sábado, maio 09, 2015

Mil vezes mortas! Para Isabel Fuentes

Que razom tem a tua vizinha falando na prensa de que te matou duas vezes. A tua morte, a tua trágica morte, vai envolta em celofane vermelho e nos entra polos olhos como a mais real das series televisivas. A tua morte Isabel. Ti, que só aspiravas a ser feliz, que ansiavas os momentos de tranquilidade passo a passo coa tua vizinha, confidencia a confidencia, que iam narrando unha historia, um modelo de vida e de amor que nom era o teu. Ti nom contavas nada, nem o bom nem o malo. Porque sempre hai cousas boas e malas Isabel, a vida é assim, as relaçons som assim, ... O que nom deve haver é controle, humilhaçom, tortura, submissom, maltrato... que construíam o teu silencio, o teu frio e mortal silencio. Por isso ti e mais eu sabemos que nom te matou duas vezes. Sabemos que ti, que todas vós, sodes mil vezes mortas! Mortas em vida, coa morte do silencio, coa morte do medo das noites, coa morte do medo dos dias, coa morte que impom a ira, coa morte que impom a humilhaçom, coa morte que impom a vergonha... E mil vezes mortas na morte, pola morte que impom a cumplicidade, pola morte que impom a impunidade, pola morte que impom a indiferença, pola morte que impom o machismo que se disfarça, que se agocha, que nos engana... ate que se abalança sobre algumha de nós para lançar-nos a um caminho sem retorno, onde conformades umha estela de dor, que parece aumentar ate o infinito.

domingo, fevereiro 15, 2015

Aspaneps, por quê nos quedamos aí?


Estes dias saiam em prensa novas relacionadas coa entidade que xestiona a saúde mental da nossa infáncia nas comarcas de Eume, Ortegal e Ferrolterra. Umha entidade sem ánimo de lucro, que nasceu pola iniciativa das famílias que nos anos 80 começarom a reivindicar umha saída diferente á problemática educativa e psicológica das suas crianças. Passarom logo mais de tres décadas sem conseguir que essa atençom á saúde mental infantil, fosse assimilada polo sistema público de saúde.

Ao melhor é que nem o intentamos... Houvo oportunidades políticas de que umha cousa tam importante como é a saúde das nenas e nenos nom dependera dunha iniciativa privada, isso sim, sem ánimo de lucro, mas privada na gestom, contrataçom..., e preferimos, mais umha vez, deixar que a infancia mais vulnerável nom seja o epicentro das políticas públicas. Assim temos nestes momentos a saúde dos nossos nenos e nenas, pendente dum convenio ou dunhas ajudas...

O caso de Aspaneps nom é único na nossa cidade, nem tampouco o de Aspanaes. Se seguimos o rastro a menores em risco, que passarom a ser tutelados pola administraçom, temos a entidades religiosas ou associaçons que regentam centros privados, onde se derivam a estes menores e estas menores, via convênios. E nom podemos esquecer o feche dos dous centros públicos emblemáticos na nossa cidade, “Virgen del Carmen” e “Soutomaior”, e posterior privatizaçom dos serviços que prestavam, para passar a mans da “Fundación Camiña”, que regenta também o Punto de Encontro da nossa cidade. Nom devemos esquecer tampouco, a privatizaçom do centro “Souto de Leixa”, em mans de Clece
, pertencente á multinacional ACS de Florentino Pérez, que arrastra desde a sua privatizaçom umha estela de conflitividade e precarizaçom do serviço, como denunciam repetidamente as famílias.

O dinheiro público, e o que é mais importante, a responsabilidade social, de todas e todos, no coidado da infáncia, na custodia da sua integridade, segue em mans privadas. Realmente apenas a abandoou desde o franquismo, como se o coidado da infancia, se reduzira ao ámbito privado ou assistencial da beneficência ou caridade.

As associaçons que acolhem à infáncia em situaçom de risco social e familiar, derivam também a matricula escolar a centros religiosos, Cristo Rey, Compañía de María, Tirso de Molina. Salvo no caso da  Asociación Dignidad, de confessom evangélica, que deriva a matrícula a centros públicos por razons obvias. Eis o circulo pechado que gestiona os direitos da infáncia e o investimento público.

Por isso nom deixa de chamar a atençom que as organizaçons e partidos que defendem a sanidade pública, os serviços públicos, fiquem ai, numha simple reclamaçom de melhora dum convênio ou subsídios, na vez de reclamar que todo o que tem a ver coa saúde, maiormente da infáncia; todo o que tem a ver coa custodia, coidado, defesa dos direitos e interesse das menores e dos menores... fique a salvo da gestom privada e da provisionalidade dos convénios.

Questom a parte som os direitos laborais adquiridos polas trabalhadoras e trabalhadores destes centros, que num processo de recuperaçom para o sistema público, sempre haverá que respeitar. Luitar, reivindicar e conseguir o poder político suficiente para a recuperaçom destes serviços públicos vinculados aos direitos da infáncia e o direito universal à saúde, leva associado também a qualidade e a seguridade no emprego.
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quarta-feira, setembro 24, 2014

Soas nom!

Mónica, hoje nom pensei só em ti. Pensei em todas as mulheres ameaçadas, extorsionadas... e pensei em todas as nenas de dezasseis anos que nom vam ser obrigadas a ser nais. Demitiu o ministro, desbotou-se a lei... alegremo-nos.

Mónica, hoje nom pensei só em ti, mas levo dias pensando em ti. Ainda que nunca te vejo soa. Sempre com Elisa, a de Cabanas, que che acompanha em silêncio, como se o feito de que o seu assassino, depois dum ano, esteja ainda falando livre, a condena-se a ela, ainda depois de morta, a um silencio profundo.

Mas eu nom veia o dia no que falar contigo. Mais bem, nom queria vê-lo, porque me faltava valor. Valor para fazer-che as perguntas que nom sei se contestarás. Valor, porque hai que ter valor para olhar-vos a todas vós, assassinadas, suicidadas, mortas polo machismo.

Mas permite Mónica que intente compreender como fuches quem de ter ti tanto valor, como foi que juntaches forças para dizer nom, como fuches quem de falar co teu assassino, de liberdade, da tua liberdade. Tantas e tantas horas mantendo a vida, del, das tuas filhas, da família e doutras famílias...  Mas el nom queria a vida, nom queria às filhas, nom sabia querer-te a ti, e nom sabia querer-se a el mesmo...

O machismo é umha erva invasora que destrói os coraçons. Um mal cancro que devora ao ser humano e sementa morte. Um ébola mortal para a felicidade. Ti olhaches de fronte, quiseste soa combater à besta. Sabemos que soas nom podemos. Mulheres valentes! Soas nom! Nom queremos mais mortes!

* Mónica Lorenzo foi assassinada em Barro o 24 de Agosto de 2014.

* Elisa Maria Abruñedo, foi assassinada o 1 de Setembro de 2013 em Cabanas, o seu assassinato ainda nom foi resolto.
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quarta-feira, agosto 13, 2014

Temos á mestra atada no pátio

Nesta cidade somos como esse grupo de crianças que corre polo pátio da escola, e uns abusons se lhes achega a roubar a pelota, ou simplesmente a empurra-las porque sim, porque estavam aí. Somos todas aquelas crianças a quem se lhes rouba o bocadilho no recreio para tirar-lho ao cham e esmagar-lho co pé. E nom temos mestra a quem acudir, está amarrada de pés e mans no médio do patio e cunha banda posta nos olhos. Ademais agora, hai que pagar taxas para achegar-se a ela. Asim somos...

Hai uns dias davam-nos nos focinhos co do dique flotante, mas neste último recreio os abusóns dérom-nos cumhas lonas publicitarias que invadem a cidade. Falam de seguir comendo com tranquilidade o marisco da Ria, falam de banhar-se e gozar das suas augas...Falam de saneamento... No-lo dizem ou no-lo contam? Tenhem-nos que explicar mediante campanha publicitária que ter umha Ria saneada é cousa boa? Temos que pagar a autopropaganda do governo do Partido Popular?

Um novo insulto, unha nova burla. Porque os abusons forom os que permitirom que se lixara a Ria... Porque os abusons som os que levam retrasando a sua recuperaçom... Porque os tanques de tormenta que estám construindo só vam ser aliviadoiros. O sistema de saneamento polo que apostarom é obsoleto (mestura augas pluviais e residuais) e o seu funcionamento vai ser energeticamente moi custoso (irá no nosso recibo), e as grandes industrias vam seguir vertendo... Pero eles nom escoitam quando se lhes quere explicar, mesmo quando se elaboram alternativas para solucionar ou paliar esta chapuza, como fai a "Comisión Social de Seguimento do proxecto e obras de saneamento da marxe norte da Ría de Ferrol"...

Temos poucas oportunidades na vida de aprender a defender-nos dos abusons. Cumpre fazer-lhes frente no pátio. Ailha-los, mostrar-lhes que somos máis, e que se nos tocam a umha, tocam-nos a todas. Temos que conseguir que aqueles que lhes vam detrás, por medo ou por admiraçom, se convençam de que podem ser as suas vítimas em qualquer minuto do próximo recreio. E que ademais, o patio é de todas, polo que nom se lixa, coida-se, respecta-se... Se nom fazemos isso de crianças, nunca seremos pessoas adultas. Sempre teremos abusons nas instituiçons, nas empresas, nas ruas, nas casas... e seguiremos aguardando indefinidamente a que alguém desate á mestra no patio, para que venha a salvar-nos. Quererá esta cidade madurar de vez? Entrar na idade adulta?
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terça-feira, agosto 12, 2014

Diálogos com Sara

Sara, desculpa, mas nom te estranhe que se apagaram já as novas sobre a tua morte. Todas vós sodes flor dum dia para os médios de comunicaçom. Ademais, no teu caso, case passas desapercebida. Falou-se mais del. O teu assassino puxo-se-che diante até o dia depois, coma querendo tapar o último sol que puideira descobrir o teu próprio brilho. A experiencia di-nos às feministas, que deveu ser assim toda a vida. O patriarcado cria-os assim, e a nós nos educa para atura-los. Umha vida enteira de trabalhos e panos quentes. Entender, comprender, aguantar, suportar... Porque quando eles se cansam da vida, molesta-lhes ver que nós a coidamos, a mantemos, a alentamos... Hai quem prepara o seu suicídio rompendo cartas, queimando livros, mesmo queimando a casa, como querendo borrar, sacar de diante todo o que é e o que foi. Um xeito de matar-se nas cousas que lhe derom vida. Estes machistas, incluem-nos a nós entre as suas pertenças, como um objecto mais, somos parte da sua vida, cumpre logo que nos suicidem com eles.

Agora irás sabendo a historia de muitas, de centos, de miles coma ti... e também saberás da nossa rebeldia, das nossas alternativas, da nossa resistência. Agora Sara, irás para sempre colhida da mam de todas nós, as feministas de onte, de hoje e de manhá. Som malos tempos Sara, tempos de sombras. Tempos de Gallardon-s, Netanyahu-s, Juncker-s, Obama-s, Poroshenko-s... Tempos nos que hai que, se cadra com mais força, entrelaçar as nossas mans.

[*] Sara Fernández Camiña foi assassinada polo seu home em Pazos de Borbén o 29 de Julho de 2014

domingo, agosto 10, 2014

Entrevista para a revista Tempos Novos


Entrevista da revista Tempos Novos a Lupe Ces (Julho-2014)


1-Como activista, cal é a valoración da situación sociopolítica no noso país?

Esta pregunta non a contestaría do mesmo xeito antes das eleccións europeas que agora no momento da entrevista. Antes das europeas tiña un presentimento agoirando cambios moi negativos en toda Europa. A situación en Ucraína co golpe de estado apoiado pola OTAN e a Unión Europea, soltou todas as alarmas. O fascismo, o racismo, a extrema dereita, íam gañando terreo e sabia que as eleccións europeas darían poder político a estas opcións. Francia, Holanda, Dinamarca... demostraron que era certo ese avanzo que pretende asegurar unhas sociedades instaladas no medo e na violencia, que podan soportar a volta ao modelo de capitalismo sen colchón social e asuman a represión ou eliminación sen mais da disidencia. Pola contra, nos estados do Sur, este modelo non callou. A terra estaba traballada e abonada, os valores da esquerda e as experiencias de loita e mobilización deron o seu froito. Temos uns pobos convivindo dentro do estado español, que están mostrando resistencia ao tsunami do neo-fascismo europeo. Pensemos nas Marchas da Dignidade de hai uns meses; pensemos no 15M que revolucionou tantas consciencias durmidas, incorporou unha xeración á militancia e ao debate político e foi unha cura de humildade para as organizacións tradicionais da esquerda. Pero mais atrás están o movemento “Nunca Mais” e o “Non á Guerra”... e poderíamos nomear miles de loitas, de horas de reunión, de ensaios de auto-organización e procura de alternativas, que os pobos levan cocendo durante décadas contra este sistema inxusto. Por iso digo que o terreo tiña un bo esterco e comeza a dar froitos. Sei que estamos falando dunha situación onde o PP ten maiorías absolutas, pero non se van volver a repetir. Aínda que o PP e o PSOE amplíen o seu pacto para intentar evitar o naufraxio, o certo é que o seu barco fai augas, e o teñen moi difícil, por medios democráticos, para volver a gozar da hexemonía que tiveran ate agora.


2-Levas moitos anos comprometida en diferentes reivindicacións. Merece a pena a loita?

Para min a loita foi un xeito de conquistar dereitos e de mellorar as miñas condicións de vida e as da miña comunidade, e así segue a ser. Que podería conseguir-lo a nivel individual? Pode..., mas eu non son ninguén sen a miña xente, sen a miña familia, sen o meu colexio, sen o meu barrio, sen o meu pais... vivimos e loitamos colectivamente, non son capaz de despegar-me. Para a maioría, loitar é sobrevivir. Eu, por exemplo, teño unha casa porque participei nun movemento de ocupacións de vivendas nos anos 70. Unha comunidade que non loita, embrutece-se e sucumbe á violencia e á marxinación. Se non loitas, todo ao teu redor se deteriora... os barrios ou as escolas, son un exemplo onde eses procesos ven-se mais rapidamente. Manter-te na loita ten que ver como en todos os aspectos da vida, coa túa capacidade de resiliencia.


3-Cal é a problemática actual máis interesante para vostede e pola que merece a pena involucrarse?

Hai moitas loitas moi interesantes sobre todo polo novidosas, por exemplo a que se está a dar por unha auditoría da divida, ou os movementos que están construíndo unha alternativa ás finanzas capitalistas, ou o movemento que está preparando alternativas para un futuro sen petróleo... mais cada persoa ten unhas loitas que dar, porque lle toca, porque estaba alí no momento ou porque lle ven dado polos acontecementos. A loita non é un “hobby” que podas elixir, é a maneira de dar resposta aos envites ou retos da túa propia existencia. O activismo feminista  moldeou desde moi nova a miña concepción do mundo, aínda que a min naceume a consciencia coas loitas obreiras que marcaron a miña cidade, Ferrol. Na miña mocidade xuntei-me cun grupo de mozas e mozos que me abriron a consciencia nacional, ao uso do galego como forma de construír a identidade individual e colectiva. Vas cargando a túa mochila de causas e alternativas, camiñando un camiño moitas veces elixido, mas tamén moitas veces imposto polas circunstancias. Por dar resposta á pregunta, a modo de exemplo, podo comentar-che, que desde hai anos estou comprometida coa loita contra Reganosa, no Comité Cidadán de Emerxencia pola Ria de Ferrol. É unha loita contra un xigante todopoderoso, que mesmo gañou para o seu bando á xente que estaba ao teu carón noutras loitas. É unha loita difícil, a pesar das vitorias obtidas até o momento. Son das convencidas de que no momento mais inesperado un accidente vai traer consecuencias tráxicas. Reganosa é unha constante ameaza para as nosas vidas.


4-Fágame unha valoración da chamada etapa democrática na Galiza. Cal foi o goberno que mellor puido representar os intereses das clases populares?

Non o teño que pensar nadiña! Con toda certeza o goberno bipartito. Mágoa que non se soubera defender das ameazas internas que o corromperon, e dos ataques dos poderes económicos e mediáticos que lle deron fin. Lembro moitas das políticas que se fixeron naquel momento, non só desde a Secretaria Xeral de Igualdade con Carmen Adán, ou desde  a política de vivendas con Teresa Táboas, ou desde a política forestal coas UXFOR, banco de terras, ou o voluntariado en defensa do monte... tamén desde a que , baixo o meu criterio, foi a mellor Conselleira de Educación de todos os tempos, Laura Sánchez Piñón. Mas era un goberno condenado a rematar como rematou. Vivía, en xeral, de costas aos movementos sociais, e naceu para xestionar o capitalismo e a autonomía política, aínda que sempre intentando beneficiar á maioría e ao país. Mas a súa política puxo en pé de guerra aos poderes que viron que algunhas das portas se lle pechaban, como foi o caso de Pescanova, ou a moitos cidadáns que tiñan intereses e se opuñan á regulación do monte ou da costa. E fronte a iso, o goberno ficou só. Uns, o PSOE, porque eran un partido sistémico que no precisaba da mobilización para apoiar a súa xestión e se tiña que escoller entre movementos ou sistema, a súa opción era clara. Outros, o BNG, porque levaban anos construíndo diques de contención nos movementos e non souberon practicar o poder obediente, ou mesmo un mínimo diálogo. As relacións co movemento "Galiza non se vende" foron o exemplo máis claro, pero tamén o foi co da Cidade da Cultura... Lembro naqueles dias, ir á Consellería de Medio Rural, no nome da Marcha Mundial das Mulleres, e escoitar que o termo “Soberanía Alimentar” era tabú. Foi sen dubida o mellor goberno que deu o pobo galego, mas os procesos estaban comezando, non había a suficiente madurez nas organizacións e movementos para criar unha alternativa que fose quen de transformar desde as institucións e desde o pobo organizado o propio sistema, único xeito de dar resposta aos principais problemas. Ademais, non quero calar-mo, había dentro do propio bipartito verdadeiros cancros que danaban o organismo, como a Consellaría de Industria, con Fernando Blanco, onde os grandes grupos económicos se aseguraban de que non se ía ir máis alén das regras establecidas. Aí se xestou o recurso que a Xunta puxo contra a sentencia do Tribunal Superior de Xustiza de Galicia que daba a razón á veciñanza en relación a Reganosa. Algo inaudito!


5-Unha valoración específica da etapa de Núñez Feijóo.

O narcotráfico ten un efecto devastador nos territorios onde actúa. Non só polos índices de criminalidade que xera pola propia actividade en si, ou polos índices de corrupción das institucións que precisa para manter-se; senón polo efecto descapitalizador e destrutor da economía real que leva aparellado, e potenciador da economía especulativa. Eu diría que Galiza co goberno de Feijoo ten todos estes síntomas, faltan probas para asegurar que o noso país forma parte da xeoestratexia do narcotráfico internacional, e que estamos gobernadas e gobernados por monicreques destas redes. Isto non o podo dicir, pero non estaría de máis que na esquerda comezaramos a facer cursos de formación sobre narcoeconomía.


6-Hoxe en día comeza a falarse xa abertamente da necesidade de comezar un/s proceso/s constituínte/s. Por onde lle gustaría que decorrese ese camiño á vista da considerábel deslixitimación da institucionalizade realmente existente?


Foi desde o propio sistema que se comezou cun "proceso constituínte". Eu percibino claramente na folga dos controladores aéreos. Moitas persoas vimos naquel momento o que se nos viña enriba: unha manipulación mediática de manual para criminalizar a un colectivo, aínda que privilexiado, que mantiña unha reivindicación laboral. E sempre son os mesmos actores, naquel caso o ministro José Blanco. A guerra ideolóxica desde aquel momento non deu tregua, lembro os primeiros chistes sobre os sindicatos no programa Luar da TVG...  Logo viñeron as reformas laborais, o recorte das pensións, ás axudas á banca e o rescate de grandes empresas, os procesos de privatización dos servizos públicos, a firma do proxecto do escudo antimisiles... e a reforma da constitución co artigo 135. É un proceso constituínte dado desde as elites, sen contar con nós e contra nós. Mas non contaban con tanta resistencia, dado que o control mediático o tiñan case asegurado, e as grandes organizacións sindicais minadas. Agora o proceso constituínte comezou desde abaixo, grandes maiorías que se cuestionan o modelo, as normas, o reparto... Eu vexo que é posíbel un proceso constituínte, se se dá nunha ampla rexión de Europa. Vexo aos pobos do sur condenados a entender-nos, a criar alianzas, a unir forzas para facer fronte ao Tratado de Libre Comercio con EEUU e a construír procesos constituíntes que levanten proxectos socialistas autoxestionados, decrecentistas e desmilitarizados. Europa está cada vez mais preto de ser a trincheira onde EEUU libre a súa batalla contra China e Rusia pola hexemonía mundial. Galiza ten aí unha oportunidade histórica de aportar á construción dese modelo e, mediante esa contribución ter o recoñecemento da súa soberanía.


7-Ve factíbel a consecución do fin da Monarquía Borbónica a curto prazo?

A dereita fixo o seu relevo xeracional, sobre todo nas leccións municipais do 2011. O PP actuou como unha oficina de emprego e colocación onde mocidade con formación técnica elevada, ou fillos de elites ou militantes vían posibilidade dun futuro estábel. O relevo xeracional na esquerda tanto nacional coma estatal está por dar-se. Comezamos agora a ver novas caras e novos proxectos. Vai ser esa nova xeración, a que se formou na reivindicación da democracia participativa, no pensamento crítico e no cuestionamento das organizacións tradicionais, a que se vai enfrontar a unha institución caduca e antidemocrática. Probabelmente vai pasar unha década até que o proceso constituínte abra unha nova etapa histórica. Ese proceso levara-se por diante á monarquía.


8- Vostede ten tamén longa traxectoria na loita feminista. Como ve a situación actual do papel da muller na sociedade e a que retos e ameazas á consecución da igualdade se enfronta a muller?

Teño 56 anos. Os cambios foron enormes, mas o “bicho” temo-lo dentro. A reacción e a loita ideolóxica contra o feminismo non foi menos intensa estes anos que contra a loita obreira ou a loita  social en xeral. As acusacións de denuncias falsas de malos tratos, a custodia compartida forzada, o Síndrome de Alienación Parental, a acusación de  feminazismo... foron algunhas das batallas que o patriarcado deu con maior éxito. Logo está a impoñer, apurando o pouco que lle queda de poder absoluto, reformas que atentan contra os nosos dereitos, como a da Lei do Aborto, ou a Lei de Wert, que quere arrincar de raíz todo o que son as bases da educación en igualdade e para a igualdade. E non nos enganemos, os procesos de privatización e deterioro de todos os sectores públicos, é un ataque á liña de flotación dos dereitos das mulleres, por ser sectores onde o emprego feminino de calidade é maioritario, e onde se tecían toda unha rede de coidados que aliviaban as cargas familiares que sabemos están feminizadas. Rio-me cando falan de políticas de fomento da natalidade! Sempre nos trataron de menores de idade ou incapacitadas! As mulleres non queren ter fillos nestas circunstancias. Aprenderon a vivir con dereitos, con independencia e non queren ter que escoller. Atrasan esta decisión cando non a desbotan totalmente. É un berro silencioso que as autoridades non están en disposición de escoitar: “ Dean-nos dereitos, traballo en boas condicións, servizos sociais, vivenda, seguridade, garantías de paz... e moitas de nós pariremos as crianzas que habiten no futuro este pais”.


9- Como ve a situación da esquerda a nivel galego, estatal, europeo...?


Semella que todo está escachando. Mas isto é necesario, hai que recompoñer-se polo que é preciso deconstruír, ou “mover os marcos” como di Beiras. Hai menos dun ano seguía habendo moitas resistencias dentro das organizacións. Agora cada vez estamos mais preto de cambiar as dinámicas de competencia polas dinámicas de colaboración e complementariedade. Hai que dar un tempo a cada grupo, a cada colectivo para que viva os seus procesos e faga as súas reflexións, mas a unidade contra os planos da Troika, contra os designios que o Imperio ten marcados para os pobos europeos, está no único horizonte posíbel para sobrevivir a este desastre. A esquerda ten que marcar-se como prioritario o obxectivo de organizar á maioría social. Non digo de organiza-la nas súas estruturas, nas súas organizacións... digo de facilitar a creación de novos modelos e de redes colaborativas e de participación. Sen iso non hai proceso constituínte posíbel.


10- Desde a esquerda social e política cada vez hai máis voces e apuntamentos no camiño da consecución dunha fronte política e social, sen concretar efectivamente, como debería de artellarse a mesma? Cre nesa aposta? Fágame unha diagnose nese eido e sobre da posibilidade de que calle? Tería posibilidade de éxito? Que prioridades e obxectivos debera marcarse?

A fronte ampla non é unha fronte electoral, é como dicía anteriormente, un proceso de acumulación de forzas, unha metodoloxía que permite construír unha nova hexemonía. Son optimista porque cada vez vexo máis vectores confluíndo nesa dirección. O xeito de como vaia a articular-se e que actores poden ficar fora vai-no determinar os posicionamentos a respecto da superación do actual marco económico-político-institucional. O que está mais claro cada día é que o PSOE vai ficar atado ao actual modelo e condenado a afundir-se con el. Amplas maiorías, esa é a clave do éxito da fronte ampla. Amplas maiorías construíndo un novo modelo e conquistando democraticamente o poder político para impulsar ese nacemento e enfrontar a oposición que se vai organizar desde os poderes fáticos para combate-la. Iso implica un amplo proceso de educación popular que permita que a maioría entendamos que significa divida ilexítima, prima de risco, burbulla enerxética, soberanía alimentar, democracia participativa, reforma fiscal, remunicipalización, renda básica, o ben común...  Eis os obxectivos nos que hai que seguir traballando intensamente, organización e educación popular, iso implica construír as ferramentas necesarias de comunicación, de participación... A esquerda tamén debería contemplar a necesidade de aprender a defenderse dos ataques do sistema máis aló da represión ou a criminalización. En Ferrol vivimos a pequena escala, hai poucos meses, un exemplo do que pode suceder, e hai outros xa analizados como o dos ataques ao movemento mexicano "Yo soy 132".


11-É posíbel mudar o mundo ou é unha loita sen final feliz? Pensa seguir sempre tan comprometida coma até o de agora?


A pequena e a gran escala fun testemuña de cambios logrados a base de loitas e resistencias. Mudar o mundo é posíbel, e mais que nunca é necesario e urxente. Confirma-o a situación da nosa especie, á que se soma agora a situación de todas as especies que compartimos un pequeno planeta que ten serias ameazas. Eu imaxino moitas veces como será o futuro... confío que estas loitas tan evidentes pola xustiza, pola igualdade, pola paz, pola defensa do ben común e do planeta, teñan unha resolución favorábel en poucas xeracións. O que imaxino son novos retos para a humanidade que van vir das consecuencias do cambio climático e do colapso derivado da escaseza de petróleo. O nivel de compromiso non se pode medir. Ás veces valoramos o nivel de compromiso que ten unha persoa pola repercusión pública que teñen os seus actos, mas hai feitos que non transcenden e que agochan outras realidades intensas. Fun testemuña do esforzo que realizaron moitas persoas para acudir a Madrid o 22M coa columna galega, pagando-se o billete sen a penas recursos. “ Veño porque estou comprometido coas Marchas”, sempre me emocionou esa xenerosidade colectiva que acaba movendo montañas.


12- Se tivera diante a estes personaxes, que lles diría en poucas palabras? Emilio Botín, Ada Colau, Pablo Iglesias, Felipe González, Gallardón, Felipe VI.

Vou facer dous lotes claramente diferenciados. Nun meto a Ada Colau e a Pablo Iglesias, aos dous daría-lles as grazas por romper o discurso único mediático e colaborar co proceso de educación popular do que falaba antes. Aos dous Felipes, a Botín e a Gallardón meteríanos no segundo lote, levaría-no á lonxa e daría-o de balde a quen o quixera levar.

Lupe Ces.

Ela é unha activista social recoñecida e con traxectoria, de Ferrolterra, comprometida en moitos frentes. Tempos Novos fala con ela para coñecer un pouco máis sobre a súa actividade e pensamento
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sexta-feira, abril 25, 2014

María Jose, Adela, María Luisa e agora Maria Elena

Desde que comezou o ano, venho conversando com Adela e Maria José. Adela fala pouco, deixa máis bem que seja a sua filha María José, professora de religiom católica, a que mantenha o argumentário, dado que eu sempre ando teimando que a súa é umha religiom de submissom.

María Luisa, “la Lupe”, somou-se a estas conversas sobre que fazemos as mulheres na vida e nas tumbas. Ela, foi a que me descubriu que entre gitanos e gitanas nom hai mais assassinatos machistas porque as mulheres fuxem, a cambio de renunciar aos filh@s e ficar desterradas para sempre.

 Agora estamos aguardando por Maria Elena nesta tertulia de insubmisas. Porque é assim, matarom-nas por insubmisas, por nom calar, por nom ficar quietas onde se lhes dizia, por contar o que passava, por replicar... porque virom nos seus olhos a olhada da liberdade. Agora, que o calendário se nos enche de cadáveres em rebeldia cumpre lembrar-lhes que nom estam soas, que somos moitas, e que seremos quem de tumbar a fera do machismo assassino. Agora, cumpre que saltem do calendário e nos acompanhem a toda parte, companheiras rebeldes, companheiras insubmissas caídas na luita contra a barbárie.

domingo, dezembro 29, 2013

O Natal de Isabel


A tua era umha morte aguardada. Polo esforço colectivo por conhecer e investigar a violência machista, sabíamos que nestas datas as agressons aumentam, o risco de morte eleva-se nas estatísticas e sempre cumpre aguardar o pior.

Para alguns estamentos conhecedores desta realidade, esta informaçom lera-se com menor interesse que o aumento da velocidade do vento ou a intensidade das precipitaçons. Quando menos, ante esses adversos meteorológicos sempre estam as alertas amarelas, laranjas e vermelhas, e os Planos de Proteción Civil. A vida das mulheres tem menos valor que a dumha árvore caída na ciclogênese explosiva.

Tocou-che a ti Isabel protagonizar a lista interminável de mulheres mortas. Numhas datas onde a família e as relaçons afectivas som o epicentro das celebraçons, o conflito sem resolver derivado da organizaçom patriarcal das mesmas, nom fai máis que dar oxigeno ao lume da violência machista. Um home com quem compartiches afectos, intimidade... decidiu por ti, decidiu sobre a tua vida, decidiu por riba da tua vida. Assim, como outros homes co apoio dalgumhas mulheres, pretendem decidir por todas nós, quitando-nos por lei a soberania sobre o único território de propriedade sagrada, inviolável, que é o nosso corpo.

Mentres te arrincavam a vida, noutro extremo do país, a folga de fame dum grupo de resistência ao machismo na cidade da Corunha, mulheres de Ve-la Luz, vem mostrando durante mais de vinte dias, a hipocrisia dum poder político e judicial que esconde trás as cortinhas de fume das denuncias falsas, do Síndrome de Alineación Parental, da custodia compartida imposta... a sua misoginia, o seu medo à liberdade das mulheres e a sua resistência a entender que a desigualdade está na raiz da violência contra as mulheres que nom cessa; a sua resistência a que lhes desconstruamos este mundo injusto e violento sobre o que se mantenhem os seus privilégios.

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