domingo, março 04, 2007

Hoje em Estambul

Hoje 4 de Março, um rio de mulheres percorrérom as ruas de Estambul. Eram muitas, coas cores lilas, coas bendeiras do arco da velha, cos símbolos feministas de diversas formas e cores... Novas e velhas, com velo ou cos seus maravilhosos cabelos ondeando coas bandeiras, porque sim, ia vento e eram vento. Puidem ver essas imagens em Euronews, privilegiada de mim, que ainda me emociono quando lembro o símbolo da Marcha Mundial das Mulheres entre todas elas. Privilegiada de mim que puidem ver como arranca a semana no mundo coas mulheres já na rua, reivindicando os seus direitos. Estes som dias de emoçom. Nós as galegas também imos estar ai, reivindicando outra vida, outro jeito de vivi-la. Porque necessitamos compartilhar o trabalho e trabalhar e produzir doutro jeito para compartilha-lo, e poder ter umha sociedade do coidado, sim, onde se poida coidar às pessoas e as pessoas se sintam coidadas. Nom queremos umha sociedade do consumo e da especulaçom, tam excluinte e esmagadora. Esta semana pensarei em todas as mulheres do mundo, porque todas pensaremos em todas, em todas as que somam esforços por transformar o mundo e em todas as que precisam desse mundo transformado.

A minha emoçom de hoje ao ver às mulheres turcas e kurdas marchando por Estambul, era umha emoçom acumulada, porque esta fim de semana penso que me tocou estar num lugar cumha carga simbólica muito especial. Tratava-se da cafeteria do Auditório na cidade de Compostela. Um dos comedores acolhia o jantar que fechou o acto de homenagem que a Conselharía de Cultura e a Secretaría Xeral de Igualdade organizárom para as mulheres represaliadas polo franquismo. Noutro comedor estavamos as mulheres que participavamos numha Jornada de celebraçom das Mulleres Cristians Galegas. Estiveramos pola manhá escoitando palavras bem tecidas que explicavam os esforços destas mulheres ao longo dos últimos 10 anos, para viver a sua fe e a sua espiritualidade afastando-se da opressom. Logo a professora Amada Traba, levou-nos às origens do patriarcado, aos fundamentos da nossa opressom para devolver-nos a um presente cheio de reivindicaçom e retos para o cámbio. E aí estavamos todas, baixo o mesmo teito. Aquelas que foram represaliadas no nome de Deus e da religiom, e as outras que estám resistindo para transformar a ideia de Deus e de religiom, porque nom renunciam ao direito de viver a espiritualidade, e tampouco aos seus direitos como mulheres. Já no café, olhei cara a porta e apareceu Isabel Vilalba, do Sindicato Labrego Galego. Umha rapaza moi nova que estivera participando como delegada da Marcha Mundial das Mulheres no Foro da Soberania Alimentaria que se celebrou em Mali. Havia dous dias que aterrara o seu aviom em Compostela. O cansáncio que acumulou nestes dias em Africa, nom lhe impediu achegar-se ao acto que ía ter lugar à tarde onde numha mesa redonda tinha que explicar como é que se chegara a construir a sua identidade como feminista. E ali falou, da sua avoa, da sua nai, da sua tia, do sindicato, das labregas... e dixo, como quem anúncia algo evidente, tangível, inevitável, mas nem com mais nem com menos intensidade coa que explicara a sua admiraçom polas cousas que fazia a sua avoa todos os dias..."vai haver um cámbio social muito importante porque hai umha imesa maioria no mundo que nom queremos mais o sistema neoliberal". Sentim que muitas cousas especiais estavam confluindo naquel edificio. E hoje as mulheres de Estambul tomárom as ruas.

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