sexta-feira, dezembro 25, 2009

Livros



Depois dumha longa travessia polo oceano dos ensaios, onde a leitura era para mim umha ferramenta de trabalho para aplicar a diário, a dor, a tristeza e a saudade destes últimos meses figérom que atracara nas mansas aguas dos relatos, famenta como estava de histórias cálidas, de passar de actora a espectadora da vida. E como quem busca heroína na rua devecendo por acalmar a sua ánsia, entrei numha livraria e pilhei a minha dose sem ver o momento de botar o cobertor na cama e coa luz dumha lámpada nova que merquei para completar a homenagem, lancei-me ávida sobre os livros que seriam o meu passaporte a outros mundos.

A primeira viagem fixem-na da mam de Antonio Yañez. Escolhim o livro porque o autor tem vínculos familiares comigo e a curiosidade algo morvosa de esquadrinhar por dentro a pessoas que conhecemos noutras facetas da vida, tentou-me e nom me arrepinto. Surpreendeu-me a capacidade descritiva dumhas paisagens que estám aqui, acompanhando-me na Terra de Trasancos. As palavras, muitas esquecidas ou mesmo desconhecidas, eram evocadas em mim e se me apresentavam singelas, familiares, como se pertenceram à minha infáncia, e aí estavam para acompanhar na sua "Viaxe a Libunca" ao protagonista. Tenho que dizer que aguardava com espectaçom o passo pola minha parróquia, Caranza. Fiquei algo incómoda pola brevidade do relato e as qualidades outorgadas às mulheres que encontrou ao seu passo. Lembrei quanto deixa quem escreve de autobiográfico nos seus escritos. Ainda nom tivem ocasiom de felicita-lo polo livro e comentar-lhe que o prémio era merecido.

Iniciei a minha segunda viagem da mam de Marilar Aleixandre, entre adolescentes, cumha linguagem ágil e moderna que vai desenvolvendo umha historia de instituto que pode situar-se em qualquer ponto do país. As citas utilizadas pola autora para iniciar cada capítulo podem ser lidas todas seguidas, assim, como enchente, e para contrasta-las coa actualidade do relato e sacar as nossas próprias conclusons. Alegrei-me de ter superado esta etapa da vida tam confusa como é a adolescência e nadar nas tranquilas aguas dos cinquenta. Ainda assim, matinei que, sem ser adolescente, às vezes ter "A cabeza de Medusa" pode ser a explicaçom dalgumha reacçom da gente que se cruza nas nossas vidas.

Agradeço por último que Agustín Fernández Paz, recolhesse no seu livro "O único que queda é o amor" este ácio de relatos curtos. Assim, como se umha dose de xarope se trata-se, fum noite trás noite medicando-me coas suas histórias, que ainda que muitas enleam às pessoas que as protagonizam coas trampas do amor romántico, estám tam bem contadas que o jogo de palavras vai tecendo umha ananás onde adormecer transitando por ruas de névoa, festas de cámara lenta ou livrarias tiradas do filme "Ameli".

Agora estou coa protagonista do relato de Rosa Aneiros, "Sol de Inverno". Gosto muito desta história, mas devo estar sanando da minha enfermidade que nom puxo del como nestas semanas. Porém, anda olhando-me Amalia Valcárcel, cada dia que me deito, desde o andel onde tenho pousado o seu livro " Feminismo en el mundo global", como dizendo, "venha que urge". E no móvel do banho, Pascual Serrano me aguarda para que remate o seu "Desinformación: Como los medios ocultan el mundo". Ainda assim, pensando numha recaída, ando recompilando livros de poesia para meter-me umha dose de quando em vez, como prevençom, no vaia ser que as sombras e o infortúnio queiram aninhar para sempre no meu coraçom.
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quinta-feira, dezembro 24, 2009

Bom Natal



Nestes dias é impossível resistir-se a reflexionar sobre qual é o sentido destas festas. Os porta-vozes católicos, assomam aos médios de comunicaçom directa ou indirectamente para reivindicar a propriedade intelectual destas datas, concretada em belens, panxolinhas e necessidade de fazer o bem, ainda que no fundo nom seja mais que o plano maquiavélico dum deus que fai nascer o seu filho para mata-lo, como único jeito de arrincar-lhe o perdom. Fora disso, dim que só queda consumo desenfreado e mercadotécnia.

O feito de que o discurso dominante no Natal, associasse religiom e harmonia familiar ao longo de várias geraçons, fixo que para muitas pessoas a celebraçom destas festas seja, quando nom umha tortura, um compromisso social difícil de levar.

O substrato que conforma a nossa cultura, fai que os costumes ligados à celebraçom do Yule da tradiçom atlántica e germana, ou a festa em honor ao nascimento de Saturno estendida polo império romano,entre outros, perdurem ao longo dos séculos, e os vejamos reviver com força em forma de árvores enfeitiçados e luzes, muitas luzes, que iluminam os curtos dias do começo do inverno.

Os cámbios estacionais, a relaçom destes coa estrela que nos permite a vida, afectam a pessoas de fé católica, cristiana, ateas ou agnósticas, mesmo a quem nom dedicou muitos segundos da sua vida a reflexionar sobre crenças ou cosmovisons. É o que muitas pessoas se negam a assumir em quanto aos efeitos do cámbio climático. É o que intentam negar apegando-se desesperadamente às suas riquezas e ao seu modelo de vida às pessoas mais poderosas do planeta.

Por isso, porque as noites som mais longas, o frio impom-se e o fim do calendário convida-nos a fazer bons propósitos e a agasalhar a quem mais queremos, ou a quem temos que mostrar agradecimento, as festas de Natal seguem presentes e ainda sem compreender as suas origens a celebraçom vai passando de geraçom a geraçom, com cámbios isso sim, porque ademais, abrange nom só ao mundo familiar, senom à convivência no mundo do trabalho, marca o calendário laboral, a economia...

Por se vos serve de algo, direi-vos que intento que cada ano estas festas sejam ligeiras, que nom me presionem. Que agasalhar, me faga feliz. Que me agasalhem, me adoce o dia. Que a participaçom em reunions familiares ou de trabalho sejam tranquilas. E rir-nos um pouco, ainda que muitas das pessoas que acudimos a elas, vaiamos carregando cada quem cos seus problemas, e cos nossos mortos e mortas, que nestas datas, vesti-mo-los como abrigos para acompanhar-nos ali a onde imos, como si a sua lembrança precisara também de achegar-se às luzes, muitas luzes, para fugir da escuridade destas curtas noites de solstício. Bom Natal, isso sim, menos machista, mais solidário e ecológico.

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quarta-feira, novembro 25, 2009

Avoinha, avoinha… que dentes tam longos tês!

No mitim onde se apresentou a futura Lei de Economia Sostível, Zapatero reiterava mais umha vez, que o PP “nom tem projecto para Espanha”. Quem convenceu à cúpula do PSOE de que esse lema era necessário e útil para criticar à oposiçom conservadora, equivocou-se de pleno. O PP tem um projecto perfeitamente definido, e está articulado co poder financeiro e a hierarquia católica. Na Galiza, o seu projecto é tam claro, que só o medo a tensar demasiado a corda e ter que enfrentar-se a um reagir social como o do Prestige, fai que os motores vaiam a meio gás polo de agora, mas o rumbo do barco deixe umha estela inconfundível. É por isso que todos os esforços deveriam estar orientados a desenmascar esse projecto diante da opiniom pública, e nom a negar a sua existência como um defecto ou carência. Ogalhá esta direita nom tivesse claro o que tem que fazer!

A ONU afirma que o benestar dumha sociedade mide-se polo nivel de igualdade e direitos das mulheres nela. Da mesma forma poderiamos avaliar a acçom política do Partido Popular. É em datas como a do 25 de Novembro, onde mais oportunidades hai para pôr o termómetro social e indicar como está a temperatura da sociedade galega em quanto a direitos e liberdades das mulleres. O diagnóstico é reservado. Existe ademais umha complicaçom engadida que está sendo muito difícil de atalhar. É coma no conto da Carapuchinha, o lobo que a quere comer pom-se as roupas da avoa para engana-la, é dizer, fazer umha cousa coa intençom e a resoluçom de conseguir precisamente o contrário.

Marta González, directora do SGAI desde o 2003 ao 2005, coa Conselheira de Familia, Muller e Xuventude, Manuela López Besteiro, e actual Secretaria Xeral de Igualdade co governo de Feijoo, anunciava diante dos medios de comunicaçom, que a prioridade para rematar coa violência contra as mulheres estava na educaçom, e de feito, sobre este ponto gira a campanha institucional deste ano. Avoinha, avoinha… que olhos tam grandes tês! Som para ver-te melhor minha filha. A loucura privatizadora, o recorte do professorado, o apoio e defensa dos centros que segregam por sexos ao alumnado, as críticas à asignatura de educaçom para a cidadania, a ausência da educaçom afectivo sexual… som as realidades que vam socavando a escola como um serviço público e o rol que deveria jogar na eliminaçom da violência de género.

Na declaraçom institucional deste ano, a Xunta de Galicia incide que neste 25 de Novembro deve-se reflexionar sobre as medidas a tomar para “garantir a atención inmediata e especializada ás vítimas”. Avoinha, avoinha… que nariz tam longo tês! É para cheirar-te melhor minha filha.

O abandono do desenvolvemento da Lei galega contra a violência machista, o futuro incerto dos Centros de Recuperación Integral, o despido das 61 pessoas e feche das oficinas, a maioria no rural, de I+B (Igualdade e Benestar),… convertem a declaraçom institucional em papel molhado pola baba do lobo relambendo-se ante a Carapuchinha.

Avoinha, avoinha… que dentes tam grandes tês! O final deste conto está por escrever.

Poderá Carapuchinha enfrentar o desmantelamento dos serviços públicos que garantem o exerciço de muitos dos seus direitos? Será quem Carapuchinha de conseguir os recursos necessários para deconstruir os mitos e crenças que alimentam a violência machista? Poderá Carapuchinha evitar que muitos desses recursos sejam absorvidos umha e outra vez pola actividade financieira regida pola especulaçom e o enriquecemento sem límites?

Nas últimas oposiçons organizadas polo SERGAS em Silheda, ao redor de 15.000 pessoas deambulavam entre as naves agardando o começo das provas. Um grupo importante de pessoas, na súa maioria gente nova, adicava-se a recolher sinaturas para pedir cadea perpetua para os condenados por assassinatos machistas. Hai pouco apresentava-se umha iniciativa legislativa popular avalada com 30.000 sinaturas para que o governo galego ponha os medios para que as mulheres, nomeadamente as adolescentes, acavem aceptando levar a termo o seu embaraço. Nas misas reparte-se propaganda e desde os medios de comunicaçom ameaça-se coa condenaçom eterna. O activismo de direitas toma as ruas e inxecta ideologia, apresentando ante a sociedade as soluçons mais populistas e feroces, aos problemas sociais. O activismo de esquerdas vai ter que atopar o atalho no bosque para buscar esse final feliz no que nos vai a vida e a esperança.

Mércores 25 de Novembro, 2009
Lupe Ces

Publicado em Tempos Dixital
Revista de Informaçom, opiniom e debate na rede.

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sábado, outubro 24, 2009

Anita



Apartando a intensa dor que me impede quase respirar, achego-me a este teclado. Tento pensar que nom é a mim a quem corresponde paralisar-me e deixar-me afogar no poço da sem-razom que é a sua morte. Enquanto esse tornado de dor e desesperaçom estará engolindo agora a todos o seus seres queridos, sinto que eu tenho que transmitir ao mundo quem era Anita, para que vos compadeçais de nós por tê-la perdido, e para que saibais o que perdechedes, as pessoas que nom a puidechedes conhecer.

Anita era umha sustentadora do mundo. Assim aparece nesta foto que se veio asinha à cabeça em quanto soubem da sua trágica morte. Assim, sustendo a Colcha da Solidariedade que muitas mulheres do mundo tecerom no ano 2005, com o anaco aportado por nós em Vigo, e que tam bem simbolizava a solidariedade.

Sustentadora do mundo, porque por onde quer que passava, ainda que o tempo a alonjara dum contacto diário, a sua pegada quedava indelével. Por isso, no dia de hoje, onde um maldito segundo roubouno-la para sempre, soa um eco por toda a comarca Ártabra "que imos fazer sem ela?"

Trabalhei com Anita muitos anos na MMM. Nada seria igual sem ela, sem a sua habilidade construtora de optimismo e esperança. Sei que foi o mesmo na sua actividade de mais nova no colectivo juvenil "Ar Ceibe". A Secretaria da Mulher da CIG, teve também o privilégio da sua participaçom, assim como outros colectivos políticos e sociais.

Mais queria sublinhar o seu bom fazer profissional. Como educadora social puidem ver os seus logros no curto espaço que o Concelho de Valdovinho a tivo contratada. O trabalho e a coordenaçom com o meu centro, o CPI de Atios, dérom tantos benefícios para o estudantado com problemas, que desde o Conselho Escolar tentamos sem sucesso, umha e outra vez, que voltara a ser contratada. Assim passou também na sua curta estáncia nos serviços sociais do concelho de Ferrol, onde levou adiante muitas iniciativas, todas elas sanadoras e criadoras de vida.

Porque Anita era umha sanadora. Chamavas para consultar-lhe um problema porque sabias que ela abria as maos e ali te oferecia um recurso, umha ideia. Sempre lembrarei especialmente o que me ajudou nos últimos anos da vida de meu pai. Foi ela a que abriu a mau para que aparecesse Ana, que o acompanhou a el, e sobretudo à minha mai, nos últimos meses.

Agora tinha um cargo muito importante no CAMF de Ferrol, como se correspondia à sua professionalidade. Imagino a todas e a todos unindo-se ao nosso eco "que imos fazer sem ela?"

Nunca, nunca , nunca pensei que teria que escrever isto, tam injusta é a tua morte para ti e para os teus. Por isso só posso dizer-te entre lágrimas, que viverás nos nossos pensamentos enquanto dure o nosso tempo, e que tentaremos ser cada dia um pouco coma ti. Anita, Anita...
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sexta-feira, setembro 18, 2009

Propriedade e empréstimo som questom de valores



Nom som partidária dos livros de texto. As editoriais nom deveriam marcar nem as programaçons, nem o dia-a-dia das aulas. Mas, mentres o sistema escolar nom se libera de velhas ataduras e nom rompe esquemas que o mantenhem case na sua totalidade, em quanto à metodologia, imutável desde mediados do século XX, temos que aceptar que a utilizaçom do livro de texto, como eixo vertebrador dos processos de aprendizagem, é hoje o enfoque metodológico mais extendido nas aulas. Polo tanto, todo o que gira ao redor do livro de texto, desde os contidos até o jeito de adquiri-los e utiliza-los, influe enormemente no sistema educativo, polo que o debate actual sobre a gratuidade ou nom dos livros, nom pode limitar-se, sendo importante, só a um problema de dinheiro.

O sistema de empréstimos que se véu desenvolvendo tardiamente na Galiza co governo bipartito, fomentava umha série de valores que cumpre publicitar. Porque ali onde podamos, as pessoas que acreditamos na urgência dumha sociedade mais justa, temos que contrarrestar a agitaçom social promovida desde a Consellería de Educación, baseada em sentimentos de inveja e ressentimento, fronte à solidariedade pretendida. Assim, temos às famílias do alumnado mais pendentes de quem recebe a ajuda e quem nom, de ver se "lhe pagamos" ou nom os livros ao filho do vizinho, que tem salário fixo, ou um coche "que já nos gostaria na porta”, que dumha séria reflexom, junto co resto da comunidade educativa, sobre que é o que verdadeiramente perdemos ou ganhamos com este cámbio.

Nom chega com argumentar que volver ao antigo sistema de livros em propiedade é muito mais caro para os orçamentos públicos, e polo tanto muito mais caro para toda a sociedade, dado que mentres o sistema de empréstimo mantinha os mesmos livros ao longo de quatro anos, o sistema em propiedade obriga a dar ajudas continuas cada curso.

Nom chega com argumentar que vam ser moi poucas as famílias que recebam a ajuda e que essa ajuda nom vai cobrir o 100%. Hai que explicar que o sistema em propiedade gera desde o princípio de curso grandes desigualdades. Só teríamos que passear-nos polas aulas para ver quantos nenos e nenas levam desde o dia dez sem livros, porque na sua família nom cobrárom ainda o paro ou o finiquito para poder mercar-lhos e posteriormente pedir a ajuda. Co sistema de empréstimos todo o alumnado começava, quando menos nesse aspecto, em igualdade de condiçons. Agora volveremos a ver os livros todos sublinhados ou desgastados polo mal uso, aproveitados polo familiar ou vizinha menos favorecida. Sempre sairám de balde, mentres que a ajuda obriga a um desembolso total primeiro, e só a recuperar umha porcentagem, seja grande ou pequena, depois.

Nom chega com argumentar que a gestons das ajudas supom umha sobrecarga para as escolas, ou que as equipas informáticas habilitadas nos centros som insuficientes e precisam de muitos apoios porque o analfabetismo informático é moi maioritário no nosso país. Hai que explicar que é um cámbio no sentido contrário ao do aproveitamento e optimizaçom dos recursos. Ingentes cantidades de papel serám empregadas cada curso em repetir praticamente as mesmas ediçons duns livros que acabarám a sua funçom, na maioria dos casos, a finais de Junho.

Hai que exigir que fagam públicos os estudos aos que se chama a Conselharia, que demostram os melhores resultados académicos entre escolares com livros em propiedade e os que tenhem sistema de empréstimo. Que fagam saber que mostra tomarom, em que estrato social e ámbito geográfico, e como vinculam propriedade do livro e êxito escolar.

O que demostrou o sistema de empréstimo é que ao final de curso, nom saíam, como era habitual, as folhas e as capas, cada umha co seu próprio plano de vóo, polas janelas. Os livros passárom a ser espaço compartido, território em mancomum, que se respeita e se coida. Assim, a igualdade entre o alumnado conseguia-se nom polas ajudas ou subsídios, senom polo dever que tinham em coidar o que era de todos e de todas.

Perdemos em valores de igualdade e responsabilidade, perdemos em actitudes de respeito e colaboraçom, perdemos na educaçom de cidadáns e cidadás conscientes em direitos e deveres. Mais penso que todo isto já se sabia e mesmo se perseguia, polos novos dirigentes da Consellería de Educación.

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domingo, setembro 13, 2009

Radio Galega, a rádio roubada

Roubárom-nos a rádio pública galega. Asaltárom-na e ferida de morte, dérom-lhe o tiro de graça coa nova grelha. Som @s de sempre. Os mentiráns e censuradores que ao longo dos governos presididos por Fraga Iribarne, ocultárom e restringírom informaçom, escorados ao lado do poder, esquecendo a vocaçom de serviço público e objectividade e pluralidade informativa e formativa que compete a umha rádio pública. Som os mesmos nomes, encabezados polo inesquecível Xusto López Carril, condutor durante a era Fraga dos informativos da manhá; María Xosé Rodríguez, sempiterna protagonista dos magassines, ou Tino Santiago, malabarista da mentira e a subxectividade informativa ao serviço do poder. Som os mesmos nomes, as mesmas idéias, o mesmo provincianismo, a mesma radio de segunda que nom merecemos.

Nom poderiam ser outros nomes, porque as xefas volvem ser as mesmas. Rosa Vilas Nuñez, desde o ano 1989 na RTVG, já foi subdiretora de informativos cos governos do PP até o 2005, agora ascendida a diretora da TVG. E Rosa Martínez Rivada nova diretora da Radio Galega, ainda que velha servidora dos interesses do PP nos médios públicos. Leva na Radio Galega desde 1986, foi subdiretora cos anteriores governos do PP.

Como é que estas pessoas nom tenhem que responder pola censura coa que forom cúmplices durante tantos anos? Como é que estas pessoas volvem colher o espaço público como se os três anos e medio no que respiramos nas ondas um pouco de liberdade, fossem só um espelhismo, um sonho. A realidade volve a ser a sombra da caverna.

Doe como volvem a usurpar a Radio Galega, e como mendicantes buscamos aqueles dias e minutos contados onde aparece na programaçom algo que motive, solprenda, entretenha ou mova à reflexom. Sim, esses minutos existem. Ainda a nova direcçom nom se deu conta dessas bolsas de oxigeno que nos permitem respirar e seguir existindo como ouvintes da radio pública. Mas a mim pessoalmente, doe-me que eliminaram da parrilha o programa Extrarrádio, conduzido por Belén Regueira. Os sábados e domingos pola manhá, na casa ou viajando, escoitavamos a Belén e a sua equipa e sentiamo-nos a gosto. Nom porque as idéias, os comentários, a informaçom ou os temas tratados fossem os que eligiríamos no caso de poder participar na elaboraçom do guiom, incluídas, numha mostra de pluralidade inexistente até o 2006, muitíssimas entrevistas a dirigentes do PP. Mesmo levamos umha decepçom quando se eliminou a secçom dos comentários de Carlos Taibo. Senom porque era um espaço de respecto, posta em valor dos sinais de identidade galegos, um abraço entre as distintas realidades de Galiza, onde confluía o rural e o urbano, o moderno e o antigo, o tradicional co inovador. Todo isto desde umha rádio de calidade, onde a formaçom das profissionais que o conduzíam, marcava a diferença. Divertia, ensinava, movia à reflexom. Em fim, o que tem que ser a rádio. Agora lembro com morrinha o espaço dedicado ao concelho de A Veiga no último programa, foi excepcional.

Caiu-nos a condena dumha longa singladura polo deserto. Quando ganhou as eleiçons o PP, Belén Regueira dizia num artigo n'A Nosa Terra que nom havia que cair no vitimismo, que o que havia que fazer era viver. Quitam-nos o ar para respirar, a terra debaixo dos pés e ademais de todo isto, andamos encerelhando entre nós botando-nos areia aos olhos, penso que só podemos centrar todos os esforços em sobreviver. Eu tampouco dou para moito, só se me ocorreu enviar um correio de protesta ao programa "somosquen@crtvg.es", outro à diretora da radio "dir.rg@crtvg.es" e outro à xefa de programas "radiogalega@crtvg.es".

Como garantir a independencia d@s profissionais da RTVG? Como evitar a sua privatizaçom? Como protege-la dos cambios politicos que a apartam do serviço a sociedade galega? Como garantir esse controlo social?

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quinta-feira, setembro 10, 2009

Que che fixemos Laura?


Tenho preocupaçom pola reacçom social que envolveu o assassinato de Laura Alonso Pérez no concelho de Toén. A medida que passavam os dias depois da sua desapariçom, as vozes que pediam endurecimento das penas, cadeia perpetua ou mesmo pena de morte íam in crescendo, coa ajuda inestimável dos meios de comunicaçom que abriam foros e votaçons para a reforma do Código Penal, como si a existência ou nom da violência machista tivesse relaçom co número de anos, meses e dias das sentenças que se ditam. Só hai que mirar, como me apontava umha amiga, que muitos agressores actuam como terroristas suicidas, sem dar opçom à justiça a actuar contra eles.

Mentres a sociedade siga alimentando sentimentos de vingança e ensanhamento, e nom esté disposta a acometer os cámbios necessários para arrincar as raízes que alimentam a violência machista, seguiremos enterrando a muitas Lauras.

Já som muitos os sinais que nos indicam que a sociedade galega deu um golpe de timom no rumo que a levava cara a umha sociedade inspirada nos valores da igualdade. Coa morte de Laura, apontam as contradiçons entre o que significa chorar diante do seu cadaleito e apoiar políticas que preparem o escenário do novo crime. Sem dúvida estamos diante dumha involuçom do que pareciam ser avanços consolidados em quanto a liberdade e direitos das mulheres.

Essa reacçom visceral ante o assassinato de Laura convertida num feito mediático, espida absolutamente de análise e reflexom, indica-nos até que ponto a sociedade galega está impossibilitada para rematar coa violência machista e evitar mais assassinatos de mulheres. Nom se pode deconstruir ou desactivar o que se desconhece, e segue havendo umha grande ignoráncia social a respeito da violência machista, por quê se dá?, quais som os efeitos que produz nas vítimas?, que tipo de masculinidade a exerce?, e sobre todo... como prevé-la?.

Exercer umha responsabilidade política, aumenta em muitos graos o efeito dessa ignoráncia. É também muito perigoso, desconhecer ou minimizar o efeito que sobre o repunte ou o retrocesso da violência machista, tenhem as políticas que se aplicam desde os poderes públicos ou a influência que neste fenómeno tem, a ideologia que extendem as instituiçons mais poderosas na nossa sociedade, nomeadamente a cúpula católica.

Essa ignoráncia demostrou-na o Presidente da Xunta, Alberto Nuñez Feijóo, na declaraçom institucional realizada a raiz do assassinato de Laura Alonso, comentando que na Galiza o assassinato de mulheres era algo "excepcional". Palavras pouco adequadas para referir-se a um fenómeno social no que a morte de cinco mulheres no que vai de ano, é só a ponta dum iceberg que arrastra miles de denúncias nos julgados, e que agocham muitas mais agressons todos os anos no nosso País.

Seriam só palavras, que se poderiam desculpar, se nom agachassem umha ideologia e umhas políticas que vam na direcçom contrária dos valores da igualdade. O Partido Popular ao que pertence, deu sobradas monstras delo, opondo-se à Lei de Igualdade, á reforma da Lei do Aborto, á inclussom nas escolas da asignatura "Educación para a Cidadanía", a igualdade de direitos das pessoas homosexuais, apostando pola guerra ... e abandeirando umha política económica de privatizaçom dos serviços públicos, baixada de impostos e aforro do gasto público em serviços e prestaçons sociais, que é um ataque directo à igualdade das mulheres.

Seriam só palavras, as de Feijóo, ante a morte de Laura Alonso, que poderíamos disculpar se nom tivessem detrás umha vontade política de colocar ao frente das instituiçons galegas pessoas de conhecida ideologia integrista e misógena, que, como no caso do Conselleiro de Educación -Xesús Vázquez Abad-, aceita como bom, a segregaçom por sexos nas escolas, ameaçando o presente do sistema público de ensino, onde umha parte muito importante da comunidade escolar esforça-se, na formaçom em valores da igualdade, do ecologismo e a paz. El conhece esse passado recente e esse presente. Sabe como reaccionou o ensino público ante a catástrofe do Prestige ou ante a guerra de Irak. Sabe-o el, e o Opus Dei, a organizaçom que parece inspirá-lo. Polo que o ensino público, vai ser umha das instituiçons galegas mais atacadas nesta legislatura. Umha instituiçom chamada a ajudar a formar pessoas cumha nova masculinidade, novos roles nom esteriotipados, novas relaçons afectivo-sexuais baseadas no respecto e a igualdade.

As de Feijóo, forom só palavras, que seríam anécdota, se o governo que dirige, nom estivera abrindo umha fenda nos direitos e liberdades das mulheres. A Conselleira de Sanidade -Mª Pilar Farjas Abadía- vai à frente dessa actuaçom, nom só pola sua carreira privatizadora dum serviço público básico para as mulheres, senom que nela se arroupa o mais reseso dos integrismos que qualificam o aborto como um assassinato. Assim pretendem aplicar na Galiza o terrível modelo de apoio às mulheres com embaraços nom desejados, que já está em vigor em Valencia. O objectivo é, em primeira instáncia, convencê-las de que o melhor para elas é levar a termo o embaraço, que já haverá a quem entregar ao seu filh@ umha vez parid@, sem ter em conta os sentimentos ou a afectaçom que para a saúde mental das mulheres comporta esta terrível decissom. Essas mulheres vam poder ser acolhidas por outras familias, que por suposto lhes transmitiram os valores dumha maternidade adnegada na que a sua vontade e desejo conta bem pouco. Um modelo que ignora a responsabilidade masculina, e que vai dirigido fundamentalmente às mulheres mais vulnerábeis (adolescentes ou mulheres pobres), nom para empodera-las e dar-lhes a suficiente autonomia para que tomem com liberdade às suas própias decissons, senom para encorsetá-las num modelo feminino herdado dos manuais da "Sección Feminina" e das ordes religiosas, tradicionalmente dedicadas a redimir "vidas descarriadas". É que a Conselheira di que o aborto é a monstra palpável do fracasso da educaçom sexual. Teria-nos que explicar de que educaçom sexual fala Pilar Farjas e onde se imparte.

O alcalde de Toén, aparecia nos meios de comunicaçom primeiro abatido, logo, ante a detençom do agressor, com cuja família mantinha umha forte vinculaçom política e de amizade, o abatimento convertiu-se em desorientaçom. A vítima e o verdugo dentro do seu círculo de confiança. O discurso oficial de condea nom servia. Era como se se dera conta por um momento que algo tinham feito mal em Toén. Como se puido chegar até aí? Como é que nom pararom a tempo as cousas quando havia que para-las? Por que um rapaz de boa família chega a fazer o que fixo? Por que a umha rapaça como Laura, as idas e voltas dumha relaçom lhe custam a vida? Nom lhes virom nunca nada na escola? Que lhes diziam na misa? E no centro de saúde, nunca lhe notarom nada? E na casa, que lhes diziam na casa? Que se fai nestes casos? Que haveria que fazer antes?... Mas entóm, Alberto Nuñez Feijóo, o seu presidente, o seu máximo dirigente, chegou a Toén para reprogramar umha única resposta correcta a todas estas perguntas. Umha resposta que ademais apresentou, como umha reivindicaçom das organizaçons de mulheres: hai que aumentar as penas para os maltratadores. Assim, o que era algo "excepcional", converte-se em razom para cambiar o Código Penal. Todo para seguir dando às costas ao problema da violência contra as mulheres. Todo para que siga intacto o sacrosanto sistema patriarcal que contamina todas as expressons sociais. Todo para que os titulares da prensa recolham a pergunta Que che fixérom pequecha? no canto de: Que che fixemos Laura?

06-09-2009
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quarta-feira, agosto 12, 2009

Prezado Roque, meu netinho

Passam os dias e nom chegas. Primeiro pensei que quererias coincidir co aniversário do teu avô Andrés. Logo que chegarias quando a marcha contra o golpe de estado em Honduras pisara as ruas de Tegucigalpa. Hoje até pensei que agardavas a que se reconhecesse a figura de Moncho Reboiras como vítima da ditadura franquista. Em fim, que aproveitarias neste mês de Agosto qualquer boa nova que nos curasse um pouco as feridas abertas pola ofensiva conservadora que padecemos desde hai cinco meses. Assim, asseguravas-te de encontrar-nos alegres e sobre todo com esperança.

Mas tês que saber que o teu nascimento vai ser umha grande alegria para nós, para toda a gente que te queremos e te imos querer. Por isso quero escrever esta carta para ti, para que te decidas a começar essa longa marcha que vai ser a tua vida. Só a tua nai e mais ti podeis fazê-lo possível. Esse primeiro caminho ides recorrê-lo ti e mais ela sós, ainda que o teu pai estará também ali acompanhando o momento no que abras os olhos, por ver se che rouba a primeira olhada. Eu confio em que o fareis bem, porque sabes?, a túa, é umha vida desejada. Terás tempo logo de saber que entre outras muitas penalidades neste mundo, hai gente com poder que fai que cheguem a este castigado planeta, vidas nom desejadas. Ti pola contra vês ligeiro de cargas, ainda que em quanto nasças, sem saber onde as traias agachadas, vás começar a dar ao teu redor alegria, tenrura, esperança, força... Ti, tam pequeninho e tam generoso.

À vida nom lhe tenhas medo. Tem sempre presente que é algo que tem principio e final, e terá momentos maravilhosos para ti. Aprenderás a querer à Humanidade nos seus muitos acertos e a corresponsabilizar-te dos seus terríveis erros. Assim, começarás também a viver para ajudar a que nom se repitam.

Pido-che que te decidas a abraçar a vida. Tês umha nai e um pai que devecem por dar-te alouminhos, cuidar de ti e volver a surpreender-se nos teus olhos coas cousas que vaias descobrindo. Vem quanto antes, agardamos-te.

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