sábado, fevereiro 11, 2012
A camiseta
Estes dias jogara-se a Copa de Rei. Milheiros de pessoas seguirám um partido que promete emoçom, adrenalina ou simplesmente um momento para tomar umhas cervejas coas amizades ou a família. Eu nom poderei desfrutar do partido. Nom é só porque esse deporte o sinto deturpado polas ingentes quantidades de dinheiro que move... Nem pola utilizaçom política que o Ministro Wert está dando ao deporte em geral, para alentar o revanchista, dominante e excluinte nacionalismo espanhol... Nem polo protagonismo masculino que o envolve... Nom nesta ocassom.
É pola camiseta. Essa camiseta que co tempo vai tomando forma tridimensional e me transporta a umha realidade triste, como num final de filme de ficçom com cidade em ruínas, laios e poucos superviventes. A camiseta co logo, que está em todas partes, sobre todo cobrindo o peito dos nenos, que sintem assim a pertença á sua equipa favorita. Umha camiseta que, como bom obxecto de desenho, cumpre perfeitamente o obxectivo propagandístico, inoculaçom de informaçom intencionada, para o que foi desenhada.
Fundaçom Qatar. O jeque de Qatar, monarquia absoluta, direitos políticos e direitos cidadáns negados, poligamia...nom se vota. Mas hai muito dinheiro, dinheiro do petróleo e o gas. Como para mercar nom um, se nom um milhom de equipas de futebol. Que levem o escudo da obra do jeque, esse mesmo jeque que agora está partilhando co imperio como mover ficha na guerra que lançou contra os povos árabes. Para que todo sega igual para os poderosos de Qatar, para que todo sega igual para a monarquia, e poder patrocinar, case sem dúvida, á melhor equipa de futebol do mundo.
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quinta-feira, fevereiro 09, 2012
Quedara-nos Portugal?
Eram finais dos setenta, princípios dos oitenta, quando íamos exercer o nosso direito a abortar, no vizinho país. Um direito que estava negado também ali como no nosso, mas que contava cumha permissividade maior. Era custoso e perigoso. Tinhas que viajar muitos quilômetros, e na volta corrias serio perigo se algo ia mal, e se apresentava algumha complicaçom que precisara intervençom médica. Ás vezes se acudia a algumha consulta privada onde nom existiam muitas garantias. Também se podia acudir a algumhas clínicas, melhor equipadas, onde sempre encontravas gente da tua cidade, os endereços que circulavam iam sendo os mesmos. Só coa solidariedade e apoio, em médios e dinheiro para a viagem, das pessoas que acreditavam que o aborto era um direito que tínhamos que conquistar, era possível, naqueles tempos como noutros mais escuros, escapar dos abortos clandestinos que tinham arrebatado a vida a miles de mulheres.
Logo vinherom as clínicas no país, onde descobrimos que o aborto podia ser umha pequena intervençom de ambulatório com anestesia local. As vizinhas, familiares, conhecidas... íamos quadrando na sá de espera sabendo do bom trato, da seguridade, da profissionalidade... mas também sabendo do custe econômico, que muitas mulheres podiam afrontar também, mais umha vez, coa solidariedade e apoio mútuo.
A reforma do 2009 supuxo um passo de gigante em quanto a garantias e tutelas na hora de decidir. Mas quedavam sem tocar elementos clave para assegurar que umha volta atrás fosse tam doada como a que está preparando um dos “Ministro dos obispos”, Ruiz Gallardon. Ter resoltos os problemas da objecçom de consciência, suspeitosamente maioritários nas plantas de ginecologia dos hospitais públicos, e o próprio acolhimento da prática do aborto nestas instalaçons, sem intermediaçom das clínicas privadas e polo tanto com cobertura completa e universal, houvessem amortiguado a decissom do PP em relaçom ao direito ao aborto. Todo o mais estaríamos falando, imolado no altar da crise, da sua privatizaçom.
Agora, quando as bolsas de pobreza rebentam por toda parte, quando se fai mais difícil o aceso aos serviços básicos, quando os salários, de existirem, descobrem o elevado prezo dos métodos anticonceptivos, querem que regressemos ao passado, e nós sabemos, que quando os que estám detrás dos confessionários onde se ajoelham os ministros e as ministras, falam do passado, estam-se a referir ao seu passado. Um passado onde “Red Madre” era “Maria Madre”, umha organizaçom que em Euskal Herria, SOS Bebés Robados Euskadi, denuncia por vinculaçom coa rede que traficava com bebés recém nados durante o franquismo e até mediada a década dos noventa. Pessoas que soterravam pequenos cadaleitos brancos, que agora agromam baleiros. Essas pessoas decidiam se um mulher merecia ou nom criar á criatura recém parida, ou se polo contrario deveria ser entregada a outra família afecta ao régime franquista. Alguém decidia por ela tirando um lucro. Agora, outra vez os confessionários, as redes ultra e um partido político que os representa, volvem decidir por nós, volvem julgar-nos, volvem invadir o nosso útero para expropriar-nos de nós mesmas e especular coa nossa capacidade de dar vida.
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Logo vinherom as clínicas no país, onde descobrimos que o aborto podia ser umha pequena intervençom de ambulatório com anestesia local. As vizinhas, familiares, conhecidas... íamos quadrando na sá de espera sabendo do bom trato, da seguridade, da profissionalidade... mas também sabendo do custe econômico, que muitas mulheres podiam afrontar também, mais umha vez, coa solidariedade e apoio mútuo.
A reforma do 2009 supuxo um passo de gigante em quanto a garantias e tutelas na hora de decidir. Mas quedavam sem tocar elementos clave para assegurar que umha volta atrás fosse tam doada como a que está preparando um dos “Ministro dos obispos”, Ruiz Gallardon. Ter resoltos os problemas da objecçom de consciência, suspeitosamente maioritários nas plantas de ginecologia dos hospitais públicos, e o próprio acolhimento da prática do aborto nestas instalaçons, sem intermediaçom das clínicas privadas e polo tanto com cobertura completa e universal, houvessem amortiguado a decissom do PP em relaçom ao direito ao aborto. Todo o mais estaríamos falando, imolado no altar da crise, da sua privatizaçom.
Agora, quando as bolsas de pobreza rebentam por toda parte, quando se fai mais difícil o aceso aos serviços básicos, quando os salários, de existirem, descobrem o elevado prezo dos métodos anticonceptivos, querem que regressemos ao passado, e nós sabemos, que quando os que estám detrás dos confessionários onde se ajoelham os ministros e as ministras, falam do passado, estam-se a referir ao seu passado. Um passado onde “Red Madre” era “Maria Madre”, umha organizaçom que em Euskal Herria, SOS Bebés Robados Euskadi, denuncia por vinculaçom coa rede que traficava com bebés recém nados durante o franquismo e até mediada a década dos noventa. Pessoas que soterravam pequenos cadaleitos brancos, que agora agromam baleiros. Essas pessoas decidiam se um mulher merecia ou nom criar á criatura recém parida, ou se polo contrario deveria ser entregada a outra família afecta ao régime franquista. Alguém decidia por ela tirando um lucro. Agora, outra vez os confessionários, as redes ultra e um partido político que os representa, volvem decidir por nós, volvem julgar-nos, volvem invadir o nosso útero para expropriar-nos de nós mesmas e especular coa nossa capacidade de dar vida.
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sexta-feira, fevereiro 03, 2012
Déjà vu
Quando existe a sensaçom de que umha situaçom já foi vivida, chama-se “déjà vu”, “o já vivido”. Trata-se dum fenômeno experimentado por mais do 70% da povoaçom nalgum momento da sua vida, e que agora se explica como um falho no sistema que regula a nossa memória.
Déjà vu, é o que me provocou o Ministro Wert estes dias. Déjà vu o juízo a Baltasar Garzom. Déjà vu as declaraçons do Ministro Gallardón. Déjà vu as intençons da Ministra de Sanidade. Déjà vu a celebraçom da figura de Fraga...
Memória, experiencia vivida... que se misturam estes dias provocando umha irritante e persistente náusea que busca, sem sucesso, algo físico que represente o mal, onde lançar a ágria queimaçom que deixam as injustiças.
O déjà vu provoca em muitos casos sensaçons que quedam gravadas na vida das pessoas, permanecendo na suas consciências ao longo dos anos. Ficaram logo aí as imagens da entronizaçom aos altares da figura de Fraga, cuja memoria ajudarom estes dias a perpetuar, mans que nunca deveriam alçar-se ao chamado do seu nome. Ficaram as cabeças barbeadas e o azeite de ricino que Ana Mato projecta aplicar-nos cada vez que nom queiramos emprenhar. Ficaram as letras gravadas coa navalhinha de Ruiz Galhardón na nossa fronte de “assassinas”, por querer ter direitos. Ficaram as vozes acaladas pola justiça injusta, do mundo ao revés.
E,finalmente, essas vozes recorrentes na minha cabeça, essas vozes que desde as palavras do Ministro Wert sobre Educaçom para a Cidadania, ressoam co eco do adoutrinamento da ditadura que ninguém venceu. Umhas vozes, a minha entre elas, cum jogo de mans na rúa, passando as longas tardes da infância em escala de grises que nos fixérom padecer:
Déjà vu, é o que me provocou o Ministro Wert estes dias. Déjà vu o juízo a Baltasar Garzom. Déjà vu as declaraçons do Ministro Gallardón. Déjà vu as intençons da Ministra de Sanidade. Déjà vu a celebraçom da figura de Fraga...
Memória, experiencia vivida... que se misturam estes dias provocando umha irritante e persistente náusea que busca, sem sucesso, algo físico que represente o mal, onde lançar a ágria queimaçom que deixam as injustiças.
O déjà vu provoca em muitos casos sensaçons que quedam gravadas na vida das pessoas, permanecendo na suas consciências ao longo dos anos. Ficaram logo aí as imagens da entronizaçom aos altares da figura de Fraga, cuja memoria ajudarom estes dias a perpetuar, mans que nunca deveriam alçar-se ao chamado do seu nome. Ficaram as cabeças barbeadas e o azeite de ricino que Ana Mato projecta aplicar-nos cada vez que nom queiramos emprenhar. Ficaram as letras gravadas coa navalhinha de Ruiz Galhardón na nossa fronte de “assassinas”, por querer ter direitos. Ficaram as vozes acaladas pola justiça injusta, do mundo ao revés.
E,finalmente, essas vozes recorrentes na minha cabeça, essas vozes que desde as palavras do Ministro Wert sobre Educaçom para a Cidadania, ressoam co eco do adoutrinamento da ditadura que ninguém venceu. Umhas vozes, a minha entre elas, cum jogo de mans na rúa, passando as longas tardes da infância em escala de grises que nos fixérom padecer:
El verdugo Sancho Panza,
ha matado a su mujer,
porque no le da dinero
para irse para irse al café.
En Madrid hay una casa,
en la casa una pared,
en la pared una vía,
por la vía por la vía
pasa el tren.
En el tren va una señora,
que lleva un lorito blanco,
y el lorito va diciendo
Viva Franco!
Viva Franco!
Y su mujer.
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quarta-feira, janeiro 18, 2012
Fraga fai um último serviço à direita
Fraga cubriu coa súa morte, umha última folha de serviço à dereita. À que o acompanhou ao longo de toda a súa vida, primeiro com forma de dictadura fascista, e máis tarde como forza constritora dum proceso democrático nom completado.
Fraga fai este serviço, pechando essa folha impecável que mesmo inclue responsabilidade em assassinatos, torturas, desapariçom e tráfico de pessoas... do que nunca respondeu.
Nos últimos renglons ficara escrito para sempre " e morreu coincidindo co julgamento do juiz que pretendia investigar os crimes do fascismo, actuando como um tsunami informativo".
Hoje assistimos um dia mais ao paradojo de ver a todas as instituiçons do estado, aos médios de comunicaçom, e a dirigentes políticos, alavando a quem deveria estar no banquinho dos acusados respondendo dos seus crimes. O juiz Baltasar Garzón ocupa o seu lugar por iniciativa dumha organizaçom fascista cuxas denuncias forom tomadas em conta polos tribunais. Uns tribunais que estám desoindo o chamado de Justiça, que também hoje lançavam associaçóns de familiares, vítimas dumha rede que facia desaparecer bebes desde a década dos corenta, para entregalos a famílias do Régime. Esses pequenos ataúdes baleiros, atopados hoje em Gasteiz, som o símblo do modelo democrático que se nos impuso à cidadania e aos povos. Umha democrácia baleira, de direitos roubados, de mentiras e sofrimentos. Nom vai ser com maiúsculas que a história escribirá o nome de Fraga para as novas geraçons. Hoje é a sombra dum juiz acusado de perseguir a verdade, e esses pequenos ataúdes baleiros que nos falam de vidas roubadas...E manhá, passado e mais um dia mais, serám outras sombras, outros baleiros os que seguiram denunciando e clamando Justiça polos crimes do fascismo.
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terça-feira, dezembro 13, 2011
Palavras para Matilde
Que nom hai palavras para ti, di o Presidente do teu país, Nuñez Feijoo. Só lamentar o feito, di desde Madrid. Como se esta manhá fosses pola rua e umha árvore atravessara o teu último dia, como se na cama dum hospital o teu último alento jovem fosse o feche dumha longa enfermidade. Umha mulher nova, 38 anos... e nom tem palavras, só o lamento.
Mas ti mereces palavras, palavras fortes, vivas ante a tua morte. Palavras como Igualdade,como Justiça, como Liberdade, como Respecto, como Seguridade, como Tranquilidade... E mereces palavras de raiba e de impotência como Basta!, Abonda!, Nem Umha Mais!, Malditos Machistas. E o teu Presidente nom as atopa. Nom atopa a racionalidade do teu assassinato. Nom vê mais aló que um triste e inevitável sucesso.
Matilde, o teu, é um assassinato político. O teu nome vai no ronsel de muitos nomes mais. Nomes enfiados numha espiral violenta, froito dumha guerra que nom tem grandes trincheiras nem cámaras enviadas a um campo de batalha ou a umha cidade sitiada. A guerra do machismo contra os direitos das mulheres. Umha guerra de séculos, em tempos justificada por leis naturais, divinas ou humanas. Umha guerra que ante a insurreiçom das escravas, mostrasse virulenta nestes tempos. Umha guerra que, ainda que esteja oculta muitas vezes entre muros, nos patios, nas mesas ou entre cobertores, tem estrategas e cúmplices em governos, púlpitos, parlamentos, julgados, conselhos de redaçons, clubes de elites, cuarteis gerais, e, como nom! conselhos de administraçom.
Eres a última morte, mas nom a última das vitimas. Sintimo-las caminhar, respirar, falar... e também discutir, pensar, ocultar, chorar, dissimular, fingir, tremar,... Porque a guerra é triste, dura, destrutiva, abominável. Mas quero agora Matilde, dizer o teu nome enteiro, e o digo mil vezes. Matilde Vázquez Ramallal, Matilde Vázquez Ramallal... Por todas as noites que te setiches livre. Por todas as noites que caminaches tranquila. Por todos os menceres onde sonhaches e sorriches. Só podemos, ao pé do teu corpo frio, continuar caminho, nom já por ti, se nom por todas nós, por todas as que estam por vir.
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sábado, dezembro 10, 2011
Da Assembleia Nacional do BNG
Nom se me poderá dizer, com este artigo de opiniom, que me estou metendo em casa alhea, ou em assuntos que nom som da minha incumbência. A Assembleia Nacional do BNG, prevista para Janeiro, implica-nos a todas as pessoas que nos sentimos nacionalistas. Nom porque o nacionalismo seja igual ao BNG, nem tampouco polo contrário. O nacionalismo como expressom social, cultural e também política, tem muitas variantes e variáveis, mas é esta assembleia de Janeiro onde se vai concentrar a maior força de decisom nacionalista organizada, que vai ter umha clara influencia ou efeito dominó, em todas as outras expressons do nacionalismo, incluído o independentismo.
Nom estou certa do resultado desta assembleia, só estou certa de que o que transcende publicamente, nos meios de comunicaçom, nas redes sociais, nalgumhas reunions, ou nas conversas privadas... é que o debate gira ao redor da questom organizativa. Isto, sendo importante, nom é, baixo o meu ponto de vista, o fundamental ou o único a reformular na organizaçom de referência do nacionalismo. Hai que falar das políticas. Das que se implementarom, e das que se tenhem que defedender e implementar. E, relacionado com essas políticas, a questom da financiaçom, espelho que nos reflicte o subconsciente ativo de qualquer organizaçom.
Se o debate se resolve polarizando-se em dous blocos, o bloco UPG e o bloco anti-UPG, pouco se resolveria dos problemas que tem o nacionalismo político, para criar referencias que consigam a necessária hegemonia social. Umha hegemonia que ostenta o Partido Popular, abrigado e camuflado desde hai muitos anos coas peles de cordeiro galeguista. Tanto dentro do bloco-UPG, como dentro do bloco crítico coas práticas organizativas deste partido dentro do BNG, existem pessoas descontentas com muitas das políticas aplicadas nas instituiçons onde se conseguiu representaçom, ou nos movimentos sociais onde atuam militantes da organizaçom. E, existem também muitas pessoas noutra posiçom, pessoas que acreditam que o BNG nom tem dado os passos necessários para se converter no PSOE galego. Pessoas que acreditam num projeto ao estilo PSC, mas nos seus melhores tempos, claro. Eis o verdadeiro debate de Janeiro, o eterno debate de se colher o caminho da esquerda ou da direita. Esse debate que tem que partir dum consenso sobre o que é hoje, às portas do 2012, o caminho da esquerda, e clarificar também, si a social democracia hoje é útil para resolver os problemas da cidadania ante um capitalismo destrutivo e insaciável. Um debate que tem que falar de obxectivos e do “como” consegui-los, com claridade, sem ambiguidades ou curtopracismos.
O affaire Reganosa, a Cidade da Cultura, a defesa do AVE, a reivindicaçom de mais cota de CO2 e a mobilizaçom a prol do carbóm importado; a defensa das planta de agrocombustíbeis, do porto deportivo de Masó, a supeditaçom ás Caixas de Aforro, a reivindicaçom na Comissom de defensa do senado dumha planta de fabricaçom de avións espias para Ourense; o mantimento das deputaçons, o ataque ao Sindicato Labrego Galego, ... som algumhas das políticas às que assistimos nos últimos anos. Agora toca decidir. Agora toca saber se hai que completar esse caminho começado, ou virar de rumo.
A situaçom econômica e social, que só está começando a despontar em Galiza, se colhemos em consideraçom as ameaças de que o PP vai cumprir ao milímetro os plans de entregar aos mercados os nossos direitos convertidos em negócio, fai que muitas das pessoas que sofrem estas políticas, que som a maioria social, queiram ver nas organizaçons, e nas instituiçons a onde vam a representa-las, as forças que os defendam dessa perda de direitos. Os últimos resultados eleitorais, podiam ter essa leitura: um aumento dos votos a EU, como organizaçom mais útil para defender-se dos poderosos e menos desafectada dum movimento social emergente, o 15-M, capaz de fazer umha crítica em profundidade, tanto à representaçom e práctica partidária como ao capitalismo, e umha nova perda do voto ao BNG como consequência do seu processo de metamorfose à socialdemocracia, caída em desgraça por obra e graça da prática do PSOE.
Som momentos de agudas contradiçons. Som momentos de novas alternativas. O poder financeiro usurpa o poder político e a soberania nacional de muitos povos na Europa. A débida econômica do BNG co novo banco nascido das práticas especulativas das antigas caixas, nom pode ser obstáculo para criar uns novos referentes políticos, que construam as alternativas necessárias para identificar claramente os caminhos elegidos. Mesmo, umha valente decisom sobre essa débida, poderia resultar clarificadora da posiçom do nacionalismo frente ao poder financeiro, e um sinceiro e claro apoio para as alternativas de economia social que existem na Galiza.
Políticas que nos defendam dos poderosos, decisons com valentia política; prática política de mobilizaçom e organizaçom de maiorias sociais, construçom e apoio de alternativas reais aos modelos económicos e energéticos... Só assim se poderá aglutinar às forças transformadoras que gravitam em distintas órbitas, ainda que afastando-se inevitavelmente de repetir rutas e experiencias políticas de elites redentoras, que ainda que recurrentes no tempo, como vivemos estes dias, devenirom fracassos na recente história do país. Abrir campos de encontro e diálogo para confluir expresións políticas e sociais que estám condeadas a entender-se, e construir essa hegemonia social que permita as grandes transformaçons no nosso país. Transformaçons cara um novo sistema econômico e social, que essa mesma hegemonia nos irá concretando na sua conformaçom.
Aguardamos muito de Janeiro.
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Nom estou certa do resultado desta assembleia, só estou certa de que o que transcende publicamente, nos meios de comunicaçom, nas redes sociais, nalgumhas reunions, ou nas conversas privadas... é que o debate gira ao redor da questom organizativa. Isto, sendo importante, nom é, baixo o meu ponto de vista, o fundamental ou o único a reformular na organizaçom de referência do nacionalismo. Hai que falar das políticas. Das que se implementarom, e das que se tenhem que defedender e implementar. E, relacionado com essas políticas, a questom da financiaçom, espelho que nos reflicte o subconsciente ativo de qualquer organizaçom.
Se o debate se resolve polarizando-se em dous blocos, o bloco UPG e o bloco anti-UPG, pouco se resolveria dos problemas que tem o nacionalismo político, para criar referencias que consigam a necessária hegemonia social. Umha hegemonia que ostenta o Partido Popular, abrigado e camuflado desde hai muitos anos coas peles de cordeiro galeguista. Tanto dentro do bloco-UPG, como dentro do bloco crítico coas práticas organizativas deste partido dentro do BNG, existem pessoas descontentas com muitas das políticas aplicadas nas instituiçons onde se conseguiu representaçom, ou nos movimentos sociais onde atuam militantes da organizaçom. E, existem também muitas pessoas noutra posiçom, pessoas que acreditam que o BNG nom tem dado os passos necessários para se converter no PSOE galego. Pessoas que acreditam num projeto ao estilo PSC, mas nos seus melhores tempos, claro. Eis o verdadeiro debate de Janeiro, o eterno debate de se colher o caminho da esquerda ou da direita. Esse debate que tem que partir dum consenso sobre o que é hoje, às portas do 2012, o caminho da esquerda, e clarificar também, si a social democracia hoje é útil para resolver os problemas da cidadania ante um capitalismo destrutivo e insaciável. Um debate que tem que falar de obxectivos e do “como” consegui-los, com claridade, sem ambiguidades ou curtopracismos.
O affaire Reganosa, a Cidade da Cultura, a defesa do AVE, a reivindicaçom de mais cota de CO2 e a mobilizaçom a prol do carbóm importado; a defensa das planta de agrocombustíbeis, do porto deportivo de Masó, a supeditaçom ás Caixas de Aforro, a reivindicaçom na Comissom de defensa do senado dumha planta de fabricaçom de avións espias para Ourense; o mantimento das deputaçons, o ataque ao Sindicato Labrego Galego, ... som algumhas das políticas às que assistimos nos últimos anos. Agora toca decidir. Agora toca saber se hai que completar esse caminho começado, ou virar de rumo.
A situaçom econômica e social, que só está começando a despontar em Galiza, se colhemos em consideraçom as ameaças de que o PP vai cumprir ao milímetro os plans de entregar aos mercados os nossos direitos convertidos em negócio, fai que muitas das pessoas que sofrem estas políticas, que som a maioria social, queiram ver nas organizaçons, e nas instituiçons a onde vam a representa-las, as forças que os defendam dessa perda de direitos. Os últimos resultados eleitorais, podiam ter essa leitura: um aumento dos votos a EU, como organizaçom mais útil para defender-se dos poderosos e menos desafectada dum movimento social emergente, o 15-M, capaz de fazer umha crítica em profundidade, tanto à representaçom e práctica partidária como ao capitalismo, e umha nova perda do voto ao BNG como consequência do seu processo de metamorfose à socialdemocracia, caída em desgraça por obra e graça da prática do PSOE.
Som momentos de agudas contradiçons. Som momentos de novas alternativas. O poder financeiro usurpa o poder político e a soberania nacional de muitos povos na Europa. A débida econômica do BNG co novo banco nascido das práticas especulativas das antigas caixas, nom pode ser obstáculo para criar uns novos referentes políticos, que construam as alternativas necessárias para identificar claramente os caminhos elegidos. Mesmo, umha valente decisom sobre essa débida, poderia resultar clarificadora da posiçom do nacionalismo frente ao poder financeiro, e um sinceiro e claro apoio para as alternativas de economia social que existem na Galiza.
Políticas que nos defendam dos poderosos, decisons com valentia política; prática política de mobilizaçom e organizaçom de maiorias sociais, construçom e apoio de alternativas reais aos modelos económicos e energéticos... Só assim se poderá aglutinar às forças transformadoras que gravitam em distintas órbitas, ainda que afastando-se inevitavelmente de repetir rutas e experiencias políticas de elites redentoras, que ainda que recurrentes no tempo, como vivemos estes dias, devenirom fracassos na recente história do país. Abrir campos de encontro e diálogo para confluir expresións políticas e sociais que estám condeadas a entender-se, e construir essa hegemonia social que permita as grandes transformaçons no nosso país. Transformaçons cara um novo sistema econômico e social, que essa mesma hegemonia nos irá concretando na sua conformaçom.
Aguardamos muito de Janeiro.
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quarta-feira, outubro 12, 2011
A hora de Cristina
A chamada ao 112 *, nom salvou a vida de Cristina González Sacau... Pode ser que a privatizaçom e merma deste serviço, tivesse algo a ver... Mas nom é nesses minutos de urgência na única hora na que as mulheres vítimas de violência machista se jogam a vida. Os dados do infortúnio para Cristina já foram lançados antes, na sua vida e na de centos de mulheres que moi perto de nós tenhem marcada a sua hora e o seu dia, no calendário da violência machista.
A hora de Cristina estava marcada, quando os seus gritos fixerom eco no baleiro da consciência dumha vizinhança que assegura ter ouvido o que parecia umha rifa entre ela e a sua ex-parelha.
A hora de Cristina estava marcada, quando os serviços comunitários e especializados, antes já escassos, começarom a ser recortados e inabilitados para a prevençom de situaçons de risco.
A hora de Cristina estava marcada, cando a sanidade pública, que já antes carecia de recursos suficientes para formar profissionais, desenvolver protocolos ou mesmo ampliar a abordagem de áreas fundamentais como a saúde mental, começou o seu desmantelamento.
A hora de Cristina estava marcada, cando na escola dos seus filhos, ninguém capacitou ao professorado para detectar situaçons de risco em menores.
A hora de Cristina estava marcada, cando de pequena aprendeu a renunciar aos seus direitos sonhando cum amor de filme "tua para sempre".
A hora de Cristina estava marcada, cando a sua ex-parelha aprendeu a confundir desejos com direitos, e aprendeu a amar co filme "ou minha ou de ninguém".
É hora de desprogramar os relógios da violência machista. É hora de tomar definitivamente consciência dos engranaxes que fam que a maquinária sanguenta siga funcionando. É hora do compromisso coas transformaçons que necessitam as nossas sociedades para deixar de cobrar-se miles de vidas de mulheres cada ano. É hora de abandonar um modelo de vida que gira só ao redor do valor do máximo benefício e da lei do mais forte. É hora de construirmos um outro modelo social que valorize os cuidados e teça os afetos com fios de liberdade e igualdade. O 15 de outubro, em todo o planeta, mobilizaremo-nos por um cambio no modelo econômico, social e político. Metamos também nas praças de todo o mundo, este 15 de outubro, a vontade de parar este macabro relógio.
* El País - Foto: LALO R. VILLAR | 12-10-2011 Levantamento do cadáver de Cristina González Sacau assassinada em Vigo
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sábado, setembro 24, 2011
Onte em Ferrol
Umha pequena manifestaçom, convertida num passaruas inaugurativo, recorreu onte as ruas de Ferrol. Foi o inicio do Foro Social de Ferrol Terra que vai desenvolver debates, reflexons, e horas de convívio... ao longo do sábado e o domingo. Umha pequena manifestaçom que sorprendia aos habitantes do centro da cidade com música e cunhas publicitadoras do Foro, mentres se lhes ofertava um programa de mam, que recolhia um trabalho de mais dum ano para criar esse espaço de encontro e colaboraçom. Umha pequena manifestaçom que, se bem nom foi quem de ilusionar e comprometer a movementos e colectivos mais amplos, gardou e garda no seu seio, no seu xeito de comprometer e compromisso, a ineludível rebeldia de que "um outro mundo é possível", e se nos achegamos, se nos unimos "um outro mundo é mais factível". Começa logo o Foro Social de Ferrol Terra.
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