terça-feira, junho 26, 2012

Iria



A tarde latejava entre as vozes infantis banhando-se na contaminada praia de Caranza, e as atarefadas vozes nas juntanças que buscavam soluçons ao malgasto da praça de Espanha, e à aguardada sentença contra Reganosa. E entóm aconteceu a tua morte e todas as vozes calarom. A poucos metros de onde a policia marcava cautelosamente a mobilizaçom dos trabalhadores e trabalhadoras de SEAGA, alguém decidiu matar os teus direitos, decidiu matar a tua liberdade, decidiu matar a tua vida. E o teu sangue que corria as ruas de Narom chamou-nos mais forte que outros sangues, porque estavas tam perto..., e te sentimos indo-te entre as nossas gorxas, entre os nossos dedos impotentes.

Manhá continuará a vida nesta comarca de Trasancos, as loitas obreiras e populares seguiram no passo das ruas e no eco dos edifícios oficias. Mas nada disso foi suficiente para ti, nada disso será suficiente para pôr a salvo as nossas filhas, às nossas irmás, às nossas amigas... porque a fera machista demostrou em ti que segue viva, que se reproduze, e umha a umha segue cobrando, sem trégua, as suas vitimas.
Agora, nas beiras do Xuvia ficará para sempre marcado o lugar da tua morte, que sinala o nosso fracasso, que sinala a nossa impotência. Na Praça de San Roque o machismo ganhou-nos a batalha.

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