quinta-feira, setembro 25, 2008

A mantenta da celebraçom na Galiza do VII Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

"O direito ao aborto é o refugio ideológico onde o máis ráncio do patriarcado pretende dar a súa batalha final"

Lupe Ces Rioboo,
docente e integrante Marcha Mundial das Mulleres


O vindeiro Outubro, Galiza converterase no lugar de acollida do VII Encontro Internacional da Marcha das Mulleres, que supón este feito para o feminismo galego?

Por um lado que Galiza seja anfitriona de tantas mulheres, activistas feministas dos cinco continentes, é um reflexo do caminho andado desde o ano 2000, no que constituimos a Coordenadora Nacional Galega da Marcha Mundial das Mulheres. O feminismo galego tem umha história organizativa, de pensamento e discurso, que está na base da vida da Marcha Mundial das Mulheres na Galiza, e também nas distintas expressons feministas que hoje convivem na nossa sociedade, no ámbito cultural, artístico, académico e institucional. Todo o que temos agora debémos-lho a aquelas que na década dos setenta e em plena ditadura reivindicárom-se feministas.

Que se espera deste VII Encontro?

Agardamos que , como passou coa mobilizaçom europeia convocada pola MMM em Vigo no ano 2004, e que reuniu a miles de mulheres na primeira Feira feminista, em tres Foros de debate e numha grande manifestaçom popular, este VII Encontro Internacional seja um passo mais na melhora das vida das mulheres, e polo tanto um passo mais na democratizaçom e na construçom dumha sociedade mais justa. Dentro desta valoraçom, cumpre fazer especial mençom de que com este VII Encontro e as actividades que o vam acompanhar durante a fim de semana do 18 e 19 de Outubro na cidade de Vigo (Foro e Feira de Soberania Alimentaria, Manifestaçom e Milhadoiro, Encontro de Xovenes Feministas ) queremos conseguir tecer redes entre as mulheres do rural galego( o feminismo foi tradicionalmente um movimento de mulheres urbanas), e as mulheres das cidades. Também estamos trabalhando com colectivos e movimentos sociais que até agora semelhavamos ser compartimentos estancos, e este VII Encontro descubriu-nos que temos muitos obxectivos em comúm e podemos aportar distintas perspectivas que se complementam e enriquecem, como é nesta ocassom co direito à soberania Alimentaria.

Cales son as principais reivindicación e obxectivos a acadar durante os próximos anos?

Precisamente as delegadas que tenhem pensado comezar os seus debates o próximo día 14 de outubro na Residencia de Panxón, vam avaliar o Plano estratégico aprovado no Encontro de Perú de hai dous anos, e aprovar a mobilizaçom mundial do ano 2010. Reforzar a organizaçom e o discurso da MMM nos blocos de acçom que nos temos marcado ( Aceso aos recursos e Bem Comúm, Violência, Trabalho e paz e Desmilitarizaçom) nos permitirá chegar ao 2010 preparadas para cumplir cos obxectivos dessa grande mobilizaçom mundial que vimos preparando.

"Aos velhos estereotipos somam-se agora os novos, que falam da ambiçom das feministas, dado que parece que o temos todo acadado"

Cre que os vellos estereotipos sobre o feminismo e as feministas aínda continúan vivos?

Claro que sim, ainda que máis debilitados e cada vez com menos defensores na sociedade galega, falar doutros ámbitos geográficos ou culturais seria mais complicado. O problema é que aos velhos estereotipos somam-se agora os novos, que falam da ambiçom das feministas, dado que parece que o temos todo acadado, ou mesmo da facilidade cos que se consiguem postos de responsabilidade e o subsidiadas e favorecidas que estamos as mulheres neste momento. Som novos estereotipos cos que temos que loitar moi duramente.

O Encontro celebrarase no medio da polémica xurdida trala creación da comisión de estudio da reforma da Lei do Aborto e logo do caso da Clínica Isadora. Que opinión lle merece a decisión do goberno e que principios sería necesario que se recollese para garantir unha lei eficaz?

O direito ao aborto é neste momento o refugio ideolóxico onde o mais rancio do patriarcado pretende dar a súa batalha final. A súa batalha final, para ganha-la e desencadear um proceso de cambio ideolóxico na sociedade e volver a meter no oscurantismo e na dor, a sexualidade das mulheres e a maternidade. Polo tanto a reacçom social, nom só das feministas, senom das mulheres em geral e dos grupos políticos, que apoiarom coa mobilizaçom, as autoinculpaçons e os pronunciamentos públicos e no parlamento, às mulheres e às clínicas acosadas desde algúm julgado e desde algumha organizaçom ultracatólica, foi importantíssima. A polémica vem agora dada pola Comissom de Espertos elegida pola Ministra de Igualdade, onde o movimento feminista ou as clínicas nom estám representadas, e pola eleiçom dentro do Conselho do Poder Judicial, de magistrados que seguem a pensar que as mulheres que decidimos abortar somos umhas assassinas.

Considera que medidas como a paridade das listas favorecen a plena igualdade entre mulleres e homes ou son medidas populistas destinadas a desviar a atención de problemas máis importantes?

Som medidas importantíssimas, que tiverom um efecto inmediato em muitos aspectos. De súpeto passamos de ter listas onde as mulheres nom queriam participar em política, ou nom existiam, a que os partidos tivessem que buscar e deixar sitio para as mulheres, e claro que aparecerom!! Tam válidas ou tam inútiles como os seus companheiros varóns. Que umha mulher perda a vida a maos do seu companheiro é grave, mas isso nom pode ser excusa para deixar de aprovar ou defender medidas que som direitos democráticos como o é asegurar a participaçom política do 50% da sociedade tradicionalmente excluida.

Algunhas mulleres consideran que se está a producir unha rebaixa do ideal feminista. Comparte esta opinión?

Por suposto que nom. O que está a suceder baixo o meu ponto de vista e atendendo à minha experiencia é que o feminismo está em expanssom em todo o mundo e está chegando a todos os ámbitos humanos, mesmo está toleando-lhe a cabeça aos homes das hierarquias religiosas mais misógenas. Um feminismo mais cercano, mais achegado aos problemas reais das mulheres e das sociedades, e um feminismo em coaligaçom co resto dos movimentos de transformaçom social, eis o feminismo que vejo eu no século XXI.

Que futuro lle agarda ao feminismo como movemento político, de militancia e crítico nun mundo globalizado e en plena crise do social?

Ainda que penso quedou um pouco definido na resposta à pergunta anterior, todas desejamos que o futuro do feminismo esteja cargado de éxitos como o está este curto percorrido de dous séculos. Ainda assim somos conscientes das ameazas e dos perigos e atrancos que no presente e no futuro máis inmediato, já nos estám ensombrecendo o caminho, a re-organizaçom e presença mundial dos integrismos religiossos e da extrema direita; a hegemonia do modelo económico capitalista que gera pobreza e destrucçom do planeta. Mas hai que falar de que nos próximos días mais de 150 mulheres reunidas num pequeno país chamado Galiza, vam tecer sonhos dum futuro de Paz, Justiça, Liberdade, Democracia e Solidariedade para toda a Humanidade.

Entrevista realizada polo Movemento polos Dereitos Civís
Publicada no xornal "Gz Nación / En Movemento"
Setembro de 2008

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terça-feira, agosto 26, 2008

Todas e todos temos um convite para ir a Vigo o 18 e 19 de Outubro



A rede feminista Marcha Mundial das Mulleres realiza cada dous anos o seu Encontro Internacional, que reúne delegadas dos cinco continentes. Para o ano 2008, este Encontro Internacional terá como sede a cidade de Vigo e realizarase entre o 14 e o 21 de outubro na Residencia de Encontro e Formación de Panxón. Esta xuntanza reunirá a 150 participantes aproximadamente procedentes das coordenadoras nacionais e do Comité Internacional da Marcha Mundial das Mulleres. Esperamos contar coa participación duns 40 países e coa presenza de xoves militantes de cada delegación, co obxectivo de permitir que as xoves desenvolvan un sentimento de pertenza cara aos valores da Marcha, que participen nos procesos de toma de decisión e asegurar o intercambio de experiencias e de coñecementos interxeracionais.

http://www.feminismo.info/

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domingo, julho 20, 2008

O mercado de Caranza fecha


Coa frase "O privado é político" aprendimos que o que sucede na casa e sobre todo o que sucede na cama tem muito que ver coa construçom social e moral. A crença de que cada quem faz o que quere na sua casa, é isso, só umha crença, porque as normas tecidas socialmente que levárom, e seguem levando em muita medida, discriminaçom e desigualdade entre os seus nos, marcam o dia a dia dos nossos afectos, da nossa sexualidade e a organizaçom do nosso espaço e do nosso tempo no privado. Eis o trabalho de desfazer esses nos, alguns deles muito resistentes.

Agora estamos aprendendo que nas nossas cozinhas, ademais de compartir o trabalho, temos a enorme tarefa de construir umha relaçom diferente cos alimentos, porque "o que comemos é político", e as mulheres, que somos maioria na produçom e elaboraçom dos alimentos, temos nas nossas mans a ferramenta para expulsar a enfermiça ambiçom capitalista das nossas cozinhas e das nossas mesas.

A derrota do proxecto de lei da equipa de Cristina Fernández, Presidenta de Argentina, mais corretamente expressado, a derrota dos movimentos populares e de esquerdas para pôr um freio à exportaçom de grao por parte das multinacionais, num país deficitário em alimentos, é umha mala nova. É umha mostra mais do aviso continuado da presença do capital financeiro na alimentaçom. Por extensom, da presença dos especuladores, da gente sem escrúpulos e sem ética, com essa compulsom enfermiza de ganhar dinheiro, ainda que seja a conta da desgraça alhea, e que hoje representam a maioria da actividade económica mundial. Os alimentos estam-se convertendo cada vez mais no refúgio da inversom financeira, e sabemos que sem crise sem que se desequilibre a oferta e a demanda, sem picos nos preços e desestabilizaçom dos mercados, os tiburons nom comem, nom hai benefício financeiro. Aninharom no petróleo, logo na vivenda e agora na comida e na auga.

A Via Campesina, que reúne movimentos agrários de todo o mundo, fala da Soberania Alimentaria como soluçom ao desequilíbrio existente no planeta entre a produçom e a demanda de alimentos. As mulheres de Via Campesina falam de aceso à propriedade da terra, e melhora das condiçons de trabalho e de vida. Falam de agricultura que nom as intoxique nem a elas nem às suas famílias, nem à gente que consuma os seus produtos. Falam de ter presença nos organismos de decisom, que se tire das maus da Organizaçom Mundial do Comércio o poder de decidir sobre as políticas agrárias. Falam de priorizar a produçom e a distribuçom em mercados locais e um mercado mundial com relaçons de igualdade, afastado da especulaçom. Falam dum processo de empoderamento das mulheres do campo e um processo de respeito e cooperaçom mútua na relaçom coa terra da que vivemos.

Imos avançando na participaçom na vida pública, avançando em direitos sexuais e reprodutivos, sendo reconhecidas como cidadás de pleno direito, esta-se a escrever a nossa história e abriu-se o campo da investigaçom científica para nós. É hora de democratizar a economia, porque só numha atividade económica democratizada, longe da ditadura do capital, poderemos ter igualdade.

Em quanto todas estas forças se debatem no mundo, e também na Galiza, no meu bairro de Caranza vai fechar o mercado para abrir um centro comercial. O mercado no meu bairro, foi esmorecendo na medida que iam medrando os grandes Hipermercados internacionais e iam esmorecendo as pequenas explotaçons agrárias em Ferrol Terra, onde a gente, consciente ou nom, meteu eucalipto até a mesma porta da casa, e nom houvo quem recolhesse os conhecimentos agrários imprescindíveis para seguir alimentando a umha comarca que agora come kiwi de Nova Zelanda ou Chile no mês de Julho, ou amorodos argentinos no mês de Dezembro; umha comarca que está afeita, e nom passa nada, a que de súpeto todo o azeite de girassol se retire dos supermercados por estar contaminado e outro dia faltem produtos básicos pola folga do transporte; umha comarca que já está afeita a que os ovos som de cor pálida e os pólos tenhem a auga e a textura das sardinhas. Sim, sardinhas ainda hai, mas competem e muito cos peixes importados e os medicalizados das piscifactorias.

A política do Mercado e do Imperio está nas nossas cozinhas e nas nossas mesas. Precisamos umha resposta política. Precisamos Soberania Alimentaria.

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segunda-feira, junho 30, 2008

Conservadorismo


Ai estivérom, nos cartazes, nos dípticos, nos mitins... muitas, muitas mulheres. Postas por lei, por decreto. Pois sim, foi o jeito de que aparecessem por fim, de que as fossem buscar, de que as tivessem em conta, ainda que quedaramos a fim de contas com poucas alcaldesas, boas e malas, preparadas ou incapaces, honradas ou corruptas, como os alcaldes, mas é umha questom de democracia. Esta vez o conservadorismo ficou mais calado. "É que elas nom querem" repetiam campanha trás campanha. Esse conservadorismo baseado na aceptaçom das cousas como estám, do pessimismo dos feitos consumados. Esse conservadorismo vital na direita e carcinoma letal na esquerda. Esse conservadorismo que vem de falar pola boca de Sarkozy convertendo a "liberté, igualité e fraternité" em "esforço, trabalho e mérito", valores todos eles imprescindíveis, mas que na boca da direita ou do conservadorismo, traduzem-se em privilégios para os que desde sempre tivérom "méritos" sem "esforço" a conta do "trabalho" dos demais. De verdade alguém cre que as desigualdades som um problema de falta de trabalho, esforço ou méritos?

Comentava que o conservadorismo na esquerda é letal. Estas palavras, andam muito da mam por Ferrolterra desde que se permitiu umha prova com gaseiro na planta de REGANOSA . "Agora já está feita!" "Umha vez que se puxo ai hai que apandar com ela!" "Nom morre a gente em acidentes de tráfico?" Tudo isto funcionando como pás de areia que intentam tapar umha das maiores tramas de corrupçom político-empresarial dos últimos anos. Umha trama (documentada em Muros de silencio, trabalho editado pola asociación Fuco Buxán) que vai desde verquidos contaminantes e recheios ilegais na Ria de Ferrol, negócios de carburantes que já estám nos julgados, até documentos oficiais manipulados e pactos secretos entre representantes públicos e empresariais sem escrúpulos. Umha trama que tem a sua origem no Grupo Tojeiro, que se fixo possível pola total identificaçom e cumplicidade do governo de Fraga Iribarne, mas que abrangue cos seus longos tentáculos a sectores que defendem visons produtivistas, antiecológicas e perigosas para a populaçom, com presença na Conselharia de Indústria, nas organizaçons políticas que sustentam o actual Governo da Xunta e mesmo no sindicalismo nacionalista. Nom podemos descuidar tanto a nossa casa! Esse conservadorismo letal polo que campeam sem problemas as políticas neoliberais e contra o que se levanta com muito "esforço" um movimento de resistência civil que soma o "trabalho" de mais de 50 organizaçons e que tem o "mérito" de conseguir romper nos últimos dias os muros de silêncio.

Lupe Ces
Xuño de 2007

Publicado na revista "Tempos Novos" - nº 121, xuño de 2007

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sexta-feira, maio 16, 2008

Hoje fum ao sindicato



Estivem nos locais comarcais da CIG da Avda de Esteiro de Ferrol. Fum até ali ao conhecer que a empresa ESHOR, ia intentar outra vez entrar nos locais do sindicato, para arrincar umha retificaçom das declaraçons realizadas numha rolda de imprensa, presidida polo Secretario Comarcal Xosé Manuel Pintos, onde se denunciava um trato escravista para com as trabalhadoras e trabalhadores imigrantes.

Cheguei a ver dous autocarros que transportárom até Ferrol a umhas 100 pessoas, a maioria, polo seu aspecto, peruanos, equatorianos... Diziam que vinham de Madrid, aproveitando o festivo de Sam Isidro. Comezárom a rodear os locais, os de diante com muita força berrando "Pintos mentiroso" termando dumha faixa em galego onde solicitavam à CIG que nom os defendera. Atrás, silencio e passividade. Havia umhas sete mulheres, a mais activa a Chefa de Pessoal, que agarrava também umha faixa. A consigna máis coreada Viva ESHOR! Viva ESHOR! Os ovos que traiam para lançar quedárom esmagados entre os A3 que ficárom no cham. Algumha discussom, berros...

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Umha barreira de homens e mulheres da afiliaçom da CIG, aguardavam, junto a duas dotaçons policiais, nas portas do sindicato mostrando algumhas das diferentes fazes que componhem a actividade sindical na comarca.
Dentro da sede comarcal, os comentários iam e vinham. A Direçom estivo reunida no salom de atos, e a normalidade mantinha-se como se podia.
Alguns trabalhadores de ESHOR argumentavam no meio do rebumbio, que eles estavam ali porque por culpa da CIG a empresa estava perdendo contratos. Aqui do que se trata é que empresas como ESHOR desapareçam do sector da costruçom. Empresas que competem deslealmente conseguindo ofertar uns custes mais baixos, mantendo condiçons laborais de escravitude.
Som case 500 as baixas voluntárias na empresa desde hai ano e medio. Parece ser que já as assinam junto co contrato, coa data em branco. Mas tudo isso e muito mais, sairá no juiço que a empresa tem que enfrontar o próximo dia 10 de Junho.De todo isto , para mim nom é nada especialmente salientável. Ao fim, centos de trabalhadores e trabalhadoras que passarom por ESHOR, as suas famílias, amistades... conhecem a verdade e assim se clarificará no julgado, ainda que isso nom seja exatamente fazer justiça.
Mas o verdadeiramente salientável é a agressom e violentaçom da liberdade sindical. O feito sem precedentes da mobilizaçom dumha empresa, que acarretando a uns trabalhadores e a algumha trabalhadora às portas do sindicato, pretende pôr atrancos à acçom sindical, porque esse é o papel que lhe corresponde aos sindicatos, denunciar as irregularidades, denunciar os abusos, denunciar a explotaçom, às empresas piratas e escravistas que fam o seu lucro a base do tráfico de seres humanos.Os julgados, as inspeçons de trabalho, SMAC, o Conselho Galego de Relaçons Laborais... atúam para resolver os conflitos e as denúncias apresentadas e mediar ante a acçom sindical. Assim se vai avançando, ou retrocedendo, em direitos e seguridade no trabalho.
A CIG é um sindicato formado, na comarca, por mais de 8000 pessoas. Dentro da CIG confluem muitas correntes sindicais, e também distintos interesses partidários ou de grupos de poder. À hora de elaborar estratégias de acçom sindical, pode haver diferencias, mesmo choques ou reinos de taifas entre federaçons ou organismos. O que nom sabe quem pretende amordaçar à CIG, que existe a solidariedade obreira, que existe a consciência sindical, que essa consciência e essa história do movimento sindical na nossa comarca, é quem de romper sectarismos e interesses pessoais para criar a barreira que defenda a organizaçom imprescindível da classe trabalhadora. Todo isto seja qual sejam as siglas, seja qual seja o nome das pessoas que num momento determinado a dirijam. É o sindicato, aquilo que temos para defender os nossos direitos, e que está aberto também para a defesa dos direitos daqueles companheiros e companheiras, que traem a pel mais escura, os rasgos dos olhos também diferentes, que sentem mais frio que nós quando chove dous dias seguidos, e a quem a morrinha fai-lhes de companhia porque nom vem muito o sol por aqui.
Gostaria-me que desde a direçom da CIG, e desde as direçons de todos os sindicatos, se propusera umha mobilizaçom do movimento obreiro em Ferrol, para reafirmar a inviolabilidade dos direitos sindicais, e a necessidade dos sindicatos como garantes dumha sociedade democrática.

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quarta-feira, maio 14, 2008

Rendistas


A minha irmá enviou-me esta foto num correio. O cartaz resume, num tom irónico, seguramente sem vontade de faze-lo, qual é a situaçom dos locais que albergam pequenos negócios na cidade de Ferrol. Os rendistas desta cidade som os que fam o agosto. Sabem que onde se aluga, ao pouco se fecha. Neste tempo é difícil competir coas grandes superfícies. Mas nom é problema, onde se fecha ao pouco se aluga, sempre hai alguém que o vai intentar, ainda que desista aos poucos meses. Mentres, os alugueres de escândalo vam enchendo as suas bolsas. Nom podemos esquecer o pequeno detalhe de que em muitas ocassons estes locais nom estam dados de alta ou carecem do estudo de seguridade, ou proxecto técnico correspondente, é dizer, pouca inversom, todo ganho. Concluindo, algum dia alguém escribirá a história dos rendistas de Ferrol, esses ferroláns de pro, e também algumha ferrolá, que coa sua avaricia asfixiarom muito do futuro desta cidade envelhecida.

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A fantasma do patriarcado

Hoje umha nena de 4 anos informou a toda a aula que a sua madrinha dixera que era a moda das pulseiras. A mestra perguntou-lhe que era isso da moda. Muitas fôrom as vozes que voluntariamente explicavam ao grupo que a moda era levar pulseiras, até se dixo que a moda era desfilar coas pulseiras. Entom, no meio das explicaçons, um neno de cinco anos afirmou "a moda é levar as pulseiras para estar guapas e casar". Quando a mestra lhe perguntou se também se levavam pulseiras para estar guapo e casar, o neno dixo que nom, que isso era só cousa de rapazas.

Abriu-se todo um coro de apoio a essa crença tam rotundamente afirmada. Só quando a mestra começou a perguntar se conheciam a algum homem ou rapaz que levase pulseira, comezou a nomear-se a algúm pai, tio ou curmám. Deixo aqui o relato. Deixo neste ponto esta assembléia de pequenos e pequenas. Agora perguntemo-nos como é possível, que estas crenças que mantenhem desigualdades, podam estar tam presentes nestas idades tam temperas. Queria trazer a estas linhas um pequeno exemplo da presença do patriarcado no pensamento das crianças. Um patriarcado que para muita gente nom existe. É certo que pode ser invisível, ou aparecer em pequenas cousas como as que vos acabamos de relatar, mas é o mesmo patriarcado que levou a vida estes dias, de duas mulheres assassinadas em menos de 12 horas polas suas parelhas. Som partes dum todo. Por isso existe e trabalha o feminismo, por isso o esforço em associaçons, movimentos... Levamos dous séculos fazendo reunions, mobilizaçons, escrevendo livros... para destruir a fantasma do patriarcado. Umha fantasma que pode acabar coa vida dumha mulher ou filtrar-se na mente dumha criança.
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segunda-feira, maio 12, 2008

Quê fai o poder na tua mesa?

Na década dos 80, Josep Vicent Marques publicava um livro titulado "Quê fai o poder na tua cama?", a onda feminista que arrancou na década dos 70, falava de que o privado era público, e começou a bucear na sexualidade feminina para, em primeiro lugar denunciar a sua existência, negada tanto por científicos como por filósofos e teólogos; em segundo lugar anunciar aos quatro ventos a potência da sexualidade feminina, umha sexualidade nom dependente nem passiva, e em terceiro lugar para separa-la definitivamente da maternidade.

Vicent Marques perguntava Quê fai o poder na tua cama?. Agora queremos perguntar-nos "Quê fai o poder na tua mesa?" e quem di na mesa di na cozinha, di na cesta da compra. As feministas sabíamos que as mulheres no planeta desenvolvemos o 70% do trabalho mas só possuirmos o 1% da propriedade da terra. Somos maioria na produçom de alimentos agrícolas e gandeiros, e somos maioria na elaboraçom desses alimentos, segundo a agencia para a alimentaçom das Naçons Unidas essa porcentagem chega ao 70% nos países empobrecidos.

Desde há uns anos as organizaçons campesinas do mundo estam organizando-se em redes trabalhando por um direito que asseguram é fundamental para a sobrevivência dos povos e do planeta: a soberania alimentaria.

As labregas feministas estam aportando novas reflexons e campos de acçom ao feminismo, nesta ocassom nom só reivindicando o espaço rural e a agricultura como um modo de vida das mulheres onde devem ter assegurados os seus direitos como trabalhadoras e como mulheres, senom empoderando a todas as mulheres como elaboradoras de alimentos para cambiar modelos patriarcais e capitalistas que afetam à saúde das pessoas e do planeta.planeta.Pruduzir alimentos, para consumilos tendo em conta a cultura das comunidades, e nom aceitar pasivamente novos hábitos de alimentaçom mediatizados pola publicidade e as decisons econômicas da Organizaçom Mundial do Comércio e as multinacionais; consumir os alimentos locais, apoiando as agriculturas de proximidade, aforrando a energia do transporte e conservaçom dos alimentos que vam dum continente a outro; nom aceitar alimentos produzidos em monocultivos de grandes terratenentes que nom duvidam em utilizar a repressom contra as comunidades que desenvolvem agriculturas locais nesses países; desbotar o usos de pesticidas e demais produtos que ameaçam a nossa saúde e à da terra; dar-lhe as costas aos alimentos transgênicos... som muitos os princípios que construem o direito à soberania alimentaria. A urgência da crise humanitária que está cruzando o planeta, concretada na subida dos prezos dos alimentos básicos, nos está exigindo olhar às labregas feministas e às suas organizaçons, para poder levar adiante um cambio tam profundo como necessário e urgente: o jeito de produzir e consumir os alimentos, garantindo os direitos das mulheres campesinas e assumindo e pondo em prática as suas alternativas.

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