quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Quedara-nos Portugal?


Eram finais dos setenta, princípios dos oitenta, quando íamos exercer o nosso direito a abortar, no vizinho país. Um direito que estava negado também ali como no nosso, mas que contava cumha permissividade maior. Era custoso e perigoso. Tinhas que viajar muitos quilômetros, e na volta corrias serio perigo se algo ia mal, e se apresentava algumha complicaçom que precisara intervençom médica. Ás vezes se acudia a algumha consulta privada onde nom existiam muitas garantias. Também se podia acudir a algumhas clínicas, melhor equipadas, onde sempre encontravas gente da tua cidade, os endereços que circulavam iam sendo os mesmos. Só coa solidariedade e apoio, em médios e dinheiro para a viagem, das pessoas que acreditavam que o aborto era um direito que tínhamos que conquistar, era possível, naqueles tempos como noutros mais escuros, escapar dos abortos clandestinos que tinham arrebatado a vida a miles de mulheres.

Logo vinherom as clínicas no país, onde descobrimos que o aborto podia ser umha pequena intervençom de ambulatório com anestesia local. As vizinhas, familiares, conhecidas... íamos quadrando na sá de espera sabendo do bom trato, da seguridade, da profissionalidade... mas também sabendo do custe econômico, que muitas mulheres podiam afrontar também, mais umha vez, coa solidariedade e apoio mútuo.

A reforma do 2009 supuxo um passo de gigante em quanto a garantias e tutelas na hora de decidir. Mas quedavam sem tocar elementos clave para assegurar que umha volta atrás fosse tam doada como a que está preparando um dos “Ministro dos obispos”, Ruiz Gallardon. Ter resoltos os problemas da objecçom de consciência, suspeitosamente maioritários nas plantas de ginecologia dos hospitais públicos, e o próprio acolhimento da prática do aborto nestas instalaçons, sem intermediaçom das clínicas privadas e polo tanto com cobertura completa e universal, houvessem amortiguado a decissom do PP em relaçom ao direito ao aborto. Todo o mais estaríamos falando, imolado no altar da crise, da sua privatizaçom.

Agora, quando as bolsas de pobreza rebentam por toda parte, quando se fai mais difícil o aceso aos serviços básicos, quando os salários, de existirem, descobrem o elevado prezo dos métodos anticonceptivos, querem que regressemos ao passado, e nós sabemos, que quando os que estám detrás dos confessionários onde se ajoelham os ministros e as ministras, falam do passado, estam-se a referir ao seu passado. Um passado onde “Red Madre” era “Maria Madre”, umha organizaçom que em Euskal Herria, SOS Bebés Robados Euskadi, denuncia por vinculaçom coa rede que traficava com bebés recém nados durante o franquismo e até mediada a década dos noventa. Pessoas que soterravam pequenos cadaleitos brancos, que agora agromam baleiros. Essas pessoas decidiam se um mulher merecia ou nom criar á criatura recém parida, ou se polo contrario deveria ser entregada a outra família afecta ao régime franquista. Alguém decidia por ela tirando um lucro. Agora, outra vez os confessionários, as redes ultra e um partido político que os representa, volvem decidir por nós, volvem julgar-nos, volvem invadir o nosso útero para expropriar-nos de nós mesmas e especular coa nossa capacidade de dar vida.

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