Mulheres urbanas e mulheres das organizaçons agrárias incorporam ao discurso e à prática feminista o diretio à soberania alimentária
Aquelas e aqueles que andámos polas ruas de Vigo o 23 de Maio de 2004, na mobilizaçom européia, nom podemos deixar de emocionar-nos ao pensar na possibilidade de participar numha nova convocatória da Marcha Mundial das Mulheres. Como naquela ocassom, imos ter a oportunidade de marchar, esta vez, junto a mulheres vindas dos cinco continentes, e participar da energia transformadora que aportam tantas vontades e tam diferentes, unidas para construir um mundo onde a pobreza e a violência sejam erradicadas .
As delegadas que provenhem dos setenta países nos que está organizada a Marcha Mundial das Mulheres, vam estar reunidas na Residência de Panxón, concentrando no nosso país toda a energia e sabedoria que se poda desprender destes debates. Som convidadas da cidadania galega, pois som os recursos públicos, gestionados pola Secretaria de Igualdade, o que vam fazer possível que ao longo dumha semana, mulheres de distintas condiçons culturais e econômicas podam ter alojamento e lugar para o debate, num país onde exercer de anfitrionas conleva um alto nível de auto-exigência. Vam ser convidadas dumha cidadania que está convocada a compartilhar com elas a manifestaçom do domingo pola manhá, o Foro e a Feira de Soberania Alimentária, onde as delegadas da MMM vam abrir os seus debates para todas e todos os que nos acheguemos a Vigo o 18 e o 19 de Outubro.
Mentres altofalantes patriarcais, desde o coraçom do Império, anunciam a chegada dum novo feminismo coa figura de Sarah Palin, candidata polo Partido Republicano, arroupada nos valores do militarismo, o racismo, a repressom e exclussom sexual, o enriquecimento sem límites ou a depredaçom da Natureza; o velho feminismo, o múltiplo e variado feminismo, o das pensadoras, o das ativistas, o das artistas, o das velhas e o das novas... o feminismo que bebe e re-escreve os valores da democracia, da justiça, da liberdade, da igualdade e da paz, tece redes no mundo para sustentar umha nova realidade onde melhorem as condiçons de vida e de direitos das mulheres do planeta.
Nessa rede também trabalha, e desde os cinco continentes, a Marcha Mundial das Mulheres, que traz a este velho país, novos ingredientes para engadir ao discurso feminista europeio. Um discurso que tem muito desenvolvido em quanto à loita contra a violência machista, os direitos sexuais e reprodutivos, a representaçom política ou o reparto do trabalho, mas que nesta ocassom tem que deslocar-se do medio urbano, onde construiu a súa palavra e acçom, para incorporar as realidades das mulheres que em âmbitos rurais ou pesqueiros tenhem definida a sua identidade como produtoras de alimentos. Este convite para ampliar a olhada do feminismo europeio, vem feito polas feministas das Américas, da Índia e de África, que participam das luitas pola terra, polos alimentos, pola áuga..., para defender-se das políticas desenhadas pola Organizaçom Mundial do Comércio, o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional, que favorecem os monocultivos intensivos, o agronegocio e os agrotóxicos. Estes organismos e estas práticas agrícolas, gandeiras e pesqueiras, definem a produçom e o mercado da alimentaçom em Europa, com conseqüências, ainda nom bem analisadas nem quantificadas, no modo de vida e na saúde das mulheres. Da aliança entre as feministas urbanas e as mulheres das organizaçons agrárias, nasce a necessidade de incorporar ao discurso e à prática feminista, o direito à Soberania Alimentária. Este debate, que vai centrar as atividades do 18 e 19 de Outubro em Vigo, vai permitir também o encontro com todas aquelas iniciativas e proxectos coleitivos, que no nosso país levam tempo dando passos a prol deste direito dos povos, definido pola rede internacional "Via Campesina" em 1996, na Cumbre Mundial da Alimentaçom.
No ano 2000 as mulheres organizadas na Marcha Mundial diziamos que havia "
mil razóns para marchar juntas". Neste outono recém estreado, onde a terra, se nom lhe viramos as costas, nos oferece alimentos para superar os rigores da invernía, temos mil razóns para acudir a Vigo e arroupar coa nossa presença e solidariedade, a estas mulheres convidadas da cidadanía galega para fortalecer o seu passo imparável. Com elas expressaremos o nosso desejo de "Cambiar a vida das mulheres para cambiar o mundo, cambiar o mundo para cambiar a vida das mulheres".
Ferrol, 1 de Outubro do 2008
Lupe Ces
Publicado no portal altermundo.org
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