sábado, janeiro 17, 2009

Palestina no cotidiano


Estes dias, a enfermidade visitou a minha casa e a muitas pessoas queridas. Som dias onde a companhia, as chamadas de alento e os cuidados som como o ar que respiramos. A cinco minutos da casa todo um sistema de saúde pública funcionando para nós, sem perguntar quanto dinheiro temos no banco, sem presentar nomina nem póliza de companhia aseguradora. Só hai que preocupar-se de escuitar a respiraçom da pessoa enferma, saber ler nos seus olhos se hai melhoria e alegrar-se quando assim é. Na cozinha nos esmeramos por preparar alimentos com mais cuidado, que sentem bem, que transmitam a necessidade que temos de que permaneçam na vida com nós o maior tempo possível e compartilhar muitos momentos felizes.

Mas a enfermidade nom véu soa, junto a ela entrou na minha casa todo o horror que se ia acumulando em Gaza. Intentar sentir por um momento toda a dor reflectida nesses olhos fazia-se insuportável, e as palavras agarravam-se no peito negando-se a subir até a boca, ao saber-se impotentes para explicar tanta desgraza. Cada objecto nas mans convertia-se num milagre, um analgésico, umha toalha limpa, um cueiro, um café quente...Cada parte da casa mostrava-se como refugio e como ameaça, um sofá onde sentar-se, as bilhas coa auga quente, a cama recém mudada...

E para curar a nossa impotência começamos a sair à rua, a encender velas, a cantar consignas, a escrever Palestina, a escuitar na rádio, na TV e ler nos jornais as vozes amigas, que conseguiam sacar do peito as palavras que nós nom arrancávamos, e leva-las à boca, à tinta das imprensas, às ondas. E amanhá domingo 18 de Janeiro, iremos à velha cidade de Compostela para seguir curando a nossa impotência e purgar a nossa culpa, por ter umha casa em pé, pola auga quente, pola luz que fai mais curtas estas noites de inverno debaixo de lenços limpos. E na manifestaçom berraremos contra o estado de Israel..., mas todo o ódio acumulado detrás da ferida sangrante, do corpo sem vida, da cama murchada entre os cascalhos, das mesas baleiras... vai seguir sinalando com dedo acusador a nossa cumplicidade, as nossas prioridades e o nosso jeito de ver o mundo.
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segunda-feira, novembro 24, 2008

Que pode aguardar Europa de Obama

Nom podemos ignorar, a intensidade simbólica que tem o feito de que um home negro ocupe a Casa Branca. Como se lembrava estes dias nalgúns sectores de EEUU, é umha vitoria que um edifício construído por escravos, vaia estar ao fim ocupado por umha família descendente de escravos. Michelle Obama é-o, e as suas filhas polo tanto também. Todo isto, junto à grande corrente de participaçom e ganhas de cámbio que percorreu a sociedade norteamericana nestes meses, fai que o triunfo do candidato demócrata tenha um efeito positivo em si mesmo.

O que nom podemos é aguardar grandes cámbios na sua política interior nem exterior. A administraçom Obama nom tem pensado someter-se às instituiçons internacionais para a resoluçom dos muitos contenciosos que mantém com distintos povos do planeta. Seguirá mantendo o seu direito a veto no Conselho de Seguridade da ONU. Tampouco tem pensado propôr a disoluçom do BM, o FMI ou a OMC, instituiçons que controla para que sirvam aos interesses da sua oligarquia militarista. É por isso que os sectores socias da Europa que temos interesses comúns na luita contra o neoliberalismo e na construçom dumha sociedade mais justa, nom podemos depositar as nossas esperanças na presidencia de Obama. Começando a sentir, dum jeito mais agudo, as conseqüências da crise financeira (paro, congelaçom salarial, suba de preços nos produtos básicos e na energia de consumo doméstico); aumentando as agressons racistas e xenófobas, sobre todo contra o povo cigano; com vários governos de ultradireita participando nas instituiçons europeias; com constantes ataques aos direitos fundamentais das mulheres por parte dos fundamentalismos religiossos, é mais realista virar a olhada para outros países americanos, onde os seus governos estám pondo freio com políticas económicas e sociais, ao domínio das grandes coorporaçons ou aos designios do FMI, o BM e a OMC. A esperança imo-la pôr entóm, nas nossas próprias forças, e junto ao resto do planeta, nesses proxectos que estám intentando acabar coa pobreza limitando a riqueza.

Lupe Ces
24-11-2008

Publicado na revista "Tempos Novos"
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domingo, novembro 23, 2008

25 de Novembro, umha cita em Ferrol

Este martes 25 de Novembro temos umha cita coa Marcha Mundial das Mulheres numha praça algo desconhecida para a cidadanía desta comarca. É a praça 8 de Março de Ferrol.

Inaugurada por Luisa Sabio, esta praça que leva o nome da data mais significativa para o movimento feminista, encontra-se entre as ruas Rubalcava e Almendra, perto do bairro de Canido.

A Marcha Mundial das Mulheres convoca neste lugar, umha concentraçom às 8 da tarde baixo o lema "Sementando um futuro sêm violência machista", onde ademais da leitura do comunicado, fara-se um desenterramento simbólico dos valores do patriarcado que som as raíces da violencia machista, para sementar no seu lugar os valores da Paz, da Xustiza, da Liberdade, da Solidariedade e da Igualdade, valores cos que se tem que construir umha sociedade livre de violência machista. Neste acto repartiram-se sementes simbolicamente relacionadas com estes valores.

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quarta-feira, outubro 01, 2008

Com passo imparável



Mulheres urbanas e mulheres das organizaçons agrárias incorporam ao discurso e à prática feminista o diretio à soberania alimentária


Aquelas e aqueles que andámos polas ruas de Vigo o 23 de Maio de 2004, na mobilizaçom européia, nom podemos deixar de emocionar-nos ao pensar na possibilidade de participar numha nova convocatória da Marcha Mundial das Mulheres. Como naquela ocassom, imos ter a oportunidade de marchar, esta vez, junto a mulheres vindas dos cinco continentes, e participar da energia transformadora que aportam tantas vontades e tam diferentes, unidas para construir um mundo onde a pobreza e a violência sejam erradicadas .

As delegadas que provenhem dos setenta países nos que está organizada a Marcha Mundial das Mulheres, vam estar reunidas na Residência de Panxón, concentrando no nosso país toda a energia e sabedoria que se poda desprender destes debates. Som convidadas da cidadania galega, pois som os recursos públicos, gestionados pola Secretaria de Igualdade, o que vam fazer possível que ao longo dumha semana, mulheres de distintas condiçons culturais e econômicas podam ter alojamento e lugar para o debate, num país onde exercer de anfitrionas conleva um alto nível de auto-exigência. Vam ser convidadas dumha cidadania que está convocada a compartilhar com elas a manifestaçom do domingo pola manhá, o Foro e a Feira de Soberania Alimentária, onde as delegadas da MMM vam abrir os seus debates para todas e todos os que nos acheguemos a Vigo o 18 e o 19 de Outubro.

Mentres altofalantes patriarcais, desde o coraçom do Império, anunciam a chegada dum novo feminismo coa figura de Sarah Palin, candidata polo Partido Republicano, arroupada nos valores do militarismo, o racismo, a repressom e exclussom sexual, o enriquecimento sem límites ou a depredaçom da Natureza; o velho feminismo, o múltiplo e variado feminismo, o das pensadoras, o das ativistas, o das artistas, o das velhas e o das novas... o feminismo que bebe e re-escreve os valores da democracia, da justiça, da liberdade, da igualdade e da paz, tece redes no mundo para sustentar umha nova realidade onde melhorem as condiçons de vida e de direitos das mulheres do planeta.

Nessa rede também trabalha, e desde os cinco continentes, a Marcha Mundial das Mulheres, que traz a este velho país, novos ingredientes para engadir ao discurso feminista europeio. Um discurso que tem muito desenvolvido em quanto à loita contra a violência machista, os direitos sexuais e reprodutivos, a representaçom política ou o reparto do trabalho, mas que nesta ocassom tem que deslocar-se do medio urbano, onde construiu a súa palavra e acçom, para incorporar as realidades das mulheres que em âmbitos rurais ou pesqueiros tenhem definida a sua identidade como produtoras de alimentos. Este convite para ampliar a olhada do feminismo europeio, vem feito polas feministas das Américas, da Índia e de África, que participam das luitas pola terra, polos alimentos, pola áuga..., para defender-se das políticas desenhadas pola Organizaçom Mundial do Comércio, o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional, que favorecem os monocultivos intensivos, o agronegocio e os agrotóxicos. Estes organismos e estas práticas agrícolas, gandeiras e pesqueiras, definem a produçom e o mercado da alimentaçom em Europa, com conseqüências, ainda nom bem analisadas nem quantificadas, no modo de vida e na saúde das mulheres. Da aliança entre as feministas urbanas e as mulheres das organizaçons agrárias, nasce a necessidade de incorporar ao discurso e à prática feminista, o direito à Soberania Alimentária. Este debate, que vai centrar as atividades do 18 e 19 de Outubro em Vigo, vai permitir também o encontro com todas aquelas iniciativas e proxectos coleitivos, que no nosso país levam tempo dando passos a prol deste direito dos povos, definido pola rede internacional "Via Campesina" em 1996, na Cumbre Mundial da Alimentaçom.

No ano 2000 as mulheres organizadas na Marcha Mundial diziamos que havia "mil razóns para marchar juntas". Neste outono recém estreado, onde a terra, se nom lhe viramos as costas, nos oferece alimentos para superar os rigores da invernía, temos mil razóns para acudir a Vigo e arroupar coa nossa presença e solidariedade, a estas mulheres convidadas da cidadanía galega para fortalecer o seu passo imparável. Com elas expressaremos o nosso desejo de "Cambiar a vida das mulheres para cambiar o mundo, cambiar o mundo para cambiar a vida das mulheres".

Ferrol, 1 de Outubro do 2008
Lupe Ces

Publicado no portal altermundo.org

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quinta-feira, setembro 25, 2008

A mantenta da celebraçom na Galiza do VII Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

"O direito ao aborto é o refugio ideológico onde o máis ráncio do patriarcado pretende dar a súa batalha final"

Lupe Ces Rioboo,
docente e integrante Marcha Mundial das Mulleres


O vindeiro Outubro, Galiza converterase no lugar de acollida do VII Encontro Internacional da Marcha das Mulleres, que supón este feito para o feminismo galego?

Por um lado que Galiza seja anfitriona de tantas mulheres, activistas feministas dos cinco continentes, é um reflexo do caminho andado desde o ano 2000, no que constituimos a Coordenadora Nacional Galega da Marcha Mundial das Mulheres. O feminismo galego tem umha história organizativa, de pensamento e discurso, que está na base da vida da Marcha Mundial das Mulheres na Galiza, e também nas distintas expressons feministas que hoje convivem na nossa sociedade, no ámbito cultural, artístico, académico e institucional. Todo o que temos agora debémos-lho a aquelas que na década dos setenta e em plena ditadura reivindicárom-se feministas.

Que se espera deste VII Encontro?

Agardamos que , como passou coa mobilizaçom europeia convocada pola MMM em Vigo no ano 2004, e que reuniu a miles de mulheres na primeira Feira feminista, em tres Foros de debate e numha grande manifestaçom popular, este VII Encontro Internacional seja um passo mais na melhora das vida das mulheres, e polo tanto um passo mais na democratizaçom e na construçom dumha sociedade mais justa. Dentro desta valoraçom, cumpre fazer especial mençom de que com este VII Encontro e as actividades que o vam acompanhar durante a fim de semana do 18 e 19 de Outubro na cidade de Vigo (Foro e Feira de Soberania Alimentaria, Manifestaçom e Milhadoiro, Encontro de Xovenes Feministas ) queremos conseguir tecer redes entre as mulheres do rural galego( o feminismo foi tradicionalmente um movimento de mulheres urbanas), e as mulheres das cidades. Também estamos trabalhando com colectivos e movimentos sociais que até agora semelhavamos ser compartimentos estancos, e este VII Encontro descubriu-nos que temos muitos obxectivos em comúm e podemos aportar distintas perspectivas que se complementam e enriquecem, como é nesta ocassom co direito à soberania Alimentaria.

Cales son as principais reivindicación e obxectivos a acadar durante os próximos anos?

Precisamente as delegadas que tenhem pensado comezar os seus debates o próximo día 14 de outubro na Residencia de Panxón, vam avaliar o Plano estratégico aprovado no Encontro de Perú de hai dous anos, e aprovar a mobilizaçom mundial do ano 2010. Reforzar a organizaçom e o discurso da MMM nos blocos de acçom que nos temos marcado ( Aceso aos recursos e Bem Comúm, Violência, Trabalho e paz e Desmilitarizaçom) nos permitirá chegar ao 2010 preparadas para cumplir cos obxectivos dessa grande mobilizaçom mundial que vimos preparando.

"Aos velhos estereotipos somam-se agora os novos, que falam da ambiçom das feministas, dado que parece que o temos todo acadado"

Cre que os vellos estereotipos sobre o feminismo e as feministas aínda continúan vivos?

Claro que sim, ainda que máis debilitados e cada vez com menos defensores na sociedade galega, falar doutros ámbitos geográficos ou culturais seria mais complicado. O problema é que aos velhos estereotipos somam-se agora os novos, que falam da ambiçom das feministas, dado que parece que o temos todo acadado, ou mesmo da facilidade cos que se consiguem postos de responsabilidade e o subsidiadas e favorecidas que estamos as mulheres neste momento. Som novos estereotipos cos que temos que loitar moi duramente.

O Encontro celebrarase no medio da polémica xurdida trala creación da comisión de estudio da reforma da Lei do Aborto e logo do caso da Clínica Isadora. Que opinión lle merece a decisión do goberno e que principios sería necesario que se recollese para garantir unha lei eficaz?

O direito ao aborto é neste momento o refugio ideolóxico onde o mais rancio do patriarcado pretende dar a súa batalha final. A súa batalha final, para ganha-la e desencadear um proceso de cambio ideolóxico na sociedade e volver a meter no oscurantismo e na dor, a sexualidade das mulheres e a maternidade. Polo tanto a reacçom social, nom só das feministas, senom das mulheres em geral e dos grupos políticos, que apoiarom coa mobilizaçom, as autoinculpaçons e os pronunciamentos públicos e no parlamento, às mulheres e às clínicas acosadas desde algúm julgado e desde algumha organizaçom ultracatólica, foi importantíssima. A polémica vem agora dada pola Comissom de Espertos elegida pola Ministra de Igualdade, onde o movimento feminista ou as clínicas nom estám representadas, e pola eleiçom dentro do Conselho do Poder Judicial, de magistrados que seguem a pensar que as mulheres que decidimos abortar somos umhas assassinas.

Considera que medidas como a paridade das listas favorecen a plena igualdade entre mulleres e homes ou son medidas populistas destinadas a desviar a atención de problemas máis importantes?

Som medidas importantíssimas, que tiverom um efecto inmediato em muitos aspectos. De súpeto passamos de ter listas onde as mulheres nom queriam participar em política, ou nom existiam, a que os partidos tivessem que buscar e deixar sitio para as mulheres, e claro que aparecerom!! Tam válidas ou tam inútiles como os seus companheiros varóns. Que umha mulher perda a vida a maos do seu companheiro é grave, mas isso nom pode ser excusa para deixar de aprovar ou defender medidas que som direitos democráticos como o é asegurar a participaçom política do 50% da sociedade tradicionalmente excluida.

Algunhas mulleres consideran que se está a producir unha rebaixa do ideal feminista. Comparte esta opinión?

Por suposto que nom. O que está a suceder baixo o meu ponto de vista e atendendo à minha experiencia é que o feminismo está em expanssom em todo o mundo e está chegando a todos os ámbitos humanos, mesmo está toleando-lhe a cabeça aos homes das hierarquias religiosas mais misógenas. Um feminismo mais cercano, mais achegado aos problemas reais das mulheres e das sociedades, e um feminismo em coaligaçom co resto dos movimentos de transformaçom social, eis o feminismo que vejo eu no século XXI.

Que futuro lle agarda ao feminismo como movemento político, de militancia e crítico nun mundo globalizado e en plena crise do social?

Ainda que penso quedou um pouco definido na resposta à pergunta anterior, todas desejamos que o futuro do feminismo esteja cargado de éxitos como o está este curto percorrido de dous séculos. Ainda assim somos conscientes das ameazas e dos perigos e atrancos que no presente e no futuro máis inmediato, já nos estám ensombrecendo o caminho, a re-organizaçom e presença mundial dos integrismos religiossos e da extrema direita; a hegemonia do modelo económico capitalista que gera pobreza e destrucçom do planeta. Mas hai que falar de que nos próximos días mais de 150 mulheres reunidas num pequeno país chamado Galiza, vam tecer sonhos dum futuro de Paz, Justiça, Liberdade, Democracia e Solidariedade para toda a Humanidade.

Entrevista realizada polo Movemento polos Dereitos Civís
Publicada no xornal "Gz Nación / En Movemento"
Setembro de 2008

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terça-feira, agosto 26, 2008

Todas e todos temos um convite para ir a Vigo o 18 e 19 de Outubro



A rede feminista Marcha Mundial das Mulleres realiza cada dous anos o seu Encontro Internacional, que reúne delegadas dos cinco continentes. Para o ano 2008, este Encontro Internacional terá como sede a cidade de Vigo e realizarase entre o 14 e o 21 de outubro na Residencia de Encontro e Formación de Panxón. Esta xuntanza reunirá a 150 participantes aproximadamente procedentes das coordenadoras nacionais e do Comité Internacional da Marcha Mundial das Mulleres. Esperamos contar coa participación duns 40 países e coa presenza de xoves militantes de cada delegación, co obxectivo de permitir que as xoves desenvolvan un sentimento de pertenza cara aos valores da Marcha, que participen nos procesos de toma de decisión e asegurar o intercambio de experiencias e de coñecementos interxeracionais.

http://www.feminismo.info/

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domingo, julho 20, 2008

O mercado de Caranza fecha


Coa frase "O privado é político" aprendimos que o que sucede na casa e sobre todo o que sucede na cama tem muito que ver coa construçom social e moral. A crença de que cada quem faz o que quere na sua casa, é isso, só umha crença, porque as normas tecidas socialmente que levárom, e seguem levando em muita medida, discriminaçom e desigualdade entre os seus nos, marcam o dia a dia dos nossos afectos, da nossa sexualidade e a organizaçom do nosso espaço e do nosso tempo no privado. Eis o trabalho de desfazer esses nos, alguns deles muito resistentes.

Agora estamos aprendendo que nas nossas cozinhas, ademais de compartir o trabalho, temos a enorme tarefa de construir umha relaçom diferente cos alimentos, porque "o que comemos é político", e as mulheres, que somos maioria na produçom e elaboraçom dos alimentos, temos nas nossas mans a ferramenta para expulsar a enfermiça ambiçom capitalista das nossas cozinhas e das nossas mesas.

A derrota do proxecto de lei da equipa de Cristina Fernández, Presidenta de Argentina, mais corretamente expressado, a derrota dos movimentos populares e de esquerdas para pôr um freio à exportaçom de grao por parte das multinacionais, num país deficitário em alimentos, é umha mala nova. É umha mostra mais do aviso continuado da presença do capital financeiro na alimentaçom. Por extensom, da presença dos especuladores, da gente sem escrúpulos e sem ética, com essa compulsom enfermiza de ganhar dinheiro, ainda que seja a conta da desgraça alhea, e que hoje representam a maioria da actividade económica mundial. Os alimentos estam-se convertendo cada vez mais no refúgio da inversom financeira, e sabemos que sem crise sem que se desequilibre a oferta e a demanda, sem picos nos preços e desestabilizaçom dos mercados, os tiburons nom comem, nom hai benefício financeiro. Aninharom no petróleo, logo na vivenda e agora na comida e na auga.

A Via Campesina, que reúne movimentos agrários de todo o mundo, fala da Soberania Alimentaria como soluçom ao desequilíbrio existente no planeta entre a produçom e a demanda de alimentos. As mulheres de Via Campesina falam de aceso à propriedade da terra, e melhora das condiçons de trabalho e de vida. Falam de agricultura que nom as intoxique nem a elas nem às suas famílias, nem à gente que consuma os seus produtos. Falam de ter presença nos organismos de decisom, que se tire das maus da Organizaçom Mundial do Comércio o poder de decidir sobre as políticas agrárias. Falam de priorizar a produçom e a distribuçom em mercados locais e um mercado mundial com relaçons de igualdade, afastado da especulaçom. Falam dum processo de empoderamento das mulheres do campo e um processo de respeito e cooperaçom mútua na relaçom coa terra da que vivemos.

Imos avançando na participaçom na vida pública, avançando em direitos sexuais e reprodutivos, sendo reconhecidas como cidadás de pleno direito, esta-se a escrever a nossa história e abriu-se o campo da investigaçom científica para nós. É hora de democratizar a economia, porque só numha atividade económica democratizada, longe da ditadura do capital, poderemos ter igualdade.

Em quanto todas estas forças se debatem no mundo, e também na Galiza, no meu bairro de Caranza vai fechar o mercado para abrir um centro comercial. O mercado no meu bairro, foi esmorecendo na medida que iam medrando os grandes Hipermercados internacionais e iam esmorecendo as pequenas explotaçons agrárias em Ferrol Terra, onde a gente, consciente ou nom, meteu eucalipto até a mesma porta da casa, e nom houvo quem recolhesse os conhecimentos agrários imprescindíveis para seguir alimentando a umha comarca que agora come kiwi de Nova Zelanda ou Chile no mês de Julho, ou amorodos argentinos no mês de Dezembro; umha comarca que está afeita, e nom passa nada, a que de súpeto todo o azeite de girassol se retire dos supermercados por estar contaminado e outro dia faltem produtos básicos pola folga do transporte; umha comarca que já está afeita a que os ovos som de cor pálida e os pólos tenhem a auga e a textura das sardinhas. Sim, sardinhas ainda hai, mas competem e muito cos peixes importados e os medicalizados das piscifactorias.

A política do Mercado e do Imperio está nas nossas cozinhas e nas nossas mesas. Precisamos umha resposta política. Precisamos Soberania Alimentaria.

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segunda-feira, junho 30, 2008

Conservadorismo


Ai estivérom, nos cartazes, nos dípticos, nos mitins... muitas, muitas mulheres. Postas por lei, por decreto. Pois sim, foi o jeito de que aparecessem por fim, de que as fossem buscar, de que as tivessem em conta, ainda que quedaramos a fim de contas com poucas alcaldesas, boas e malas, preparadas ou incapaces, honradas ou corruptas, como os alcaldes, mas é umha questom de democracia. Esta vez o conservadorismo ficou mais calado. "É que elas nom querem" repetiam campanha trás campanha. Esse conservadorismo baseado na aceptaçom das cousas como estám, do pessimismo dos feitos consumados. Esse conservadorismo vital na direita e carcinoma letal na esquerda. Esse conservadorismo que vem de falar pola boca de Sarkozy convertendo a "liberté, igualité e fraternité" em "esforço, trabalho e mérito", valores todos eles imprescindíveis, mas que na boca da direita ou do conservadorismo, traduzem-se em privilégios para os que desde sempre tivérom "méritos" sem "esforço" a conta do "trabalho" dos demais. De verdade alguém cre que as desigualdades som um problema de falta de trabalho, esforço ou méritos?

Comentava que o conservadorismo na esquerda é letal. Estas palavras, andam muito da mam por Ferrolterra desde que se permitiu umha prova com gaseiro na planta de REGANOSA . "Agora já está feita!" "Umha vez que se puxo ai hai que apandar com ela!" "Nom morre a gente em acidentes de tráfico?" Tudo isto funcionando como pás de areia que intentam tapar umha das maiores tramas de corrupçom político-empresarial dos últimos anos. Umha trama (documentada em Muros de silencio, trabalho editado pola asociación Fuco Buxán) que vai desde verquidos contaminantes e recheios ilegais na Ria de Ferrol, negócios de carburantes que já estám nos julgados, até documentos oficiais manipulados e pactos secretos entre representantes públicos e empresariais sem escrúpulos. Umha trama que tem a sua origem no Grupo Tojeiro, que se fixo possível pola total identificaçom e cumplicidade do governo de Fraga Iribarne, mas que abrangue cos seus longos tentáculos a sectores que defendem visons produtivistas, antiecológicas e perigosas para a populaçom, com presença na Conselharia de Indústria, nas organizaçons políticas que sustentam o actual Governo da Xunta e mesmo no sindicalismo nacionalista. Nom podemos descuidar tanto a nossa casa! Esse conservadorismo letal polo que campeam sem problemas as políticas neoliberais e contra o que se levanta com muito "esforço" um movimento de resistência civil que soma o "trabalho" de mais de 50 organizaçons e que tem o "mérito" de conseguir romper nos últimos dias os muros de silêncio.

Lupe Ces
Xuño de 2007

Publicado na revista "Tempos Novos" - nº 121, xuño de 2007

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