça "han tirado basura en mi verde jardin, si descubro al culpable de tanto desastre lo va a lamentar".
Estes días especialmente intensos reconciliarom-me coa minha cidade. Umha cidade que parecia estar resignada a viver enxurrada. Umha cidade que com cada maré adormecia ou acordava ao cheiro dos seus própios escrementos. Mas a minha cidade está viva. Escuitei umha frase que nom sei bem a quem pertence, mas que di "as pessoas nom vivem em sociedade, construem sociedade para viver". A minha cidade está viva porque ante umha ameaça como a que representa REGANOSA construe um movimento cidadá de autodefesa. Um movimento que se ergueu hai mais de seis anos, mas que nestes quatro últimos dias conseguiu um dos momentos mais emotivos vividos a nível colectivo na cidade. As concentraçons no peirao de Curuxeias, a saída dos barcos, o seu regresso co froito recolhido arrincando aplausos e opai! das pessoas que os agardavamos... ainda que ao fim o gaseiro entrou. Ganharom, como soem ganhar-lhe em Ferrol, a quem se organiza contra as injustizas, pola força. Mas é triste pensar que detrás dessas ordes e detrás dessas decissons já nom estám os de sempre, agora estám os de sempre e alguns mais. Triste é reconhecer que alguns som amigos e amigas, ou velhos camaradas militantes noutras barricadas. Triste é escuitar umha frase repetida até fartar "em Ferrol esta-se criando um clima de inseguridade que vai fazer que o empresariado fuxa coas suas inversons a outra parte", e que essa frase nom saia da boca dos de sempre, senom dos de agora. Triste é que o "desarrollismo" dos anos sesenta se instale na Conselharia de Industria, mentres o mundo fai, mais decididamente que nunca, umha condena do modelo económico que o inspirou.
Nom sei que tipo de pactos podem desembocar num despropósito tam grande como é nestes momentos a planta de gás do concelho de Mugardos. Nom sei que tipo de políticas avalam um apoio sem medida a um grupo empresarial que nunca se destacou polo seu contributo ao bem comúm. Nom sei que tipo de políticas avalam um fazer os ouvidos xordos ante tanta voz do movimento cidadá que alerta do perigo para a cidadania. Nom sei que tipo de políticas avalam o considerar que a ameaza da planta de gás queda superada polo interesse estratégico que tem.
Nom sei. Mas o que sim sei é que essas políticas nom me representam, e o dia 27 irei dar o meu voto pola Ria, pola vida, por essa cidade viva e nom escrava dos pactos e os interesses económicos.Esta cidade coa que me reconciliei estes días, onde vemos caras novas e também velhas. Esta cidade onde a soldadura uniu as aristas que levamos cada quem ao lombo, para unir-nos porque está ameazada a nossa vida.
Estou pintando a minha faixa para pendurar da minha janela porque ainda queda muito caminho por andar. E coloquei o livro "Muros de silencio" ao pé da minha almofada, porque Henrique Barrera nolo recomendou hoje como um livro para a luita, que devemos estudar para ordear bem os nossos argumentos e seguir dando o debate por um modelo de desenvolvimento respetuoso coa vida e o meio. Do resto penso que está todo em marcha, quando menos já sei dumha nova cita cidadá no peirau, e umha nova reuniom do Comité de Emerxencia, e umha nova Asemblea Cidadá...
O xacimento romano da fotografia, estava sendo escavado por Patrimonio quando se decidiu construir a planta regasificadora. Os restos do xacimento, agora já desaparecido, estám na actualidade apilados em caixas.
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Estes días especialmente intensos reconciliarom-me coa minha cidade. Umha cidade que parecia estar resignada a viver enxurrada. Umha cidade que com cada maré adormecia ou acordava ao cheiro dos seus própios escrementos. Mas a minha cidade está viva. Escuitei umha frase que nom sei bem a quem pertence, mas que di "as pessoas nom vivem em sociedade, construem sociedade para viver". A minha cidade está viva porque ante umha ameaça como a que representa REGANOSA construe um movimento cidadá de autodefesa. Um movimento que se ergueu hai mais de seis anos, mas que nestes quatro últimos dias conseguiu um dos momentos mais emotivos vividos a nível colectivo na cidade. As concentraçons no peirao de Curuxeias, a saída dos barcos, o seu regresso co froito recolhido arrincando aplausos e opai! das pessoas que os agardavamos... ainda que ao fim o gaseiro entrou. Ganharom, como soem ganhar-lhe em Ferrol, a quem se organiza contra as injustizas, pola força. Mas é triste pensar que detrás dessas ordes e detrás dessas decissons já nom estám os de sempre, agora estám os de sempre e alguns mais. Triste é reconhecer que alguns som amigos e amigas, ou velhos camaradas militantes noutras barricadas. Triste é escuitar umha frase repetida até fartar "em Ferrol esta-se criando um clima de inseguridade que vai fazer que o empresariado fuxa coas suas inversons a outra parte", e que essa frase nom saia da boca dos de sempre, senom dos de agora. Triste é que o "desarrollismo" dos anos sesenta se instale na Conselharia de Industria, mentres o mundo fai, mais decididamente que nunca, umha condena do modelo económico que o inspirou.
Nom sei que tipo de pactos podem desembocar num despropósito tam grande como é nestes momentos a planta de gás do concelho de Mugardos. Nom sei que tipo de políticas avalam um apoio sem medida a um grupo empresarial que nunca se destacou polo seu contributo ao bem comúm. Nom sei que tipo de políticas avalam um fazer os ouvidos xordos ante tanta voz do movimento cidadá que alerta do perigo para a cidadania. Nom sei que tipo de políticas avalam o considerar que a ameaza da planta de gás queda superada polo interesse estratégico que tem.
Nom sei. Mas o que sim sei é que essas políticas nom me representam, e o dia 27 irei dar o meu voto pola Ria, pola vida, por essa cidade viva e nom escrava dos pactos e os interesses económicos.Esta cidade coa que me reconciliei estes días, onde vemos caras novas e também velhas. Esta cidade onde a soldadura uniu as aristas que levamos cada quem ao lombo, para unir-nos porque está ameazada a nossa vida.
Estou pintando a minha faixa para pendurar da minha janela porque ainda queda muito caminho por andar. E coloquei o livro "Muros de silencio" ao pé da minha almofada, porque Henrique Barrera nolo recomendou hoje como um livro para a luita, que devemos estudar para ordear bem os nossos argumentos e seguir dando o debate por um modelo de desenvolvimento respetuoso coa vida e o meio. Do resto penso que está todo em marcha, quando menos já sei dumha nova cita cidadá no peirau, e umha nova reuniom do Comité de Emerxencia, e umha nova Asemblea Cidadá...
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sexta-feira, março 16, 2007
Os gemelgos Kaczynski, a nova Inquisiçom polaca
A notícia da aplicaçom da Lei em Polónia pola que mais de um milhom de pessoas vam ter que declarar se colaborárom ou nom co régime comunista, é o sinal que fai saltar todas as alarmas ao respeito do caminho que vem tomando o estado polaco nos últimos anos. A aliança entre o
Partido Lei e Justiça dos gemelgos Kaczynski e o partido Liga das Famílias Polacas, está dando os seus frutos. Estám conseguindo criminalizar as práticas sociais, políticas ou religiosas que se apartem da linha integrista católica que pretende impor-se assim, coa lei e o medo, para criar, no meio da Europa que luita e trabalha polas Liberdades e a Igualdade, um estado confesional onde a moral católica-romana, tam beligerante cos direitos humanos, dicte as leis.
Sr Kaczynski, confeso que militei num tempo no partido comunista UPG, do que guardo luzes e sombras, mas no que me impregnei de valores como a Igualdade e a Solidariedade, que som valores comunistas, valores que inspirarom muitos cámbios sociais muito possitivos e que fazilitárom a criaçom no seio de estados capitalistas como o nosso do modelo chamado de bem-estar.
O aborto em Polónia é ilegal. As políticas de Planeamento Familiar som consideradas perjudiciais para a saúde, mesmo actua no país a organizaçom Farmaceuticos pola Família que se adica a recolher os escasos e carísimos preservativos e destruí-los. Às mulheres polacas
incitase-lhes a ter mais crianças mentres a Liga das Famílias Polacas asegura no parlamento que o divórcio é perjudicial para a saúde. A Pátria polaca chama a parir sangue novo, mentres se verte sangue novo polaco na guerra de Iraque. A família patriarcal, que pom a cada quem no seu sítio, e nom mistura os roles que deve cumprir cada parte do matrimónio, é a única garantia para acabar coa violência de género. Umha situaçom que mesmo é denunciada polo Comité dos Direitos Humanos das Naçons Unidas.
Sr Kaczynski, confeso que eu som umha dessas mestres que vostede está disposto a expulsar dos centros de ensino em Polónia, pois intento transmitir os valores do respeito e a liberdade, o que supom incorporar livremente as opçons homosexuais como umha realidade mais, umha opçom das pessoas. Mas comprovo dia a dia que a homofóbia no seu país medra em todos os ámbitos. Os colectivos gays e lésbicos som atacados constantemente pola Juventudes da Liga, e na universidade se censuram ou proibem os estudos relacionados coa liberdade sexual. A homofóbia é mesmo levada aos debates do Parlamento Europeio, onde os representantes da ultradereita polaca venhem de formar grupo parlamentar próprio coas outras ultradereitas europeias encabezadas por Le Pen. A bandeira que lhes une é o racismo, a xenofobia e o antisemitismo, e um modelo social ultracatólico. Todos os valores que impulsárom o nazismo e o fascismo em Europa e que custarom milhons de mortes na Segunda Guerra Mundial, e que sustentárom o regime de Franco mais de cuarenta anos. Mas a legalidade do golpe fascista de Franco é outra das ideias que se propagam em Polónia, como asegurou o mais jovem parlamentário polaco da Liga na sua visita a Madrid com motivo da celebraçom do Foro Europeio contra a violência de género. Mas este jovem ultraconservador aproveitou mais a sua reuniom co Partido Carlista, onde inspirou ánimo a esta organizaçom de ultradereita, que tanto se fixo ver na última manifestaçom convocada em Madrid polo PP, para defender Espanha.
Estou segura que muitas pessoas que se estám manifestando co PP estes meses querriam ver algo semelhante aqui. Mas por sorte, eu tenho umha voda este mes de agosto, casam as minhas sobrinhas; a minha filha pariu umha nena e sei que se o deseja, pode decidir com liberdade ter
mais ou nom; no mês de Maio, quando as eleiçons municipais, a Lei de Igualdade obrigará aos partidos a animar e facilitar a participaçom das mulheres nas suas listas... Sei que seguem morrendo mulheres vítimas de violência, que estám as condiçons laborais, que as multinacionais e os bancos imponhem as reglas do máximo benefício, que a especulaçom destrui a natureza,... sei, isso e muito mais, mas hoje, vendo o que passa em Polónia digo que ninguém nos quite o que temos, nem um passo atrás.
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Partido Lei e Justiça dos gemelgos Kaczynski e o partido Liga das Famílias Polacas, está dando os seus frutos. Estám conseguindo criminalizar as práticas sociais, políticas ou religiosas que se apartem da linha integrista católica que pretende impor-se assim, coa lei e o medo, para criar, no meio da Europa que luita e trabalha polas Liberdades e a Igualdade, um estado confesional onde a moral católica-romana, tam beligerante cos direitos humanos, dicte as leis.Sr Kaczynski, confeso que militei num tempo no partido comunista UPG, do que guardo luzes e sombras, mas no que me impregnei de valores como a Igualdade e a Solidariedade, que som valores comunistas, valores que inspirarom muitos cámbios sociais muito possitivos e que fazilitárom a criaçom no seio de estados capitalistas como o nosso do modelo chamado de bem-estar.
O aborto em Polónia é ilegal. As políticas de Planeamento Familiar som consideradas perjudiciais para a saúde, mesmo actua no país a organizaçom Farmaceuticos pola Família que se adica a recolher os escasos e carísimos preservativos e destruí-los. Às mulheres polacas
incitase-lhes a ter mais crianças mentres a Liga das Famílias Polacas asegura no parlamento que o divórcio é perjudicial para a saúde. A Pátria polaca chama a parir sangue novo, mentres se verte sangue novo polaco na guerra de Iraque. A família patriarcal, que pom a cada quem no seu sítio, e nom mistura os roles que deve cumprir cada parte do matrimónio, é a única garantia para acabar coa violência de género. Umha situaçom que mesmo é denunciada polo Comité dos Direitos Humanos das Naçons Unidas.Sr Kaczynski, confeso que eu som umha dessas mestres que vostede está disposto a expulsar dos centros de ensino em Polónia, pois intento transmitir os valores do respeito e a liberdade, o que supom incorporar livremente as opçons homosexuais como umha realidade mais, umha opçom das pessoas. Mas comprovo dia a dia que a homofóbia no seu país medra em todos os ámbitos. Os colectivos gays e lésbicos som atacados constantemente pola Juventudes da Liga, e na universidade se censuram ou proibem os estudos relacionados coa liberdade sexual. A homofóbia é mesmo levada aos debates do Parlamento Europeio, onde os representantes da ultradereita polaca venhem de formar grupo parlamentar próprio coas outras ultradereitas europeias encabezadas por Le Pen. A bandeira que lhes une é o racismo, a xenofobia e o antisemitismo, e um modelo social ultracatólico. Todos os valores que impulsárom o nazismo e o fascismo em Europa e que custarom milhons de mortes na Segunda Guerra Mundial, e que sustentárom o regime de Franco mais de cuarenta anos. Mas a legalidade do golpe fascista de Franco é outra das ideias que se propagam em Polónia, como asegurou o mais jovem parlamentário polaco da Liga na sua visita a Madrid com motivo da celebraçom do Foro Europeio contra a violência de género. Mas este jovem ultraconservador aproveitou mais a sua reuniom co Partido Carlista, onde inspirou ánimo a esta organizaçom de ultradereita, que tanto se fixo ver na última manifestaçom convocada em Madrid polo PP, para defender Espanha.
Estou segura que muitas pessoas que se estám manifestando co PP estes meses querriam ver algo semelhante aqui. Mas por sorte, eu tenho umha voda este mes de agosto, casam as minhas sobrinhas; a minha filha pariu umha nena e sei que se o deseja, pode decidir com liberdade ter
mais ou nom; no mês de Maio, quando as eleiçons municipais, a Lei de Igualdade obrigará aos partidos a animar e facilitar a participaçom das mulheres nas suas listas... Sei que seguem morrendo mulheres vítimas de violência, que estám as condiçons laborais, que as multinacionais e os bancos imponhem as reglas do máximo benefício, que a especulaçom destrui a natureza,... sei, isso e muito mais, mas hoje, vendo o que passa em Polónia digo que ninguém nos quite o que temos, nem um passo atrás.---
domingo, março 04, 2007
Hoje em Estambul
Hoje 4 de Março, um rio de mulheres percorrérom as ruas de Estambul. Eram muitas, coas cores lilas, coas bendeiras do arco da velha, cos símbolos feministas de diversas formas e cores... Novas e velhas, com velo ou cos seus maravilhosos cabelos ondeando coas bandeiras, porque sim, ia vento e eram vento. Puidem ver essas imagens em Euronews, privilegiada de mim, que ainda me emociono quando lembro o símbolo da Marcha Mundial das Mulheres entre todas elas. Privilegiada de mim que puidem ver como arranca a semana no mundo coas mulheres já na rua, reivindicando os seus direitos. Estes som dias de emoçom. Nós as galegas também imos estar ai, reivindicando outra vida, outro jeito de vivi-la. Porque necessitamos compartilhar o trabalho e trabalhar e produzir doutro jeito para compartilha-lo, e poder ter umha sociedade do coidado, sim, onde se poida coidar às pessoas e as pessoas se sintam coidadas. Nom queremos umha sociedade do consumo e da especulaçom, tam excluinte e esmagadora. Esta semana pensarei em todas as mulheres do mundo, porque todas pensaremos em todas, em todas as que somam esforços por transformar o mundo e em todas as que precisam desse mundo transformado.
A minha emoçom de hoje ao ver às mulheres turcas e kurdas marchando por Estambul, era umha emoçom acumulada, porque esta fim de semana penso que me tocou estar num lugar cumha carga simbólica muito especial. Tratava-se da cafeteria do Auditório na cidade de Compostela. Um dos comedores acolhia o jantar que fechou o acto de homenagem que a Conselharía de Cultura e a Secretaría Xeral de Igualdade organizárom para as mulheres represaliadas polo franquismo. Noutro comedor estavamos as mulheres que participavamos numha Jornada de celebraçom das Mulleres Cristians Galegas. Estiveramos pola manhá escoitando palavras bem tecidas que explicavam os esforços destas mulheres ao longo dos últimos 10 anos, para viver a sua fe e a sua espiritualidade afastando-se da opressom. Logo a professora Amada Traba, levou-nos às origens do patriarcado, aos fundamentos da nossa opressom para devolver-nos a um presente cheio de reivindicaçom e retos para o cámbio. E aí estavamos todas, baixo o mesmo teito. Aquelas que foram represaliadas no nome de Deus e da religiom, e as outras que estám resistindo para transformar a ideia de Deus e de religiom, porque nom renunciam ao direito de viver a espiritualidade, e tampouco aos seus direitos como mulheres. Já no café, olhei cara a porta e apareceu Isabel Vilalba, do Sindicato Labrego Galego. Umha rapaza moi nova que estivera participando como delegada da Marcha Mundial das Mulheres no Foro da Soberania Alimentaria que se celebrou em Mali. Havia dous dias que aterrara o seu aviom em Compostela. O cansáncio que acumulou nestes dias em Africa, nom lhe impediu achegar-se ao acto que ía ter lugar à tarde onde numha mesa redonda tinha que explicar como é que se chegara a construir a sua identidade como feminista. E ali falou, da sua avoa, da sua nai, da sua tia, do sindicato, das labregas... e dixo, como quem anúncia algo evidente, tangível, inevitável, mas nem com mais nem com menos intensidade coa que explicara a sua admiraçom polas cousas que fazia a sua avoa todos os dias..."vai haver um cámbio social muito importante porque hai umha imesa maioria no mundo que nom queremos mais o sistema neoliberal". Sentim que muitas cousas especiais estavam confluindo naquel edificio. E hoje as mulheres de Estambul tomárom as ruas.
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sexta-feira, março 02, 2007
Considero que o feminismo fixo algo mais que um contributo, reconstruíu os alicerces da própria emancipaçom humana, ...
Considero que o feminismo fixo algo mais que um contributo, reconstruíu os alicerces da própria emancipaçom humana, porque sentou as bases da construçom da democracia e deu sentido aos valores e aos direitos humanos. No caminho libertador nom se pode escluir ao 50% da humanidade, senom nom podemos falar de emancipaçom nem de justiça. O feminismo fixo possível sair das sombras da caverna de Platom para contemplar a realidade em mais dumha dimensom e coas cores da diversidade. Adentrou-se no privado e na nossa construçom psicológica, questionando mesmo expressom dessa construçom como a linguagem. Só desde posiçons conservadoras ou de desconhecimento se pode afirmar que já nom é necessário. A situaçom das mulheres no planeta indica todo o contrário, e a pluralidade e multiplicidade das expressons feministas som o indicador de que vemos nele umha ferramenta útil, o nosso movimento emancipador. Sendo relativamente recente, se temos em conta a história da humanidade, queda por diante um futuro que aguardamos cheio de conquistas e profundamente transformador.Na velha Europa podemos considerar que hai um caminho andado, mas se observamos os efeitos da violência contra as mulheres, a situaçom do direito ao aborto, o modelo económico de produçom e consumo que asfixia a reproduçom e o coidado humano, a religiom maioritária profundamente misógena ... comprovamos todo o que queda por fazer e o importantes que som avanços como o que se deu em Portugal co resultado do referendum do aborto, ao frear um integrismo que está em plena ofensiva por manter em Europa as estruturas patriarcais. A incorporaçom de novas geraçons de feministas, ainda num país tam avelhentado coma o nosso, ponhem um ponto de optimismo nessa olhada cara esse futuro trabalhoso.
Caranza, 25 de Fevereiro de 2007
Lupe ces
Publicado na revista "Tempos Novos" nº118 Marzo-2007
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domingo, dezembro 10, 2006
Entrevista en Praza das Letras: Le comigo
Praza das Letras - Le comigoDocente e integrante da Marcha Mundial das Mulleres
Lupe Ces Rioboo
10-12-2006
Cal foi o primeiro libro en galego que liches?
O meu primeiro libro en galego foron os Cantares Gallegos. A asociación de veciños á que estaba vencellado o meu pai entregaba uns premios consistentes nas obras completas de Rosalía de Castro. Había volumes sobrantes por alí, e foi así como chegou ás miñas mans.
E un libro que fose especialmente importante na túa vida?
Sen dúbida o libro que máis me marcou foi Sempre en Galiza, de Castelao. Lino cando tiña 17 anos, en 1974.
Que libro che gustaría ler en galego? Algún relacionado co teu ámbito profesional?
A nivel xeral El Quijote. Non sei se está xa traducido, pero gustaríame ter a oportunidade de lelo en galego. No ámbito profesional, todos os libros da editorial Grao. Os seus traballos achéganse moito ás necesidades que hoxe en día se nos presentan na docencia. Actualmente están dispoñíbeis en castelán e catalán. Podo lelos en castelán, porque o entendo, pero preferiría facelo na nosa lingua.
Cal pensas que podería ser un referente para a xente cativa e nova?
Depende moito da idade. No nivel de infantil, co que eu traballo, O coelliño branco é todo un éxito literario. Pero tamén gozan moito coa literatura de maiores, gústalles moito a poesía de Rosalía, que chegan a aprender de memoria.
Que libro pensas que ha de acompañar o teu nadal?
Agora mesmo estou lendo Camiño errado, dunha feminista francesa, que rematarei nas festas. Trátase dunha reprobación feroz ao feminismo desenvolvido nos dez últimos anos. Sempre está ben escoitar as críticas ao que estamos a facer...
Cal has de querer agasallar?
Pois posiblemente tres obras da editorial Grao, que antes comentaba. Trátase de libros que reflexionan sobre a acción comunitaria e o movemento asociativo.
Publicado na Revista impresa "Praza das Letras" e no sítio web "Le comigo".
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terça-feira, novembro 21, 2006
25-N
A realidade monstra-nos que em muitos países do planeta os direitos das mulheres nom som reconhecidos, e nom existem leis que as protejam fronte ás violências que as afectam. Porém, na Galiza, como em muitos países europeios da nossa área de influência, vivemos um presente político e social onde actuam instituiçons que promulgam leis que contemplam medidas integrais de protecçom ás vítimas de violência; redactam-se e aprovam-se leis de igualdade, e desde os meios de comunicaçom assistimos a umha condena sem precedentes do maltrato e os maltratadores.Mesmo assim, as mulheres continuam a ser assassinadas polos seus agressores; as denúncias continuam a ser contabilizadas a milheiros cada ano; duas de cada dez pessoas na Galiza conhece algum caso de violência de género [1] e as novas geraçons reproduzem os roles e valores sexistas nas relaçons afectivo sexuais [2].
Ante esta realidade e a um ano da aprovaçom da Lei Integral Contra a Violência de Género no parlamento espanhol, e ás portas de ser aprovada a primeira Lei Galega para actuar cara ao mesmo objectivo, cumpriría que desde o feminismo se afirmara a necessidade de reflexom e de acçom em dous pontos:
*As Leis nom podem ficar no papel, necessitam meios para desenvolver-se e aplicar-se.
*Nom se erradicará a violência contra as mulheres mentres nom se avance no cámbio social e este se consolide.
Os serviços assistenciais, jurídicos e policiais que existem até o momento ao aveiro da Lei, nom garantem na maioria dos casos umha atençom integral ás vítimas de violência [3]. Existe ademais um imenso valeiro no planeamento do enfoque e medidas concretas em serviços fundamentais como saúde mental e ensino. Devemos continuar exigindo umha optimizaçom dos recursos, ampliaçom de orçamentos para desenvolver as leis e novas medidas que as completem.
Mas também devemos exigir-nos a nós próprias, e exigir a todo o tecido social um maior compromiso na luita pola erradicaçom da violência contra as mulheres. Lembremos que três de cada quatro pessoas que conhece situaçons de violência nom as denuncia [4]. Esa erradicaçom nom vai vir só da promulgaçom de leis e da actuaçom desta ou daquela outra administraçom, ou da aplicaçom de políticas mais ou menos ajeitadas que paliem os efectos da violência, senom da assunçom por amplos sectores da sociedade dos valores feministas [5].
A construcçom dessa nova sociedade esta-se fazendo dia a dia, com a luita de muitas mulheres no activismo feminista, mas também na suas casas, no seu entorno familiar e social e a solidariedade e complicidade dos homens que rexeitam um género construido desde a desigualdade e a opressom. Mas cumpre acelera-lo e fortalece-lo, e nom baixar a garda ante os cámbios políticos perjudiciais para as mulheres, que se estám a dar em Europa. Esse cámbio social é o que pode garantir que a vida de tantas mulheres nom fique apagada ou segada pola violência.Essa mudança começa polo respeito, exijamo-lo.
Assinado.-Lupe Ces
25 de Novembro de 2006
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Notas.-
[1] Informe Outubro 2006 sobre a percepçom da violència de género da Secretaria Geral de Relaçons Instritucionais da Conselharia de Vicepresidencia da Xunta de Galiza.
[2] Informe de Maria Jose Barahona, profesora da UCM
[3] Informe de Amnistia Internacional 2006 sobre a Violência de Genero no estado espanhol.
[4] Informe Outubro 2006 sobre a percepçom da violència de género da Secretaria Geral de Relaçons Institucionais da Conselharia de Vicepresidéncia da Xunta de Galiza.
[5] A Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade desenvolve os valoras da Igualdade, Solidariedade, Liberdade, Justiça e Paz. www.marchemondiale.org
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segunda-feira, maio 22, 2006
Um impulso popular ao Dia das Letras
Este ano 2006 a celebraçom do aniversário da publicaçom do livro de Rosalia de Castro, Cantares Gallegos, pareceu ter um novo ritmo e fôrom muitas as iniciativas que ao longo do país tivérom como objetivo a reivindicaçom da normalizaçom do galego como língua própria da Galiza. Mas segue a ser escasso o número de pessoas que participárom em cada umha destas iniciativas ainda que a manifestaçom de Compostela organizada pola Mesa de Normalizaçom Lingüística convocara alguns miles. Digo que é escasso pola situaçom de emergência que vive o nosso idioma e cumpre intentar outras iniciativas que em datas tam sinaladas coma esta das Letras, convoquem à maioria social a expresar o sentimento e a consciência colectiva, que independentemente da identificaçom com proxectos nacionalistas ou nom, vivem a identidade da Língua e a cultura comúm..Aguardava-se que desde o novo governo se impulsase algo mais que actos institucionais ou a participaçom de cargos eleitos na manifestaçom da Mesa. Ao final o mais novidoso resultou ser a programaçom da TVG, que por primeira vez refletiu umha jornada diferente e mesmo propiciou nalguns programas pequenos debates sobre a situaçom lingüística.
Cumpre ilusionar a umha parte importante da cidadania na defesa, ainda que seja por um dia, de umha língua e umha cultura própria, e sentir e visualizar a identidade colectiva com propostas criativas e cargadas de simbolismo, que arredem da luita partidista a questom do idioma. Sem essas propostas, o dia feriado das Letras Galegas, converte-se para a maioria social em umha oportunidade de descanso, e se cadra bem colocado, para desfrutar de ponte laboral para mesmo realizar umha pequena viagem ou visitar à família. Só nos meios de comunicaçom aparecerám pequenos sectores que continuam mobilizando-se, ou instituiçons que representam umha maioria, mas que nom alcançam a comprender a necessidade de comprometer a participaçom cidadá nas suas políticas, também na defesa da língua e cultura do país.
Muitas pessoas com militáncias políticas,tenhem comentado que desde que o Dia das Letras é feriado, os actos de celebraçom e reivindicaçom tenhem mermado nom só em número, senom em participaçom, e muitas se perguntam se nom seria mais acaído que este fosse um dia laborável onde nos centros de trabalho e de ensino se volvesse às raízes do debate da necessidade de falar o galego e defender os direitos lingüísticos das pessoas que habitamos este pequeno país.
Estas análises nom reparam na debilidade do movimento associativo cultural, no próprio envelhecimento da populaçom galega ou na presença da nossa língua e cultura dentro do currículum escolar, o que converte em obsoletas, actividades que resultavam atrativas nos anos 80 e 90, quase sempre girando ao redor das figuras do santoral literário.
Pola contra, cumpre aproveitar este dia feriado para convocar a identidade colectiva e monstrá-la publicamente, olhando-nos, reconhecendo-nos na pluralidade que representamos e polo tanto independentemente das reivindicaçons que cada colectivo social mantém e deve também mostrar esse dia, completando esse abano que deve dar um ar novo, um impulso popular à construcçom e conservaçom da identidade.
Na celebraçom do 25 de Julho, som as distintas alternativas políticas e partidárias as que protagonizam a data apresentando distintos projectos para a construcçom do projecto nacional. O debate político sobre os problemas do país e quais som os melhores caminhos para solucioná-los, a análise da conjuntura na que se move esta velha naçom que se esforça por ser também no século XXI, passam a primeiro plano. Umha data para a mobilizaçom, a expressom política na rua e os discursos de quem pretenda ou simplesmente esté no seu destino, liderar um projecto chamado Galiza.
Estamos assistindo a um moi positivo e celebrado processo polo que a nossa sociedade, muitos anos confessional católica, está redefinindo-se em umha sociedade laica, este processo, é certo, está sendo muito mais lento do desejado, ainda assim parece irreversível. As datas festivas já nom tenhem o sentido religioso da época franquista. Seria bom contar-mos com datas feriadas onde nos reconhecesemos todas e todos, independentemente das crenças religiosas. O feito de que na Galiza a grande maioria social seja galego falante ou quando menos nom rejeite o uso do galego em momentos determinados da sua vida, favorece a possibilidade de celebrar essa identidade colectiva dum jeito lúdico e á vez profundamente simbólico.
Imaginemos que desde as instituiçons galegas e desde os colectivos sociais se convoca-se à sociedade galega a participar activamente num Dia das Letras Galegas diferente. Um dia onde todas as pessoas que vivemos na Galiza poideramos aguardar que alguém nos agasalhasse cum livro, um cd ou um filme na nossa língua, ou que as pessoas que temos mais próximas no-lo oferecesse como agasalho. Um dia onde, ainda feriado, as livrarias de todo o país organizassem feiras nas cidades e vilas para que isto fosse facilitado, e para servir de ponto de encontro. Um dia no que todas as pessoas levaramos um sinal que nos identifica-se coa nossa língua, por exemplo umha flor de tojo ou de gesta, que também poderia sinalizar os carros, os autocarros, os estabelecimentos públicos ou as xanelas e portas das vivendas. Um dia onde se comprometesse a todos os grupos que trabalham pola recuperaçom do folclore popular, e a todas as pessoas que assim o dispuserem, a que saisem à rua engalanados cos trajes tradicionais para tomar as praças, e brindar dança e música,... e teatro e cinema ao ar livre, e concertos de música em galego, e novas danças inspiradas nas nossas raízes..., um dia festivo e reivindicativo da língua e a cultura. Umha festa para desfrutar colectivamente e lembrar também, que há anos, tivemos a sorte de que umha mulher tivo a disposiçom de volver a dar à nossa língua um formato escrito e começar um processo de dignificaçom do galego que cumpre que continuemos nós, habitantes da Galiza, explorando todos os caminhos possíveis.
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